Ministro extremista de Israel faz propaganda política em local onde pretende enforcar palestinos condenados
O ministro da Segurança Nacional de Israel , o extremista Itamar Ben-Gvir , publicou nesta quinta-feira (20) um vídeo em que faz um tour no local onde devem ser executados palestinos acusados de ataques terroristas letais, de acordo com legislação recentemente aprovada no país . Leia mais (08/20/2026 - 17h02)

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O ministro da Segurança Nacional de Israel , o extremista Itamar Ben-Gvir , publicou nesta quinta-feira (20) um vídeo em que faz um tour no local onde devem ser executados palestinos acusados de ataques terroristas letais, de acordo com legislação recentemente aprovada no país .

"É aqui que os terroristas serão executados. Teremos uma forca, salas para que as vítimas do crime possam vir e assistir, igualzinho nos Estados Unidos , aliás", diz Ben-Gvir nas imagens, parcialmente borradas para que o local não fosse identificado.
"Estamos cumprindo nossas promessas", prossegue o extremista, que tem longo histórico de falas racistas contra palestinos e árabes no geral. "Houve quem duvidasse, houve quem zombasse. Está aí. A obra começou." O vídeo tem formato de propaganda eleitoral, uma vez que Israel terá eleições gerais no dia 27 de outubro .
Em março deste ano, por iniciativa de Ben-Gvir, o Parlamento de Israel aprovou a pena de morte como sentença padrão para palestinos condenados por ataques letais . Na votação, o ministro usava um broche em formato de forca, numa referência clara ao método de execução.

A lei não diz explicitamente que o enforcamento só será aplicado contra palestinos. Entretanto, como ela só vale para casos julgados em tribunais militares e em ataques onde o motivo seja "negar a existência do Estado de Israel" , as chances de que extremistas judeus sejam enquadrados nela são praticamente nulas.
Além disso, nenhum cidadão israelense é julgado em tribunais militares na Cisjordânia . Mesmo colonos judeus vivendo em assentamentos ilegais no território palestino , sob ocupação de Israel desde 1967, são julgados pela lei civil israelense.
Já palestinos acusados de crimes relacionados à "segurança nacional" de Israel passam pelo crivo da lei militar daquele país. Esse fato é o cerne da acusação de entidades como a Anistia Internacional de que Israel comete o crime de apartheid na Cisjordânia .

Tel Aviv nega as acusações, dizendo que as diferenças de tratamento e direitos entre israelenses e palestinos se dão por preocupações legítimas de segurança e por uma questão de nacionalidade, não de raça —sem componente racial, não se pode falar em apartheid , de acordo com o direito internacional.
Os assentamentos, por sua vez, são ilegais perante o direito internacional porque a Convenção de Genebra proíbe um país que ocupa um território de transferir sua população para a região ocupada. Israel se defende dizendo não estimular ou financiar o movimento inicial de colonos que criam assentamentos na Cisjordânia —embora forneça proteção militar, incentivos fiscais, respaldo jurídico e infraestrutura após o estabelecimento de um.
Hoje, cerca de 500 mil judeus vivem em assentamentos na Cisjordânia, e 250 mil, em Jerusalém Oriental ocupada. Os assentamentos são conectados por estradas que, em geral, não podem ser acessadas por palestinos, que também estão sujeitos a controles militares e a outras restrições de movimento no território ocupado.

A pena de morte é legal em Israel, mas só duas pessoas foram executadas em toda a história do Estado judeu —uma delas, o nazista Adolf Eichmann , julgado em Jerusalém em 1961 e enforcado em 1962 . O outro caso foi uma execução militar de um soldado acusado de traição em 1948.
Ben-Gvir já foi criticado diversas vezes pela comunidade internacional por suas falas e ações, e está sob sanção de países como Reino Unido , Austrália , Canadá , França , Irlanda e Noruega .
A diplomacia francesa proibiu o ministro israelense de entrar no país depois que ele publicou um vídeo mostrando ativistas da flotilha humanitária que tentava romper o bloqueio a Gaza detidos com as mãos amarradas e a testa apoiada no chão . No vídeo, publicado com a legenda "bem-vindos a Israel, é assim que tratamos os apoiadores do terrorismo", o hino nacional israelense era reproduzido em volume alto.

No último domingo (16), Ben-Gvir disse que Israel deveria matar "de 30 a 40" pessoas todos os dias na Faixa de Gaza e construir assentamentos no território palestino.
A fala levou a condenações até mesmo da Alemanha , que, por sua responsabilidade no Holocausto , geralmente evita se posicionar contra Israel na diplomacia. O premiê alemão, Friedrich Merz , disse por meio de um porta-voz que "declarações que ferem o direito internacional e a dignidade humana não são aceitáveis".
Em julho, sobre o plano de paz para Gaza apoiado por Donald Trump , Ben-Gvir disse que "só se pode negociar com nazistas por meio da mira da arma. A única solução para Gaza é encorajar a emigração [de palestinos] e destruir o Hamas ".
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Em junho, durante ataques trocados entre Israel e o Hezbollah , milícia pró- Irã no Líbano , o extremista escreveu no X: "Para cada lágrima de uma mãe israelense, mil mães libanesas precisam chorar. Todo o Líbano precisa queimar!".
Em novembro de 2023, após os ataques de 7 de outubro , Ben-Gvir afirmou: "Quando digo que o Hamas precisa ser eliminado, isso também inclui aqueles que cantam, aqueles que apoiam e aqueles que distribuem doces [em Gaza]. Todos são terroristas". Em 2019, ele defendeu expulsar de Israel cidadãos israelenses de origem árabe que não fossem suficientemente leais ao país.
Ben-Gvir mantém o cargo de ministro apesar das sucessivas falas racistas porque seu partido, o Otzma Yehudit (Poder Judaico), sustenta a maioria parlamentar da qual o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu precisa para governar. Pesquisas sobre a eleição de outubro mostram que Netanyahu deve perder sua maioria no Knesset , o Parlamento israelense.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/ministro-extremista-de-israel-faz-propaganda-politica-em-local-onde-pretende-enforcar-palestinos-condenados.shtml.

O ministro de Segurança Nacional israelense, Itamar Ben-Gvir, acena a apoiadores em Jerusalém Oriental durante marcha celebrando conquista de Jerusalém por Israel - Ammar Awad - 14.mai.26/Reuters · Ammar Awad - 14.mai.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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