'Minha Melhor Amiga' é agradável e tenta ser um 'Sex and the City' brasileiro
É uma experiência agradável assistir a " Minha Melhor Amiga ". Como Ingrid Guimarães e Mônica Martelli estão presentes nos palcos e telas há décadas, em comédias frequentemente inspiradas em questões biográficas e geracionais, ver o filme é um pouco como acompanhar uma nova aventura de alguém que conhecemos bem. Tão bem que conseguimos inclusive antecipar falas, decisões, gestos. Leia mais (09/02/2026 - 13h00)

Expressa juízo de valor sobre a obra cultural comentada e destaca seus elementos positivos e negativos
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É uma experiência agradável assistir a " Minha Melhor Amiga ". Como Ingrid Guimarães e Mônica Martelli estão presentes nos palcos e telas há décadas, em comédias frequentemente inspiradas em questões biográficas e geracionais, ver o filme é um pouco como acompanhar uma nova aventura de alguém que conhecemos bem. Tão bem que conseguimos inclusive antecipar falas, decisões, gestos.
Com direção de Susana Garcia, o longa conta a história de Clara (Guimarães) e Júlia (Martelli), duas amigas de mais de 50 anos que, insatisfeitas, respectivamente, com o casamento e o trabalho, decidem passar férias em Lisboa , onde as filhas adolescentes fazem intercâmbio.
Não causam surpresa os ingredientes da história, que vão dos diálogos sobre reposição hormonal , escape de urina e intestino preso a momentos de romance com vista para o Tejo. Garantem, porém, boas risadas, alguma identificação e o prazer de assistir a uma espécie de versão brasileira da última temporada de " Sex and the City ".

Alguns figurinos e os cachos dourados de Guimarães funcionam inclusive como expressão dessa filiação direta, ainda que o escracho das cariocas Clara e Júlia esteja a um oceano de distância do léxico de Carrie, mais literário e romântico.
Depois de 20 anos, o casamento de Clara perdeu a química, e Júlia, escaldada, evita relacionamentos sérios. As amigas chegam a Portugal com o coração disponível, a academia em dia e a mala repleta de decotes, fendas e modelos propícios para a azaração.
Há, como era de se esperar, uma decepção romântica e a solução é uma viagem de carro, só as duas. Nesse ponto, a referência, tampouco improvável, é " Thelma e Louise ". Com muitas diferenças, a exemplo do gato português que dirige até a Espanha para encontrar Júlia.

A amizade real entre as atrizes e as viagens efetivas com as respectivas filhas alimentam a comédia, cujo humor reverbera a lógica das redes sociais e, em mais de um lance, posts e poses para fotos são assunto.
Ainda em Lisboa, o reencontro com as meninas é feito de desencontros. A mudança de país amplifica a distância entre as gerações, típica da adolescência, e as garotas não ficam exatamente contentes com a visita surpresa das progenitoras. Apesar de fornecer o enquadramento da narrativa, essa parte da trama permanece em segundo plano, não chegando a ser suficientemente desenvolvida.
Assim, quando surge a suspeita de que a filha está fumando cigarro eletrônico e Clara pede que um médico explique à garota quais são os riscos, a sequência termina num flerte da mãe com o doutor.

Embora os diálogos reiterem a importância da amizade e o empoderamento de mulheres que podem mudar os rumos da vida depois dos 50, o roteiro sublinha a busca pelo amor –ou por um parceiro gato– como o principal ideal da vida.
Apesar dessas contradições, é, sim, revolucionário, divertido e agradável vê-las gostosas, cheias de sex appeal e engraçadas. Ingrid Guimarães e Mônica Martelli dominam o timing da comédia, são donas de um humor tão verbal quanto físico e têm um entrosamento raro.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/09/minha-melhor-amiga-e-agradavel-e-tenta-ser-um-sex-and-the-city-brasileiro.shtml.

Mônica Martelli e Ingrid Guimarães em cena do filme 'Minha Melhor Amiga' - Desirée do Valle/Divulgação · Desirée do Valle/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo
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