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    Milei apela às Malvinas em busca de popularidade

    Sob baixa aprovação popular, Javier Milei apelou à soberania da Argentina sobre as ilhas Malvinas em pronunciamento à nação no início deste mês. Historicamente, o discurso de união da cidadania em torno dessa causa patriótica reflete o desgaste do governo de turno. Leia mais (09/11/2026 - 17h09)

    Folha de S.Paulo
    11 de setembro de 2026 às 20:09
    Milei apela às Malvinas em busca de popularidade
    Homem de cabelos cacheados e óculos fala em púlpito com microfones. Bandeira da Argentina aparece desfocada ao fundo à esquerda. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Javier Milei, presidente da Argentina - Juan Mabromata - 20.ago.26/AFP · Juan Mabromata - 20.ago.26/AFP
    Javier Milei, presidente da Argentina - Juan Mabromata - 20.ago.26/AFP · Juan Mabromata - 20.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Sob baixa aprovação popular, Javier Milei apelou à soberania da Argentina sobre as ilhas Malvinas em pronunciamento à nação no início deste mês. Historicamente, o discurso de união da cidadania em torno dessa causa patriótica reflete o desgaste do governo de turno.

    Assim foi em 1982, quando a ditadura tentou recuperar o arquipélago, em posse do Reino Unido desde 1833, como meio de contornar o seu ocaso. Os resultados foram uma humilhante rendição e a responsabilidade primária do regime pelas mortes de 649 argentinos e 255 britânicos. Também houve consequências positivas: a Guerra das Malvinas precipitou a debacle da junta militar e o início da redemocratização.

    Por certo, há enorme distância entre a investida de Milei num tema sensível do imaginário argentino e o insensato ataque castrense contra uma potência nuclear associada à Otan . Por mais estridente e imprevisível que seja, o ultradireitista não chegou ao delírio de um aceno ao extremismo.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Milei questionou a legitimidade da posse britânica —o que pode ser tratado por meio de negociações. Mais grave foi a sinalização de recusa ao direito dos habitantes do arquipélago à autodeterminação. Em consulta de 2013, 99,8% deles escolheram manter as ilhas como território ultramarino do Reino Unido, que as chama de Falklands.

    De concreto, nos dias que se seguiram ao pronunciamento de Milei, seu governo iniciou procedimentos sancionatórios contra cerca de 60 empresas e pessoas físicas com negócios no local; cinco companhias petroleiras foram denunciadas na Justiça. Entretanto, nas entrelinhas, sua retórica e ações sugerem um jogo combinado com a Casa Branca.

    Em abril, documento interno do Pentágono já aventara rever a neutralidade formal dos EUA sobre as Malvinas —que, na prática, favorece a posição britânica— como forma de pressionar Londres. No final de agosto, Trump voltou a sugerir tal revisão , em meio à cobrança para que o Reino Unido eleve seus gastos militares.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ao retomar o tema, o líder argentino ecoa o objetivo de seu aliado e tenta reverter sua notória impopularidade. Pesquisa da AtlasIntel de agosto constatou desaprovação de 58%, patamar elevado para um governante que almeja a reeleição em 2027.

    Não deixa de ser embaraçosa a estratégia de Milei. Seu pacote de estabilização e de liberalização da economia proporcionou resultados efetivos, mas houve custos políticos que nada tinham de imprevisíveis. O apelo tardio a uma cartada nacionalista decerto soa pouco convincente.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/milei-recorre-as-malvinas-para-conter-impopularidade.shtml.

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    Javier Milei, presidente da Argentina - Juan Mabromata - 20.ago.26/AFP · Juan Mabromata - 20.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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