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    Mineração adota IA e caminhões autônomos para elevar segurança, mas falta mão de obra para transição tecnológica

    Caminhões autônomos, monitoramento de barragens por inteligência artificial e minas a mais de 2.000 metros de profundidade conectadas por centenas de roteadores tornam mais segura a mineração no Brasil, mas o setor ainda enfrenta o desafio de formar e atrair pessoas capazes de manejar essa nova estrutura e definir quem responderá caso a tecnologia falhe. Leia mais (09/22/2026 - 14h30)

    Folha de S.Paulo
    22 de setembro de 2026 às 17:30
    Mineração adota IA e caminhões autônomos para elevar segurança, mas falta mão de obra para transição tecnológica
    Cinco pessoas sentadas em cadeiras em palco durante seminário sobre inovação aplicada à geração. Tela ao fundo exibe texto 'Vantagens competitivas e desafios' e logos de patrocinadores. Público em silhueta assiste à apresentação. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Caminhões autônomos, monitoramento de barragens por inteligência artificial e minas a mais de 2.000 metros de profundidade conectadas por centenas de roteadores tornam mais segura a mineração no Brasil, mas o setor ainda enfrenta o desafio de formar e atrair pessoas capazes de manejar essa nova estrutura e definir quem responderá caso a tecnologia falhe.

    Da esq. para a dir., Julio Cesar Nery Ferreira, José Carlos Martins, Bruno Pimentel, Ana Carolina Russo e André Borges durante o seminário Inovação Aplicada à Mineração, realizado pela Folha - Jardiel Carvalho/Folhapress · Jardiel Carvalho/
    Da esq. para a dir., Julio Cesar Nery Ferreira, José Carlos Martins, Bruno Pimentel, Ana Carolina Russo e André Borges durante o seminário Inovação Aplicada à Mineração, realizado pela Folha - Jardiel Carvalho/Folhapress · Jardiel Carvalho/ — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O diagnóstico foi compartilhado por especialistas que participaram do Seminário Inovação Aplicada à Mineração, realizado na última segunda-feira (21) pela Folha . O evento teve patrocínio da BHP e apoio institucional de Mining Hub, Belo Sun Mineração e Cedro Mineração. A primeira mesa, "Vantagens competitivas e desafios", foi mediada por André Borges , repórter especial do jornal em Brasília.

    Luis Fernandes, ministro substituto da Ciência, Tecnologia e Inovação, abriu o seminário defendendo a necessidade de o Brasil transformar sua riqueza mineral em conhecimento, tecnologia e produtos de maior valor agregado, especialmente em um momento em que os minérios estão no centro da disputa geopolítica mundial como itens indispensáveis para as tecnologias mais avançadas.

    O ministro chamou o desafio de "a derrama do século 21", em referência ao imposto sobre o ouro cobrado pela Coroa Portuguesa no Brasil Colônia. "Ou o país desenvolve capacidade própria de agregação de valor ou se sujeita a um novo estatuto de dependência colonial", afirmou.

    Seminário da Folha debate inovação na mineração
    Seminário da Folha debate inovação na mineração — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo ele, o Brasil reúne condições privilegiadas para isso —matriz energética limpa, base científica sólida e grande diversidade mineral—, mas tem como gargalo a capacidade de escalar tecnologias, formar competências e avançar rumo a produtos mais tecnológicos desenvolvidos no país.

    A comparação com outros países mineradores indicou o tamanho do obstáculo. José Carlos Martins, presidente do Conselho de Administração da Cedro Mineração, citou a perda de competitividade do Brasil no mercado internacional de minério de ferro nas últimas duas décadas —de 21% para 17% de participação—, enquanto a fatia da Austrália foi de 18% para 37%, muito em razão da adoção de tecnologias de ponta que tornam suas minas mais produtivas.

    Bruno Pimentel, gerente de inovação da Samarco, destacou que o desafio tecnológico da empresa desde a sua retomada após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), que ocorreu no final de 2015 e vitimou 19 pessoas, é voltar a operar com a disposição de rejeitos sem uso de barragem. Segundo ele, o material é filtrado, empilhado sob controle geotécnico e monitorado por milhares de instrumentos que funcionam 24 horas por dia com apoio de modelos preditivos de inteligência artificial.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Por outro lado, Julio Cesar Nery Ferreira, diretor de assuntos minerários e de sustentabilidade do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração, afirmou que barragens seguras já são uma realidade possível e que, após uma ação civil pública movida na sequência dos desastres, a ANM (Agência Nacional de Mineração) passou a exigir sistemas de controle mais rígidos.

    "Tivemos os dois grandes desastres nas barragens [Mariana em 2015 e Brumadinho em 2019], que não podemos esquecer e temos que trabalhar para que nunca mais aconteçam. Hoje todas as barragens têm um sistema de comunicação integrada através do centro de monitoramento geotécnico, o qual especialistas monitoram 24 horas por dia, e essa talvez seja a grande mudança tecnológica. É possível controlar barragens a distância, usar caminhões de 300 toneladas autônomos com equipamentos subterrâneos que reduzem o risco humano. Se tivéssemos isso no passado, teríamos tido menos consequências", afirmou Ferreira.

    Sobre os acidentes, Martins afirmou que a natureza dos rejeitos foi mudando à medida que a barragem foi crescendo —o consumo mundial de minério saltou de 300 a 400 milhões de toneladas por ano para quase 3 bilhões. "A indústria não estava preparada e teve que aprender a dura realidade de uma maneira muito difícil."

    Na BHP, um programa interno que transforma ideias de colaboradores em provas de conceito (Breakthrough Open House) recebeu quase mil propostas de colaboradores ligadas à robótica e à automação, com foco em segurança e produtividade. Entre os exemplos estão monitoramento de segurança viária por inteligência artificial, manutenção robótica, limpeza subaquática e automação para retirar pessoas de atividades de maior risco.

    A tecnologia, por outro lado, traz uma pergunta ainda sem resposta: quem responde por uma falha operacional num sistema automatizado —o software, o fabricante do equipamento ou o operador? A discussão já está em curso no caso de acidentes com veículos autônomos. O arcabouço legal ainda não está resolvido e vai exigir um processo de adaptação, de acordo com Martins.

    Outro desafio é a falta de mão de obra especializada para essa fase de transição tecnológica. Segundo Pimentel, da Samarco, a mudança de uma operação mais manual para uma mais autônoma exige profissionais mais preparados. "Vemos exemplos de pessoas com perfil de gamer sendo contratadas para operar remotamente as minas. Não sei se essa é uma tendência que veio para ficar, mas temos que estar atentos."

    Ana Carolina Russo, professora de engenharia de Minas da Poli-USP, afirmou que mesmo formando engenheiros de minas, a universidade vê boa parte dos alunos migrar para o setor financeiro. "Precisamos fazer com que os alunos se encantem pela mineração. Nosso desafio na universidade e na sociedade é tirar esse estigma que ainda existe e torná-la atrativa para que a gente possa desenvolvê-la ainda mais."

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/seminariosfolha/2026/09/mineracao-adota-ia-e-caminhoes-autonomos-para-elevar-seguranca-mas-falta-mao-de-obra-para-transicao-tecnologica.shtml.

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    Da esq. para a dir., Julio Cesar Nery Ferreira, José Carlos Martins, Bruno Pimentel, Ana Carolina Russo e André Borges durante o seminário Inovação Aplicada à Mineração, realizado pela Folha - Jardiel Carvalho/Folhapress · Jardiel Carvalho/ — Foto: Folha de S.Paulo

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