Método construtivo sem vigas e pilares, como de prédio que caiu em SP, é seguro, mas exige cuidado técnico
Questionamentos sobre a falta de colunas, pilares, vigas e afins se espalharam em redes sociais a respeito do prédio que colapsou no distrito Penha no sábado (12), na zona leste de São Paulo . Seis pessoas morreram e duas ficaram feridas. Leia mais (09/18/2026 - 07h00)

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Questionamentos sobre a falta de colunas, pilares, vigas e afins se espalharam em redes sociais a respeito do prédio que colapsou no distrito Penha no sábado (12), na zona leste de São Paulo . Seis pessoas morreram e duas ficaram feridas.

Essa característica é típica de construções de alvenaria estrutural, em que as paredes são fundamentais para a sustentação do edifício.
Especialistas destacam que esse método construtivo é comum, consolidado e seguro se realizado adequadamente. Não permite improvisos, contudo, como perfurações imprevistas e utilização de blocos que não suportam o peso necessário.
A identificação da causa do desabamento dependerá de perícia, considerando projeto, execução da obra, material empregado e situação das fundações. Essa apuração pode se prolongar por meses.

Na quarta-feira (16), o prefeito Ricardo Nunes ( MDB ) afirmou que a construtora New Home tinha ciência de problemas estruturais e que, em maio, teria orçado medidas de reforço. A intervenção não ocorreu pelos custos orçados, segundo ele.
Em nota, a defesa do engenheiro Ronaldo dos Santos Vivaqua, apontado como sócio oculto da construtora, repudiou "informações descontextualizadas" divulgadas por autoridades. Disse que se manifestará após a conclusão do trabalho técnico e o acesso à íntegra da investigação.
Além disso, destacou que teria ocorrido grande e recente movimentação de terra em terreno vizinho. "A defesa espera que os órgãos técnicos conduzam com imparcialidade a apuração", completou. Vivaqua segue preso.

O advogado que se apresentava em nome da empresa respondeu à reportagem que agora representa apenas Cristiano Salgado Vivaqua, engenheiro responsável pela obra e filho de Ronaldo. Ele não respondeu sobre o tema ao ser procurado por mensagem na quarta-feira e na quinta-feira (17).
Cristiano está foragido, assim como a sócia-administradora, Isis de Freitas Rodrigues Brandão. A reportagem não identificou representação formal da New Home.
A polícia também investiga eventual responsabilidade da servidora Viviane Rodrigues de Palma, cujo relatório de visita à obra resultou na extinção de ação demolitória movida pela prefeitura .

O chamado residencial Tequici era de alvenaria estrutural, em que são utilizados blocos que suportam maior peso do que um tijolo comum.
Nesse tipo de construção, geralmente não há vigas ou pilares. Quanto mais alto o prédio, mais resistentes os blocos dos primeiros pavimentos precisam ser. A argamassa, as fundações e preenchimentos pontuais com cimento também auxiliam na estabilidade.
Entre engenheiros, fala-se que esse tipo de alvenaria não dá margem para improviso. Isto é, em geral, não se pode derrubar paredes internas ou fazer perfurações significativas não previstas no projeto, que deve calcular previamente onde serão os poços para a passagem da rede elétrica e hidráulica.

É um método construtivo difundido no Brasil especialmente desde os anos 1990, utilizado para prédios de até 30 andares. Em São Paulo , é aplicado por algumas das principais empresas do mercado imobiliário .
Imagens recentes, de 2021 a 2024, compartilhadas na internet e captadas pelo Google Street View de pontos de vista externos do Tequici mostram supostas inadequações na distribuição dos blocos de concreto, trincas e furos em paredes de sustentação, entre outras intervenções incomuns em construções desse tipo.
Engenheiro civil e perito, Alexandre Fontolan percebeu indícios de eventuais inconformidades e intervenções estranhas para esse tipo de construção. Ele destaca, contudo, que se trata de uma análise superficial, visto que a identificação de causas depende de perícia.

"É um sistema confiável, mas necessita de procedimentos específicos. Não tem lugar de improviso na obra quando estou falando de alvenaria estrutural", afirmou. "Geralmente, em casos de ruptura, de colapso, existem vários fatores, em que um deles é o gatilho que desencadeia, como se fosse um dominó."
No caso do residencial Tequici, por exemplo, os especialistas destacam que havia potencial problema na distribuição dos blocos, sem que ocorresse a chamada "amarração". Isto é, as juntas entre os blocos (veja imagem acima) estavam verticalmente alinhadas, enquanto geralmente devem estar intercaladas.
Além disso, o engenheiro percebeu furos em parte das paredes (provavelmente feitos para instalação da bandeja de proteção). "Não que seja impossível fazer alguma abertura, mas tem que ser projetada e verificada. O jeito que estava lá, me parece um pouco não usual", explicou.

Diretora técnica da unidade de negócios de Habitação e Edificações do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo), Luciana Oliveira explicou que a alvenaria estrutural é utilizada pelo custo menor, pela obra mais rápida e por outras facilidades. É consolidada no setor e segura quando corretamente executada.
"Pessoas que moram em prédios com esse método construtivo não precisam ficar preocupadas", reforçou. "O prédio não caiu porque era de alvenaria estrutural. Deve ser por falhas no projeto, na obra, no controle de qualidade."
Nos casos dos prédios-caixão da Grande Recife, por exemplo, constatou-se a utilização de tijolos inadequados para a alvenaria estrutural. Em 2023, desabamento deixou 14 mortos na região .

Oliveira explicou que geralmente há sinais de problemas, como trincas, deformações e estalos. Ponderou, por outro lado, que uma eventual ruptura na fundação ocorre de forma mais inesperada, por ser subterrânea.
Perito e coordenador da Câmara Técnica de Estruturas e Patologia das Construções do Instituto de Engenharia do Paraná, Aurélio Franceschi defende que esse tipo de ocorrência deve ter uma avaliação aprofundada e conduzida por corpo técnico, como é feito em acidentes aéreos.
Ele apontou que, embora a alvenaria estrutural seja antiga, utiliza tecnologia que também tem avançado, o que explica a difusão crescente no mercado imobiliário. "Prédios mais altos precisam de materiais de qualidade específica, com processos de cálculo mais sofisticados, e o mercado acompanhou essa evolução."
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/metodo-construtivo-sem-vigas-e-pilares-como-de-predio-que-caiu-em-sp-e-seguro-mas-exige-cuidado-tecnico.shtml.

Prédio em construção desabou no distrito Penha, atingindo residência vizinha - Allison Sales - 12.set.2026/Folhapress · Allison Sales - 12.set.2026/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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