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    Minério, frete e petróleo: quem sofre mais entre Vale, CSN Mineração e Usiminas?

    Trem carregando minério de ferro de mina da Rio Tinto na Austrália " data-image-caption=" Trem carregando minério de ferro de mina da Rio Tinto na Austrália (Foto: Reuters) " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2024/05/2024-05-28T112922Z_1_LYNXMPEK4R0DA_RTROPTP_3_RIO-TINTO-RESULTS.jpg?fit=800%2C550&quality=70&strip=all" />Enquanto algumas empresas contam com contratos de longo prazo e proteção contra oscilações de custos, outras estão totalmente expostas ao mercado à vista, tornando seus resultados cada vez mais sensíveis ao comportamento das commodities The post M

    InfoMoney
    17 de setembro de 2026 às 12:30
    Minério, frete e petróleo: quem sofre mais entre Vale, CSN Mineração e Usiminas?
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    Trem carregando minério de ferro de mina da Rio Tinto na Austrália

    Trem carregando minério de ferro de mina da Rio Tinto na Austrália (Foto: Reuters)

    A disparada dos custos de frete marítimo e do petróleo está criando uma nova divisão entre as mineradoras e siderúrgicas brasileiras. Conforme aponta análise do Goldman Sachs, algumas empresas contam com contratos de longo prazo e proteção contra oscilações de custos, mas outras estão totalmente expostas ao mercado à vista, tornando seus resultados cada vez mais sensíveis ao comportamento das commodities.

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    Em relatório, a equipe de análise do Goldman Sachs analisou como variações nos preços do minério de ferro, do petróleo, do frete marítimo e do câmbio afetam as empresas latino-americanas do setor de mineração, com foco em Vale ( VALE3 ), CSN Mineração ( CMIN3 ) e Usiminas ( USIM5 ). A conclusão é que a sensibilidade aos preços das commodities tornou-se ainda mais relevante em um cenário de minério próximo de US$ 95 por tonelada, fretes perto dos maiores níveis da última década e petróleo acima de US$ 100 por barril.

    Segundo os analistas, o frete spot da rota Brasil-China atingiu cerca de US$ 40 por tonelada, mais de 100% acima da média dos últimos dez anos, enquanto o Brent chegou a US$ 103 por barril. O resultado foi uma forte compressão das margens para produtores sem hedge ou contratos logísticos de longo prazo.

    Entre as empresas analisadas, a Vale ( VALE3 ) aparece como a mais resiliente.

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    O Goldman Sachs destaca que aproximadamente 75% dos volumes de exportação da companhia estão vinculados a contratos logísticos de longo prazo, com custos estruturais significativamente menores do que os praticados no mercado spot. Além disso, a mineradora possui hedge de cerca de 70% da exposição ao petróleo em 2027.

    Essa proteção reduz significativamente o impacto da escalada do frete e do combustível sobre os resultados.

    Mesmo assim, o banco calcula que o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) projetado para 2027 poderia ficar 15% abaixo do consenso de mercado caso prevaleçam as condições atuais de frete, minério e petróleo. No cenário baseado nas curvas futuras, o impacto seria mais modesto, de cerca de 3%.

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    O Goldman estima ainda que o ponto de equilíbrio operacional da Vale para minério de ferro fique em torno de US$ 63 por tonelada no cenário spot, bem abaixo dos níveis observados para concorrentes domésticos.

    O cenário é diferente para a CSN Mineração ( CMIN3 ), uma vez que a companhia possui exposição integral ao frete marítimo spot e não conta com proteção para os custos de energia. Além disso, cerca de 30% dos volumes comercializados dependem da compra de minério de terceiros.

    Com frete de US$ 40 por tonelada e petróleo acima de US$ 100 por barril, o custo total entregue na China sobe para níveis próximos de US$ 97 por tonelada, praticamente eliminando a rentabilidade do negócio de mineração.

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    Nas estimativas do Goldman Sachs, o EBITDA da divisão de mineração da empresa pode sofrer impacto de até 109% em 2027 no cenário spot, chegando a território negativo. O ponto de equilíbrio operacional sobe para cerca de US$ 97 por tonelada, praticamente alinhado ao preço atual do minério. O banco mantém recomendação de venda para a companhia.

    Para a Usiminas ( USIM5 ), a vulnerabilidade aparece principalmente no braço de mineração. O Goldman observa que a companhia também possui exposição integral ao frete spot e não conta com hedge para custos energéticos. O banco lembra ainda que a empresa já suspendeu operações na mina de Samambaia, reduzindo em cerca de 30% sua capacidade de produção.

    No cenário atual, os analistas estimam que a operação de mineração da Usiminas apresente EBITDA negativo tanto nas condições spot quanto em boa parte das curvas futuras. O preço de equilíbrio da operação pode chegar a US$ 115 por tonelada em 2027, valor significativamente superior às cotações atuais do minério.

    Apesar disso, o Goldman mantém recomendação de compra para a ação, argumentando que o negócio de aço continua sendo o principal gerador de resultados da companhia e que parte desses riscos já está refletida nas cotações.

    Commodities definem vencedores e perdedores

    A análise é reforçada por outro estudo recente do banco, que mostra que o custo marginal global do minério de ferro subiu para cerca de US$ 95 por tonelada, contra aproximadamente US$ 75 registrados em 2024. A combinação de fretes elevados, combustíveis mais caros, exaustão de minas e queda dos teores metálicos elevou significativamente os custos da indústria.

    O Goldman calcula que mais de 200 milhões de toneladas de produção global já operam com rentabilidade muito limitada ou negativa em preços próximos de US$ 95 por tonelada.

    Ao mesmo tempo, as perspectivas para o frete seguem desafiadoras. O banco acredita que a oferta global de navios continuará apertada até pelo menos 2028, enquanto o aumento das exportações de bauxita da Guiné e o avanço do projeto Simandou sustentam a demanda por embarcações do tipo Capesize.

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