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    Milei adota postura de confronto sobre Ilhas Malvinas, avalia professora

    Carolina Pedroso, professora da UNIFESP, analisa decreto do presidente argentino contra empresas que exploram petróleo nas Malvinas sem aval de Buenos Aires

    CNN Brasil
    5 de setembro de 2026 às 17:00
    Milei adota postura de confronto sobre Ilhas Malvinas, avalia professora
    Foto: CNN Brasil

    Javier Milei anunciou que assinará um decreto para acelerar sanções contra empresas envolvidas na exploração de petróleo nas Ilhas Malvinas sem a aprovação de Buenos Aires. A medida aumenta a pressão sobre um consórcio formado pela empresa israelense Navitas Petroleum, com 65% de participação, e pela britânica Rockhopper, com 35%. A reserva é estimada em cerca de 1,7 bilhão de barris de petróleo e deve começar a ser produzida em 2028.

    A Argentina já havia proibido as duas empresas de operar no país por 20 anos. Agora, Milei sinaliza a ampliação dessas sanções. A professora de Relações Internacionais da UNIFESP, Carolina Pedroso, avalia que a postura adotada pelo líder argentino tem motivações predominantemente políticas e internas.

    Carolina Pedroso observa que Milei fez um pronunciamento à nação na quinta-feira (3), convocando os argentinos a se unirem em torno da defesa das Malvinas . Para a professora, trata-se de um expediente político claro.

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    “É claramente um expediente político, o mesmo que foi usado na ditadura”, afirmou. Ela lembra que a tentativa de tomada das ilhas em 1982 ocorreu quando a ditadura argentina estava enfraquecida, como forma de unir os argentinos em torno do regime, e acabou precipitando o fim da ditadura após uma derrota considerada humilhante.

    A professora aponta ainda o calendário eleitoral como fator determinante. Há eleições previstas para outubro do ano que vem, que renovarão metade da Câmara e um terço do Senado, além de Milei ser considerado candidato quase certo à reeleição.

    “Ele tenta de novo essa cartada nacionalista”, avaliou Carolina Pedroso. Segundo ela, a questão das Malvinas é um dos poucos pontos de convergência entre Milei e o kirchnerismo, o que representa uma aproximação de estratégia com seus adversários políticos.

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    O que mudou no setor petrolífero da Venezuela desde a queda de Maduro — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A análise é reforçada por avaliações publicadas pela revista britânica The Economist , que apontam que Milei vinha sendo criticado pela direita por não adotar um discurso mais duro em relação às Malvinas.

    Segundo essa leitura, a mudança de tom seria motivada pela queda de popularidade interna, agravada por baixo crescimento, emprego formal fraco, custo de vida elevado e denúncias de corrupção.

    A avaliação é de que o endurecimento do discurso deve permanecer no campo diplomático, sem qualquer tipo de intervenção militar, pois uma eventual incursão poderia prejudicar a Argentina em acordos comerciais com Londres, compra de armamentos com componentes britânicos e relações com o FMI.

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    Carolina Pedroso concorda com essa leitura e destaca que a questão das Malvinas gera profunda comoção nacional na Argentina. Ela cita como exemplo o fato de jogadores da seleção argentina, que evitaram temas políticos durante torneios, terem exibido faixas reivindicando a soberania sobre as ilhas.

    “Eu diria que é uma forma realmente do Milei tentar se blindar das críticas e das dificuldades que ele tem enfrentado para o próximo ciclo eleitoral”, concluiu a professora.

    No cenário internacional, a professora separou a questão das tarifas comerciais da dimensão geopolítica. Ela destacou que declarações de Donald Trump sobre não ajudar o Reino Unido na questão das Malvinas foram feitas em um contexto de ressentimento, após aliados da Otan, incluindo o Reino Unido, não apoiarem os Estados Unidos em uma guerra de escolha não consultada à aliança.

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    Acordo para EUA controlar petróleo da Venezuela traz preocupações ao setor — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    “Foi mais uma observação, mais a expressão de um certo ressentimento”, avaliou Carolina Pedroso.

    A professora também ressaltou a dimensão do interesse americano sobre o hemisfério ocidental, apontando que a existência de um território pertencente a um país europeu seria um obstáculo ao projeto de maior controle dos Estados Unidos sobre as Américas, especialmente no contexto da exploração de petróleo. Ela observou ainda uma contradição no posicionamento de Milei: apesar de sua grande simpatia por Israel, o líder argentino adota sanções contra um consórcio que inclui uma empresa israelense, o que, segundo ela, deixa claro que, “acima de tudo, vem o interesse político”.

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    O que mudou no setor petrolífero da Venezuela desde a queda de Maduro — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
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    Presidente interina da Venezuela aprova reforma de lei petrolífera do país — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/milei-adota-postura-de-confronto-sobre-ilhas-malvinas-avalia-professora/.

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