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    Milo J estreia show no Brasil e defende identidade: 'a Argentina é marrom'

    "Já disse várias vezes que eu sou marrom, a Argentina também é marrom e a América Latina é marrom . Vejo isso nas pessoas, nos bairros, na terra, na história e na música", afirma o cantor argentino Milo J em entrevista à Folha . Leia mais (09/11/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    12 de setembro de 2026 às 02:00
    Milo J estreia show no Brasil e defende identidade: 'a Argentina é marrom'
    Foto: Folha de S.Paulo

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    São Paulo "Já disse várias vezes que eu sou marrom, a Argentina também é marrom e a América Latina é marrom . Vejo isso nas pessoas, nos bairros, na terra, na história e na música", afirma o cantor argentino Milo J em entrevista à Folha .

    O argentino Milo J, 19, que faz sua estreia no Brasil - Divulgação · Divulgação
    O argentino Milo J, 19, que faz sua estreia no Brasil - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O termo "marrom", usado pelo artista para se referir a sua identidade, faz alusão à diversidade de povos e à presença indígena, mestiça e não branca em seu país.

    Aos 19 anos, o artista é um dos principais nomes em ascensão da música urbana latino-americana. Ele estreia com show no Brasil neste sábado (12), no palco Supernova, no Rock In Rio .

    No domingo (13) e na terça (15), o jovem toca em São Paulo, na Audio, como parte da programação do festival Mucho! Ciudad Sonora. Há poucos ingressos disponíveis.

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    Nascido em Morón, periferia da capital Buenos Aires , Camilo Joaquín Villarruel iniciou sua carreira na música ainda adolescente com a produção de canções em casa, partindo de referências do trap e do rap. O alcance global, porém, foi consolidado no Tiny Desk , programa de apresentações da rádio americana NPR.

    No episódio divulgado em maio, Milo J interpreta faixas de "La Vida Era Más Corta (2025)", seu último trabalho. O disco fala sobre memória, identidade e pertencimento. Na sonoridade, chacareras, ritmo tradicional argentino marcado pela dança; milongas, gênero do Rio da Prata que antecedeu o tango; carnavalitos, de origem andina; e murgas, manifestações populares ligadas ao Carnaval, se misturam a instrumentos como guitarras criollas, bombos legueros e bandoneón.

    Em turnê mundial, o argentino desembarca em terras brasileiras em um momento de crescente valorização e projeção internacional da cultura e da estética latino-americanas —cenário também impulsionado pelo porto-riquenho Bad Bunny, que levou o álbum "Debí Tirar Más Fotos" (2025) ao topo das paradas internacionais e foi atração do show do intervalo do Super Bowl , um dos eventos de maior audiência dos Estados Unidos, em fevereiro.

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    "O que o Bad Bunny fez me parece muito valioso. É um artista com um alcance enorme que decidiu colocar o foco na própria identidade, na própria cultura e nos sons que o representam. Isso me inspira muito mais pela atitude do que pela parte musical", explica.

    Milo J também seguiu esse caminho. Em seu disco, o argentino valoriza o folclore e referências negras, indígenas e periféricas, além de abordar temas como ancestralidade e espiritualidade.

    "Nunca pensei nisso como um debate para fazer em cima de um palco. Se isso também convida as pessoas a olharem de outra forma para as nossas raízes ou a falarem sobre coisas que muitas vezes ficam invisibilizadas, sejam muito bem-vindas", diz o cantor.

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    A produção do álbum começou com uma viagem a Santiago del Estero, região localizada no norte do país, de onde vem parte de sua família. A partir daí, o jovem passou a ouvir mais folclore, chacareras, zambas e outras músicas latino-americanas.

    "Eu não vivi isso tanto como uma pesquisa musical, mas como uma busca pessoal. Lá, entendi muitas coisas que não tinham a ver apenas com a música, mas também com as minhas raízes e com a minha forma de enxergar a vida", afirma.

    Lançado nas plataformas em setembro do último ano, "La Vida Era Más Corta" tem 15 faixas, divididas em duas partes: a primeira, com 11 músicas, e a segunda, com quatro. "É um disco onde convivem todas as coisas que ouvi e vivi", diz o jovem.

    A canção "Bajo de la Piel" abre o álbum com elementos do folclore argentino e já antecipa a mistura entre tradição e sonoridade contemporânea que guia o trabalho.

    "Niño", por sua vez, tem um som mais melódico e aborda temas como perda e memória, embora não seja autobiográfica. A faixa, explica Milo J, parte da ideia de pessoas que perderam o pai ou alguém importante e continuam sentindo a presença dessa pessoa.

    "À primeira vista, ela parece uma canção de ninar, mas, à medida que avança, revela outra história. A música pode soar triste, mas, para mim, a mensagem é o contrário. É sobre aprender a abraçar tudo o que vivemos sem ficar preso apenas à dor", diz o argentino.

    Já em "Recordé" o artista usa um canto de uma cerimônia de umbanda gravada no Brasil. "Fizemos isso com muito cuidado e respeito, entendendo que não era apenas um som bonito para usar como sample, mas algo com um significado espiritual e cultural muito profundo", conta.

    Em "Solifican12", a ideia de "ser marrom" aparece de forma mais explícita. A faixa retoma referências do folclore argentino para falar sobre identidade mestiça e pertencimento.

    "Moreno cor de barro que aprendeu a viver com nada e, com um pouco, já tem tudo", diz a letra.

    "Nunca senti que ‘marrom’ precisasse ser um insulto. Quis que todo o universo do disco refletisse isso. O marrom da terra, do metal desgastado, da chapa enferrujada, das coisas que carregam história. Da música à estética, tudo nasce desse mesmo lugar", afirma Milo J.

    Milo J: Mucho! Ciudad Sonora Audio - av. Francisco Matarazzo, 694, Água Branca, região oeste. Dom. (13), às 20h. Ter. (15), às 21h. Ingr.: R$ 600 (mezanino, inteira) em Sympla

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://guia.folha.uol.com.br/shows/2026/09/milo-j-estreia-show-no-brasil-e-defende-identidade-a-argentina-e-marrom.shtml.

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    O argentino Milo J, 19, que faz sua estreia no Brasil - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo

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