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    Mineração da Braskem: entenda como solo afundou em Maceió e obrigou 60 mil pessoas a deixarem suas casas

    Braskem pede recuperação extrajudicial A petroquímica Braskem entrou com um pedido de recuperação extrajudicial, nesta segunda-feira (24), para reestruturar uma dívida bilionária. A empresa era responsável pela mineração de sal-gema em Maceió em 2018, quando tremores foram sentidos em diversos bairros da capital alagoana. 📱Participe do canal do g1 Alagoas O episódio revelou uma série de problemas nos anos seguintes, que vão de rachadura de imóveis, relocação de cerca de 60 mil pessoas para outros bairros, e colapso de uma das minas de exploração de sal-gema. O g1 fez uma linha cronológica com

    G1
    24 de agosto de 2026 às 14:41
    Mineração da Braskem: entenda como solo afundou em Maceió e obrigou 60 mil pessoas a deixarem suas casas
    Foto: G1

    Em janeiro de 2022 , já com grande parte dos bairros afetados desocupados, foi iniciada a demolição de 2 mil imóveis localizados na encosta do Mutange , a primeira etapa de um projeto de demolições em uma área com cerca de 200 mil m². Após indenizar a maior parte dos proprietários dos imóveis das áreas desocupadas, a Braskem firmou acordo, em janeiro de 2023 , para ressarcir a Prefeitura de Maceió em R$ 1,7 bilhão em em razão dos prejuízos causados à capital com o afundamento do solo . Ao longo do ano de 2023 , moradores do Bom Parto que ainda vivem na borda da área de risco realizaram diversos protestos cobrando inclusão no Programa de Compensação Financeira da Braskem , mas a Defesa Civil Municipal afirmava que não havia risco para essas moradias . Contudo, após 5 tremores de terra somente no mês de novembro , a Defesa Civil de Maceió alertou para o "risco de colapso em uma das minas" próximo da lagoa Mundaú e os moradores do Bom Parto foram obrigados a sair de casa às pressas sob ordem da Justiça Federal , que autorizou até uso da força policial caso as pessoas resistam a deixar o local. Na última quarta-feira (29), o Hospital Sanatório, localizado no Pinheiro, transferiu todos os seus pacientes para outras unidades de saúde , mesmo sem ordem para evacuação. O professor da UFAL Abel Galindo, engenheiro civil com mestrado em geotecnia pela UFPB, avalia que há uma grande probabilidade de o desabamento da mina 18 afetar também duas minas vizinhas, formando uma cratera em que caberia o estádio do Maracanã na área da lagoa, tornando a água salgada e afetando o ecossistema na região "de forma bastante trágica" . A gravidade da situação levou a Prefeitura de Maceió a decretar situação de emergência, que foi reconhecida pelo governo federal em 1 de dezembro de 2023 . O rompimento de parte da mina 18 da Braskem aconteceu no dia 10 de dezembro . Segundo a Defesa Civil, a cavidade foi preenchida com rocha e água da lagoa, levando à estabilização da área. Em 2023, a Polícia Federal deu início à Operação Lágrimas de Sal, para investigar o afundamento de solo nos bairros de Maceió . Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em Maceió (11), Rio de Janeiro (2) e Aracaju (1). A Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE-AL) divulgou, em 2025, que os danos causados pela mineração vão além do afundamento da área diretamente afetada , reconhecida nos Mapas de Linhas de Ações Prioritárias. O estudo aponta indícios de afundamento de solo nos Flexal de Cima, Flexal de Baixo, Bom Parto e Marquês de Abrantes. Apesar de estar fora das áreas oficiais de risco, os locais sofrem com o "ilhamento socioeconômico" e ainda são habitados por pessoas. Na ocasião, o órgão pediu a desocupação das regiões. A Defesa Civil de Maceió explicou que as regiões são monitoradas e que, até o momento, não via indícios para ampliação das áreas de risco ou para novas realocações. Moradores dos bairros do Farol e Pinheiro denunciaram, em junho de 2025, que novas rachaduras surgiram nos imóveis. A Defensoria Pública estadual fez uma vistoria nos prédios indicados. Em 2026, a Justiça Federal em Alagoas recebeu a denúncia apresentada pelo MPF contra a Braskem, ex-dirigentes e técnicos ligados à atividade de mineração que provocou o afundamento do solo em Maceió. Na prática, a decisão torna a empresa e os executivos réus na ação penal que apura a responsabilidade pelo desastre socioambiental. Entre os crimes apontados pelo MPF estão poluição ambiental qualificada; elaboração e apresentação de estudos ambientais considerados falsos ou enganosos; extração irregular de recursos minerais; dano qualificado ao patrimônio.

    Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2026/08/24/mineracao-da-braskem-entenda-como-solo-afundou-em-maceio-e-obrigou-60-mil-pessoas-a-deixarem-suas-casas.ghtml.

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