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    Milei será o guru de Flávio Bolsonaro no corte das aposentadorias?

    Qual a influência que Javier Milei, presidente da Argentina, exerceria na área previdenciária se Flávio Bolsonaro (PL) ganhar a eleição? Leia mais (10/14/2026 - 10h00)

    Folha de S.Paulo
    14 de outubro de 2026 às 13:00
    Milei será o guru de Flávio Bolsonaro no corte das aposentadorias?
    Dois homens em paletó seguram uma camisa listrada azul e branca da Argentina e uma bandeira do Brasil com a frase 'Ordem e Progresso'. Fundo azul escuro com outras pessoas desfocadas. — Foto: Folha de S.Paulo

    Advogado especialista em Previdência Social, é professor, autor do livro Fraude nos Fundos de Pensão e mestre em Direito Previdenciário pela PUC-SP

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    Milei e Flávio Bolsonaro durante a convenção nacional do PL, em São Paulo - Jean Carniel - 25.jul.26/Reuters · Jean Carniel - 25.jul.26/Reuters
    Milei e Flávio Bolsonaro durante a convenção nacional do PL, em São Paulo - Jean Carniel - 25.jul.26/Reuters · Jean Carniel - 25.jul.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Qual a influência que Javier Milei, presidente da Argentina, exerceria na área previdenciária se Flávio Bolsonaro (PL) ganhar a eleição?

    Algumas evidências apontam que o senador se inspira no modelo econômico do país vizinho. Além da afinidade ideológica, a agenda econômica de Milei pode ser o prenúncio do que a Previdência Social brasileira vivenciará nos próximos anos.

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    Protesto de aposentados contra Javier Milei em Buenos Aires - Agustin Marcarian - 6.ago.25/Reuters · Agustin Marcarian - 6.ago.25/Reuters
    Protesto de aposentados contra Javier Milei em Buenos Aires - Agustin Marcarian - 6.ago.25/Reuters · Agustin Marcarian - 6.ago.25/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Além de idolatrarem Donald Trump , presidente dos Estados Unidos, tanto Milei são de extrema direita e acreditam na agenda de ajuste fiscal rigoroso, na revogação de normas e em reformas previdenciárias. Até os símbolos das campanhas convergem. Flávio se inspirou no projeto liberal do argentino ao prometer um "tesouraço" de R$ 250 bilhões, em referência à "motosserra" de Milei.

    Não é por outra razão que Daniella Marques , coordenadora econômica da campanha de Flávio, disse que a política econômica de Milei é um ótimo exemplo . "Vamos usar de inspiração o que foi feito pelo governo de Javier Milei, na Argentina", disse Daniella durante o evento Esfera Brasil, em setembro. Por isso, há chance de a receita argentina ser copiada.

    Embora Flávio jure que não haverá corte em benefícios sociais e aposentadorias , há falta de clareza em seu plano de governo. Não se sabe o que a tesoura vai cortar. Ele também não diz o que deixará de fazer. Nas vésperas da eleição, o candidato, que já negou sua relação com Daniel Vorcaro, dificilmente teria agora um surto de honestidade para anunciar medidas antipopulares na área previdenciária.

    Protesto de aposentados contra Javier Milei em Buenos Aires
    Protesto de aposentados contra Javier Milei em Buenos Aires — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A desconfiança de que a Previdência Social será bastante alterada é proporcional ao tamanho de suas despesas. A Previdência consome R$ 927 bilhões do Orçamento, e o do Bolsa Família, outros R$ 158 bilhões. Juntos, somam mais de R$ 1 trilhão. Por isso, são as áreas mais cotadas para corte.

    Na dúvida, é bom saber o que Javier Milei implementou na política previdenciária, pois sua motosserra pode ser copiada no tesouraço. Segue abaixo um resumo.

    FMI Com o argumento de que as contas previdenciárias são insustentáveis, o argentino fez cortes drásticos, apoiados pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), que recentemente emprestou US$ 20 bilhões à Argentina.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    REAJUSTE Por meio do Decreto de Emergência 274, de 2024, o governo argentino modificou a lei que rege os reajustes de pensões e de aposentadorias. Milei vetou um projeto aprovado pelo Congresso que concedia reajuste maior.

    BÔNUS PREVIDENCIÁRIO Para amenizar a desvalorização da aposentadoria, na Argentina a maioria dos aposentados recebe um bônus extraordinário para ajudar nas despesas. Esse pagamento também foi congelado. O FMI elogiou a medida.

    EMPOBRECIMENTO Idosos e aposentados são um dos grupos mais afetados pela medida econômica de Milei, pois suas aposentadorias perderam poder aquisitivo. Segundo o Indec (Instituto Nacional de Estatística e Censo da Argentina), o índice de pobreza entre os maiores de 65 anos praticamente dobrou sob Milei, de 17,6% para 29,7%.

    PENTE-FINO Milei determinou auditorias em massa que terminaram suspendendo benefícios por incapacidade e por deficiência. Embora o propósito da iniciativa seja cessar benefícios fraudulentos, a medida acaba também atingindo incapacitados honestos.

    MORATÓRIA PREVIDENCIÁRIA Na Argentina havia a chamada ‘moratória previdenciária’, espécie de regra de transição que permitia que o trabalhador se aposentasse com as regras antigas desde que pagasse contribuições em atraso. Em 2025, Milei encerrou a moratória. As mudanças nas condições de acesso à aposentadoria impediram que milhares de idosos que não atingem os 30 anos de contribuição se aposentassem pelo regime tradicional.

    De acordo com o Cepa (Centro de Economía Política Argentina), o fim da moratória previdenciária significa que 9 em cada 10 mulheres e 8 em cada 10 homens em idade de aposentadoria terão que se contentar com uma Puam (Pensão Universal para Idosos), equivalente a 80% da pensão mínima e sem direito a benefícios de aposentadoria.

    Com essa mudança, o número de argentinos que ingressaram na Previdência caiu de 213,9 mil, no primeiro semestre de 2024, para 99,6 mil no mesmo período de 2026.

    NOVA REFORMA Após fazer uma reforma trabalhista que permite ampliar a jornada de trabalho para até 12 horas sem pagamento de horas extras, Milei pretende impulsionar uma série de outras reformas. Ainda não há definição clara, mas existe um plano de aumentar gradualmente a idade mínima de aposentadoria no país, elevando para 70 anos dos homens (atualmente em 65) e para 65 a das mulheres (hoje em 60).

    DIMINUIÇÃO DA PROTEÇÃO SOCIAL Com a flexibilização das leis trabalhistas, diminuiu a proteção social de quem trabalha. A quebra do vínculo do assalariado gerou o aumento da informalidade e de pessoas sem proteção do sistema previdenciário. Conforme dados da SRT (Superintendência de Riscos do Trabalho), o número de informais argentinos está em 43,3% dos trabalhadores, sobretudo em razão do fechamento de 32.290 empresas.

    CAPITALIZAÇÃO Milei defende o corte de gasto com aposentadorias e pensões, visando um "sistema de capitalização", similar ao sistema de previdência privada. Cada trabalhador deve poupar para a sua própria velhice em contas geridas por empresas privadas, em vez do sistema de repartição simples em que os trabalhadores ativos financiam as aposentadorias atuais. Nesse aspecto, o discurso de Milei se conecta com as ideias de Paulo Guedes , ministro da Economia no governo de Jair Bolsonaro.

    Infelizmente, o verdadeiro alcance do tesouraço prometido por Flávio , caso eleito, é desconhecido do grande público. Com despesa de R$ 1 trilhão, o orçamento da Previdência não deve escapar dos cortes. A tendência é que o modelo argentino sirva de baliza.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/romulo-saraiva/2026/10/milei-sera-o-guru-de-flavio-bolsonaro-no-corte-das-aposentadorias.shtml.

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    Milei e Flávio Bolsonaro durante a convenção nacional do PL, em São Paulo - Jean Carniel - 25.jul.26/Reuters · Jean Carniel - 25.jul.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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