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    Metade dos adolescentes brasileiros passa mais tempo online do que gostaria, diz pesquisa

    Levantamento mostra também que 71% gostariam que a internet fosse melhor no futuro, mas só 19% se sentem capazes de melhorá-la

    UOL
    12 de agosto de 2026 às 04:00
    Metade dos adolescentes brasileiros passa mais tempo online do que gostaria, diz pesquisa
    A imagem mostra uma mão segurando um celular com uma capa roxa. O fundo apresenta uma estrutura de metal laranja e uma parede com grafite colorido. A tela do celular está refletindo a luz, tornando difícil ver o que está na tela. — Foto: UOL

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    Metade dos adolescentes brasileiros passa mais tempo online do que gostaria. A maioria (71%) acha que a internet precisa mudar, se tornar melhor, mas só uma pequena parte (19%) se sente capaz de fazer algo para que essa mudança aconteça. E 9% acham que seria melhor que a internet deixasse de existir .

    Estudante de 16 anos, na Escola Estadual Gavião Peixoto, em Perus, São Paulo, no primeiro dia de proibição do uso de celulares no ambiente escolas, no início de 2025 - Zanone Fraissat/Folhapress · Zanone Fraissat/Folhapress
    Estudante de 16 anos, na Escola Estadual Gavião Peixoto, em Perus, São Paulo, no primeiro dia de proibição do uso de celulares no ambiente escolas, no início de 2025 - Zanone Fraissat/Folhapress · Zanone Fraissat/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Os dados fazem parte da pesquisa Adolescência Sem Filtro, divulgada nesta quarta-feira (12), Dia Internacional da Juventude.

    O estudo analisa hábitos online de jovens de todas as regiões do Brasil, de 13 a 17 anos, além de suas percepções e reflexões sobre o universo digital.

    Foi realizado pelo Instituto Alana, de defesa da infância e adolescência, em parceria com a agência Koga, que investiga comportamentos, e entrevistou 505 meninos e meninas, entre 15 e 25 de junho, com uma amostra representativa da população brasileira nessa faixa etária. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro, de 4,39%.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Em uma fase inicial, oito adolescentes passaram por treinamento para atuar como pesquisadores e entrevistar um grupo de 128 participantes. A ideia, de acordo com os responsáveis pelo estudo, foi proporcionar uma conversa direta entre os adolescentes, sem adultos como intermediários. Com base nessas entrevistas, foram definidas as questões feitas na pesquisa quantitativa.

    Os resultados apontam para uma juventude que considera sua relação com o universo digital longe do ideal. Praticamente a mesma proporção dos que passam mais tempo online do que gostariam (50%) acha que sua criatividade diminuiu em razão do uso da internet (49%).

    Gira em torno dos 40% o número dos que se sentem mais dependentes do celular e da internet do que se sentiam há dois anos, acham que perderam a qualidade do sono e tempo de estudo e têm medo de golpes ou fraudes.

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    O tempo diário de uso da internet é elevado, passando de 3 horas para quase 80% dos adolescentes, sendo que mais de 22% estão online de 5 a 6 horas, quase 11% de 7 a 8, e 15% ultrapassam 8 horas.

    As sensações durante o uso variam entre positivas e negativas. A diversão é sentida muitas vezes ou sempre por 71%, e a felicidade, por 63%; já o cansaço, por 27%, a raiva, 23%, e a ansiedade, 22%.

    O levantamento mostrou que há uma parcela que desenvolve estratégias para tentar se relacionar de forma mais saudável com o ambiente digital. Os adolescentes bloqueiam contas ou conteúdos (44%), denunciam perfis e conteúdos inadequados (37%), fazem pausas (32%), desinstalam aplicativos (26%) e limitam o tempo de tela (24%). Apenas 12% não fazem nada.

    Também há uma percepção de melhora da relação com a internet nos últimos dois anos. Nesse período houve no Brasil a aprovação do ECA Digital (lei de proteção a crianças e adolescentes no ambiente online) e a proibição ao uso de celulares por estudantes no ambiente escolar, em meio a uma ampliação dos debates em torno desses temas, inclusive nas escolas .

    Dentre os adolescentes, 66% acham que sua relação com a internet melhorou nos últimos dois anos, 25%, que permaneceu igual, e 9% que piorou; mais da metade (57%) diz acreditar ter mais controle atualmente sobre o tempo de uso de internet e 53% valorizam mais os momentos presenciais e offline.

    "A pesquisa mostra que os adolescentes têm muita clareza das coisas que fazem bem e que fazem mal para eles na internet", diz Gabriela Barbosa, especialista em planejamento estratégico de comunicação do Alana.

    Para ela, isso reforça que os jovens precisam participar mais do debate sobre a internet. "O desejo de mudança dos adolescentes anda lado a lado com uma sensação de impotência", disse Gabriela, em relação à disparidade entre o número dos jovens que acham que a internet deve mudar (71%) e a dos que acreditam que podem fazer algo para isso (19%).

    "Para reduzir essa sensação de impotência, é necessário que eles estejam envolvidos nas decisões, nas definições de regras, inclusive construindo tudo isso junto aos pais."

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/metade-dos-adolescentes-brasileiros-passa-mais-tempo-online-do-que-gostaria-diz-pesquisa.shtml.

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    Estudante de 16 anos, na Escola Estadual Gavião Peixoto, em Perus, São Paulo, no primeiro dia de proibição do uso de celulares no ambiente escolas, no início de 2025 - Zanone Fraissat/Folhapress · Zanone Fraissat/Folhapress — Foto: UOL

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