Brasil

    Ministro extremista de Israel faz propaganda política em local onde pretende enforcar palestinos condenados

    O ministro da Segurança Nacional de Israel , o extremista Itamar Ben-Gvir , publicou nesta quinta-feira (20) um vídeo em que faz um tour no local onde devem ser executados palestinos acusados de ataques terroristas letais, de acordo com legislação recentemente aprovada no país . Leia mais (08/20/2026 - 17h02)

    Folha de S.Paulo
    20 de agosto de 2026 às 20:02
    Ministro extremista de Israel faz propaganda política em local onde pretende enforcar palestinos condenados
    Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    O ministro da Segurança Nacional de Israel , o extremista Itamar Ben-Gvir , publicou nesta quinta-feira (20) um vídeo em que faz um tour no local onde devem ser executados palestinos acusados de ataques terroristas letais, de acordo com legislação recentemente aprovada no país .

    O ministro de Segurança Nacional israelense, Itamar Ben-Gvir, acena a apoiadores em Jerusalém Oriental durante marcha celebrando conquista de Jerusalém por Israel - Ammar Awad - 14.mai.26/Reuters · Ammar Awad - 14.mai.26/Reuters
    O ministro de Segurança Nacional israelense, Itamar Ben-Gvir, acena a apoiadores em Jerusalém Oriental durante marcha celebrando conquista de Jerusalém por Israel - Ammar Awad - 14.mai.26/Reuters · Ammar Awad - 14.mai.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "É aqui que os terroristas serão executados. Teremos uma forca, salas para que as vítimas do crime possam vir e assistir, igualzinho nos Estados Unidos , aliás", diz Ben-Gvir nas imagens, parcialmente borradas para que o local não fosse identificado.

    "Estamos cumprindo nossas promessas", prossegue o extremista, que tem longo histórico de falas racistas contra palestinos e árabes no geral. "Houve quem duvidasse, houve quem zombasse. Está aí. A obra começou." O vídeo tem formato de propaganda eleitoral, uma vez que Israel terá eleições gerais no dia 27 de outubro .

    Em março deste ano, por iniciativa de Ben-Gvir, o Parlamento de Israel aprovou a pena de morte como sentença padrão para palestinos condenados por ataques letais . Na votação, o ministro usava um broche em formato de forca, numa referência clara ao método de execução.

    O impacto da guerra na Cisjordânia
    O impacto da guerra na Cisjordânia — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A lei não diz explicitamente que o enforcamento só será aplicado contra palestinos. Entretanto, como ela só vale para casos julgados em tribunais militares e em ataques onde o motivo seja "negar a existência do Estado de Israel" , as chances de que extremistas judeus sejam enquadrados nela são praticamente nulas.

    Além disso, nenhum cidadão israelense é julgado em tribunais militares na Cisjordânia . Mesmo colonos judeus vivendo em assentamentos ilegais no território palestino , sob ocupação de Israel desde 1967, são julgados pela lei civil israelense.

    Já palestinos acusados de crimes relacionados à "segurança nacional" de Israel passam pelo crivo da lei militar daquele país. Esse fato é o cerne da acusação de entidades como a Anistia Internacional de que Israel comete o crime de apartheid na Cisjordânia .

    Fotógrafo palestino do New York Times ganha prêmio Pulitzer por cobertura em Gaza
    Fotógrafo palestino do New York Times ganha prêmio Pulitzer por cobertura em Gaza — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Tel Aviv nega as acusações, dizendo que as diferenças de tratamento e direitos entre israelenses e palestinos se dão por preocupações legítimas de segurança e por uma questão de nacionalidade, não de raça —sem componente racial, não se pode falar em apartheid , de acordo com o direito internacional.

    Os assentamentos, por sua vez, são ilegais perante o direito internacional porque a Convenção de Genebra proíbe um país que ocupa um território de transferir sua população para a região ocupada. Israel se defende dizendo não estimular ou financiar o movimento inicial de colonos que criam assentamentos na Cisjordânia —embora forneça proteção militar, incentivos fiscais, respaldo jurídico e infraestrutura após o estabelecimento de um.

    Hoje, cerca de 500 mil judeus vivem em assentamentos na Cisjordânia, e 250 mil, em Jerusalém Oriental ocupada. Os assentamentos são conectados por estradas que, em geral, não podem ser acessadas por palestinos, que também estão sujeitos a controles militares e a outras restrições de movimento no território ocupado.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A pena de morte é legal em Israel, mas só duas pessoas foram executadas em toda a história do Estado judeu —uma delas, o nazista Adolf Eichmann , julgado em Jerusalém em 1961 e enforcado em 1962 . O outro caso foi uma execução militar de um soldado acusado de traição em 1948.

    Ben-Gvir já foi criticado diversas vezes pela comunidade internacional por suas falas e ações, e está sob sanção de países como Reino Unido , Austrália , Canadá , França , Irlanda e Noruega .

    A diplomacia francesa proibiu o ministro israelense de entrar no país depois que ele publicou um vídeo mostrando ativistas da flotilha humanitária que tentava romper o bloqueio a Gaza detidos com as mãos amarradas e a testa apoiada no chão . No vídeo, publicado com a legenda "bem-vindos a Israel, é assim que tratamos os apoiadores do terrorismo", o hino nacional israelense era reproduzido em volume alto.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No último domingo (16), Ben-Gvir disse que Israel deveria matar "de 30 a 40" pessoas todos os dias na Faixa de Gaza e construir assentamentos no território palestino.

    A fala levou a condenações até mesmo da Alemanha , que, por sua responsabilidade no Holocausto , geralmente evita se posicionar contra Israel na diplomacia. O premiê alemão, Friedrich Merz , disse por meio de um porta-voz que "declarações que ferem o direito internacional e a dignidade humana não são aceitáveis".

    Em julho, sobre o plano de paz para Gaza apoiado por Donald Trump , Ben-Gvir disse que "só se pode negociar com nazistas por meio da mira da arma. A única solução para Gaza é encorajar a emigração [de palestinos] e destruir o Hamas ".

    Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo

    Em junho, durante ataques trocados entre Israel e o Hezbollah , milícia pró- Irã no Líbano , o extremista escreveu no X: "Para cada lágrima de uma mãe israelense, mil mães libanesas precisam chorar. Todo o Líbano precisa queimar!".

    Em novembro de 2023, após os ataques de 7 de outubro , Ben-Gvir afirmou: "Quando digo que o Hamas precisa ser eliminado, isso também inclui aqueles que cantam, aqueles que apoiam e aqueles que distribuem doces [em Gaza]. Todos são terroristas". Em 2019, ele defendeu expulsar de Israel cidadãos israelenses de origem árabe que não fossem suficientemente leais ao país.

    Ben-Gvir mantém o cargo de ministro apesar das sucessivas falas racistas porque seu partido, o Otzma Yehudit (Poder Judaico), sustenta a maioria parlamentar da qual o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu precisa para governar. Pesquisas sobre a eleição de outubro mostram que Netanyahu deve perder sua maioria no Knesset , o Parlamento israelense.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Semanalmente, os principais fatos do globo, explicados de forma leve e interessante

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/ministro-extremista-de-israel-faz-propaganda-politica-em-local-onde-pretende-enforcar-palestinos-condenados.shtml.

    Imagem 1
    1 / 5

    O ministro de Segurança Nacional israelense, Itamar Ben-Gvir, acena a apoiadores em Jerusalém Oriental durante marcha celebrando conquista de Jerusalém por Israel - Ammar Awad - 14.mai.26/Reuters · Ammar Awad - 14.mai.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)