Brasil

    Milei envia ao Congresso projeto de lei para endurecer penas contra exploração de petróleo nas Malvinas

    Javier Milei continua sua cruzada pelas ilhas Malvinas. Nesta quinta-feira (17), o presidente da Argentina enviou ao Congresso um projeto de lei para endurecer punições contra empresas que exploram recursos naturais no território, alvo de disputa com o Reino Unido há quase 200 anos. Leia mais (09/17/2026 - 20h36)

    Folha de S.Paulo
    17 de setembro de 2026 às 23:36
    Milei envia ao Congresso projeto de lei para endurecer penas contra exploração de petróleo nas Malvinas
    Homem de cabelos cacheados e óculos fala em púlpito com microfones. Bandeira da Argentina aparece desfocada ao fundo à esquerda. — Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Javier Milei continua sua cruzada pelas ilhas Malvinas. Nesta quinta-feira (17), o presidente da Argentina enviou ao Congresso um projeto de lei para endurecer punições contra empresas que exploram recursos naturais no território, alvo de disputa com o Reino Unido há quase 200 anos.

    O presidente da Argentina, Javier Milei, discursa em Buenos Aires - Juan Mabromata - 10.ago.2026/AFP · Juan Mabromata - 10.ago.2026/AFP
    O presidente da Argentina, Javier Milei, discursa em Buenos Aires - Juan Mabromata - 10.ago.2026/AFP · Juan Mabromata - 10.ago.2026/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Esta iniciativa é um marco no processo de recuperação das Ilhas Malvinas, Geórgia do Sul e Ilhas Sandwich do Sul, e representa um avanço jurídico sem precedentes na história do nosso país", afirmou o ultraliberal em comunicado.

    "Todos os argentinos, de todas as idades e de todos os cantos da nação, reconhecem as Malvinas como uma causa nacional e a sua recuperação como uma promessa que cada geração herda da anterior."

    A ideia é substituir a lei 26.659, de 2011, que proíbe a exploração de petróleo e gás em águas argentinas sem autorização oficial do país —algo que Londres desconsidera, uma vez que considera o arquipélago parte do seu território.

    Quem são os líderes de direita na América do Sul
    Quem são os líderes de direita na América do Sul — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Já para Buenos Aires, além de ilegal, a extração de recursos naturais das ilhas é um desrespeito à resolução 31/49 da ONU.

    O documento publicado em 1976, seis anos antes da Guerra das Malvinas, pede que os países envolvidos se abstenham de "alterações unilaterais à situação" enquanto a questão da soberania estiver em aberto.

    A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Milei propõe no projeto, por exemplo, aumentar as multas àqueles desenvolvam "qualquer tipo de atividade destinada à exploração de recursos naturais" nas ilhas, além de aumentar penas de prisão aos infratores para até 20 anos —atualmente a pena máxima é de 15 anos.

    Antes mesmo de apresentar o documento, a Casa Rosada havia iniciado, nas últimas duas semanas, procedimentos para sancionar ao menos 60 empresas e empresários que teriam violado a soberania argentina.

    O texto apresentado nesta quinta também prevê a criação de um Sistema de Segurança Nacional chefiado pelo próprio presidente para, nas palavras do documento, "fornecer ao Estado um quadro institucional permanente que articule e coordene as funções estatais em matéria diplomática, econômica, cibernética, de defesa, jurídica e de inteligência nacional, bem como aquelas relacionadas à proteção de infraestruturas críticas e soberania nacional".

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na nota, Milei pede que os congresistas suspendam outras discussões para dar "prioridade máxima e celeridade à análise do projeto de lei". "Não podemos permitir que aqueles que usurpam nosso território se deem ao luxo de não trabalharem juntos pela recuperação de nossas Ilhas Malvinas, que são e sempre serão argentinas", concluiu.

    O apelo não convenceu todos os legisladores. A oposição, que antes criticava o ultraliberal por não se engajar na causa das ilhas, agora o acusa de usar a questão para fins eleitorais e para acumular poderes.

    "Uma causa nobre e sincera usada para concentrar poder", afirmou na rede social X o deputado Esteban Paulon. "O projeto Malvinas representa um risco para a democracia", continuou, citando o que vê como ameaça: envolvimento das Forças Armadas em questões de segurança interna e diminuição do papel do Congresso, por exemplo.

    Já o deputado Luis Petri, correligionário de Milei, afirmou que o Sistema de Segurança Nacional existirá para que o Estado "aja como um só".

    "Por décadas, a causa das Malvinas ficou paralisada por conselhos consultivos e discursos na ONU enquanto as companhias petrolíferas avançavam em nossas águas. Isso acaba agora", afirmou.

    Além de questões legislativas, a contenda tem motivado também gastos militares. De acordo com o Orçamento de 2027, ainda não aprovado, o governo Milei pretende destinar US$ 350 milhões (R$ 1,8 bilhão) para a construção de uma base naval no sul do país —uma promessa feita durante um comunicado em rede nacional no começo de setembro.

    O incentivador para o pronunciamento oficial e a mudança de rota na diplomacia internacional, há duas semanas, foi um dos principais aliados de Milei, Donald Trump. Dias antes, o presidente americano havia dito não descartar uma revisão da neutralidade que Washington adota em relação à soberania do arquipélago.

    Nesta quarta (16), em entrevista a um canal de streaming, Milei criticou analistas que vinculam a sua repentina adesão à causa das Malvinas a uma estratégia eleitoral.

    "Isso é uma estupidez maiúscula, porque significa que eles nem sequer verificam os fatos, nem sabem como surgiu a decisão de fazer o pronunciamento em cadeia nacional", afirmou.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    De 2ª a 6ª pela manhã, receba o boletim gratuito com notícias e análises de economia

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/milei-envia-ao-congresso-projeto-de-lei-para-endurecer-penas-contra-exploracao-de-petroleo-nas-malvinas.shtml.

    Imagem 1
    1 / 4

    O presidente da Argentina, Javier Milei, discursa em Buenos Aires - Juan Mabromata - 10.ago.2026/AFP · Juan Mabromata - 10.ago.2026/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)