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    Ministério Público processa Shell por causa de enchentes no RS e pede R$ 541 milhões

    O Ministério Público Federal (MPF) moveu uma ação contra a Shell Brasil pedindo mais de R$ 541 milhões por causa das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul e deixaram 183 mortos em 2024, segundo documento judicial obtido pela AFP nesta sexta-feira (9). Leia mais (10/10/2026 - 12h10)

    Folha de S.Paulo
    10 de outubro de 2026 às 15:10
    Ministério Público processa Shell por causa de enchentes no RS e pede R$ 541 milhões
    Foto: Folha de S.Paulo

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    O Ministério Público Federal (MPF) moveu uma ação contra a Shell Brasil pedindo mais de R$ 541 milhões por causa das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul e deixaram 183 mortos em 2024, segundo documento judicial obtido pela AFP nesta sexta-feira (9).

    Área em Canoas, no Rio Grande do Sul, inundada em maio de 2024 - Adriano Machado - 14.mai.24/Reuters · Adriano Machado - 14.mai.24/Reuters
    Área em Canoas, no Rio Grande do Sul, inundada em maio de 2024 - Adriano Machado - 14.mai.24/Reuters · Adriano Machado - 14.mai.24/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A Shell Brasil afirmou em um email enviado à AFP que "não recebeu notificação oficial sobre o processo mencionado".

    As chuvas torrenciais que caíram no sul do país entre abril e maio de 2024 provocaram inundações históricas. Cerca de 500 mil ficaram desalojadas. Os danos materiais atingiram níveis sem precedentes.

    Para o MPF, a responsabilidade da Shell Brasil é proporcional à contribuição de sua controladora para o aquecimento global, estimada em 2% das emissões históricas mundiais de gases de efeito estufa.

    Veja 30 imagens que contam a tragédia no Sul
    Veja 30 imagens que contam a tragédia no Sul — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Maria Antonia Tigre, do Centro Sabin de Direito sobre Mudanças Climáticas, da Universidade Columbia, disse à AFP que essa é a primeira vez que uma instituição como o MPF processa "uma grande empresa petrolífera por uma catástrofe climática".

    A iniciativa do MPF representa uma nova etapa na ofensiva judicial global contra as gigantes do petróleo. A ONG Instituto Preservar é coautora do processo.

    "A presente Ação Civil Pública tem por objeto a responsabilização civil ambiental-climática da empresa ré pelos danos materiais e morais coletivos decorrentes do evento climático extremo que atingiu o estado do Rio Grande do Sul entre abril e maio de 2024", afirma o MPF no documento.

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    Segundo a ação, a petroleira deve responder por "sua contribuição histórica e continuada para as emissões globais de Gases de Efeito Estufa (GEE) associadas à exploração, produção e comercialização de combustíveis fósseis".

    A britânica Shell já enfrenta uma ação judicial no Reino Unido movida por vítimas de um tufão nas Filipinas.

    O Ministério Público pede R$ 270,5 milhões por danos ambientais e danos morais climáticos, além de outros R$ 270,5 milhões por danos materiais, totalizando R$ 541 milhões.

    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga
    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Os custos dos danos climáticos não devem recair apenas sobre a sociedade e sobre os que perderam tudo na tragédia. Os grandes poluidores, que contribuem de forma significativa para as emissões de gases de efeito estufa e para as mudanças climáticas, também devem responder pelos prejuízos que ajudam a causar", comentou Thales Miola, advogado do Instituto Preservar.

    Diversas organizações ingressaram, nos últimos anos, com ações para que uma grande empresa poluidora indenize vítimas da mudança climática, onde quer que se encontrem, na proporção de suas emissões de gases de efeito estufa.

    O princípio jurídico foi validado no ano passado pela Justiça alemã no caso do agricultor peruano Saúl Luciano Lliuya contra a companhia energética alemã RWE. Os juízes rejeitaram indenizações no seu caso particular, mas abriram caminho para outras ações.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/10/ministerio-publico-processa-shell-por-causa-de-enchentes-no-rs-e-pede-r-541-milhoes.shtml.

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    Área em Canoas, no Rio Grande do Sul, inundada em maio de 2024 - Adriano Machado - 14.mai.24/Reuters · Adriano Machado - 14.mai.24/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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