Brasil

    MG: esposa de pastor pede vínculo trabalhista com igreja; Justiça nega

    Mulher alegou que exercia atividades permanentes na igreja; Tribunal entendeu que atuação era motivada pela fé e pelo trabalho do marido

    Metrópoles
    14 de agosto de 2026 às 10:56
    MG: esposa de pastor pede vínculo trabalhista com igreja; Justiça nega
    Foto: Metrópoles

    Belo Horizonte — A Justiça do Trabalho negou o reconhecimento de vínculo empregatício entre a Igreja do Evangelho Quadrangular e a esposa de um pastor evangélico que atuava em Itajubá, no Sul de Minas . Para o Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG), as atividades desempenhadas pela mulher estavam ligadas à convicção religiosa e ao trabalho ministerial do marido , e não a uma relação de emprego.

    A decisão foi tomada por unanimidade pela 10ª Turma do TRT-MG, que manteve sentença da Vara do Trabalho de Itajubá. O processo já foi arquivado definitivamente e não cabe mais recurso.

    A mulher procurou a Justiça alegando que passou a exercer atividades permanentes na igreja depois que o marido assumiu funções pastorais. Segundo ela, estavam presentes requisitos de uma relação de emprego, como pessoalidade, subordinação e habitualidade.

    Reprodução/Freepik
    Reprodução/Freepik — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A autora também argumentou que, embora não recebesse salário diretamente da igreja, a manutenção financeira da família estava ligada ao trabalho realizado pelo casal na congregação. Durante o processo, porém, ela afirmou que começou a atuar na instituição para acompanhar o marido e em razão das exigências relacionadas ao papel de esposa de pastor . Em audiência, confirmou ainda que nunca recebeu salário ou outra contraprestação financeira diretamente da igreja e que os valores eram destinados ao marido.

    Relator do caso, o desembargador Ricardo Antônio Mohallem destacou que o reconhecimento de um contrato de trabalho depende da forma como os serviços são efetivamente prestados, independentemente dos aspectos formais da relação.

    No caso analisado, porém, o colegiado entendeu que as provas demonstraram que a mulher exercia atividades relacionadas ao ministério religioso e à assistência espiritual, colaborando com o trabalho pastoral do marido.

    MG: esposa de pastor pede vínculo trabalhista com igreja; Justiça nega
    MG: esposa de pastor pede vínculo trabalhista com igreja; Justiça nega — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Para o desembargador, o caráter voluntário da atuação afasta a subordinação jurídica necessária para a existência de vínculo empregatício.

    “Não se reverencia a Igreja como empregadora, mas como congregação religiosa. O trabalho votivo, voluntário, afasta a subordinação jurídica, sobreposta pela de ordem moral”, afirmou o relator. A decisão também considerou que eventual ajuda financeira destinada ao pastor e à família não tinha natureza salarial, mas caráter assistencial para viabilizar a atividade missionária.

    Segundo o acórdão, relações dessa natureza são motivadas por fatores espirituais e vocacionais e não se enquadram na lógica de um contrato trabalhista.

    O entendimento levou em consideração ainda precedente do próprio TRT-MG segundo o qual atividades religiosas destinadas à assistência espiritual e à propagação da fé, quando exercidas por motivação religiosa, não configuram relação de emprego.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/minas-gerais/mg-esposa-de-pastor-pede-vinculo-trabalhista-com-igreja-justica-nega.

    Imagem 1
    1 / 2

    Reprodução/Freepik — Foto: Metrópoles

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)