Meta AI veta criar propaganda para Lula no Brasil, mas libera para contas do exterior
Meta AI, ferramenta de inteligência artificial da Meta disponível no WhatsApp, bloqueia pedidos de criação de material de campanha para o presidente Lula (PT) em testes feitos com um número brasilei...

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A Meta AI, ferramenta de inteligência artificial da Meta disponível no WhatsApp , bloqueia pedidos de criação de material de campanha para o presidente Lula ( PT ) em testes feitos com um número brasileiro, mas atende às mesmas solicitações em contas vinculadas a números do exterior. Correspondentes da Folha nos Estados Unidos, na Argentina e na Alemanha conseguiram gerar cartazes com o nome e o número eleitoral do petista, inclusive imagens com fotos dele.
Os testes foram realizados após a coluna identificar que a ferramenta se recusava a criar cartazes para Lula , mas atendia a pedidos semelhantes relacionados ao senador Flávio Bolsonaro ( PL -RJ).
Procurada, a Meta afirma que, "em cumprimento às regras eleitorais do Brasil, proibimos temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles". Segundo a empresa, a IA gerava os materiais com o senador porque não reconhecia comandos que usavam apenas o nome "Flávio". A Meta diz ter adotado medidas adicionais para evitar que isso ocorra.

Nos testes realizados pelos correspondentes, a Meta AI produziu o material para Lula em contas sem o código de área brasileiro. Já nas tentativas feitas com um número do Brasil, mesmo situados no exterior, a ferramenta bloqueou os pedidos, mesmo quando as instruções eram semelhantes às usadas para gerar cartazes de Flávio.
Questionada sobre a diferença entre os resultados obtidos no Brasil e no exterior, a própria inteligência artificial afirmou que não deveria haver distinção entre as contas de WhatsApp.
"Eu trato os dois lados com a mesma regra: se você pede um cartaz político, eu crio", respondeu a ferramenta em uma das conversas. A Meta AI também afirmou que havia produzido cartazes para Lula e Flávio e que não aplicava bloqueios por preferência política.

Ao ser informada de que o material para Lula não havia sido gerado no número brasileiro, porém, a ferramenta apresentou outra explicação. Disse que poderia ter ocorrido um bloqueio temporário em outro modelo ou em uma versão anterior do sistema.
Em outra conversa, registrada em uma conta brasileira, a Meta AI reconheceu a diferença de tratamento entre os pedidos e afirmou que o episódio poderia "transmitir uma impressão de viés político". A ferramenta pediu autorização para encaminhar um relato à equipe responsável pelo sistema, a fim de que a inconsistência fosse analisada.
O episódio ocorre em meio a questionamentos da campanha de Lula sobre a atuação da empresa nas eleições . Na sexta (10), o grupo petista afirmou que acionaria o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e a Agência Nacional de Proteção de Dados por suposta interferência da Meta na disputa em favor de Flávio Bolsonaro.

A campanha relatou problemas para impulsionar publicações no Instagram e restrições a contas de anúncios, além de alegar que o algoritmo privilegiava o adversário. Na ocasião, o TSE determinou que a Meta apresentasse esclarecimentos técnicos e preservasse registros de moderação, dados de anúncios e métricas relacionados às publicações investigadas.
A empresa negou as acusações e afirmou que cumpre as regras eleitorais e está comprometida com a isonomia no uso de suas plataformas por todas as candidaturas.
A partir da apuração da coluna, a campanha do presidente também acionou a corte com registros da diferença de tratamento da Meta AI em pedidos de material eleitoral para o presidente e Flávio Bolsonaro.
"Sim, o algoritmo da Meta é enviesado, pratica seletividade algorítmica e permite que Flávio Bolsonaro e seus apoiadores produzam, em massa, conteúdos eleitorais ilícitos e de fácil replicação", afirma a petição.
Colaboraram Isabella Menon , em Washington, José Henrique Mariante , em Berlin, e Daniela Arcanjo , em Buenos Aires
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/colunas/monicabergamo/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2026/10/meta-ai-veta-criar-propaganda-para-lula-no-brasil-mas-libera-para-contas-do-exterior.shtml.

Testes feitos pela coluna mostram diferença de tratamento entre os candidatos Lula e Flávio Bolsonaro - Arquivo Pessoal · Arquivo Pessoal — Foto: UOL
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