Meta AI veta criar propaganda para Lula no Brasil, mas libera para contas do exterior
A Meta AI, ferramenta de inteligência artificial da Meta disponível no WhatsApp , bloqueia pedidos de criação de material de campanha para o presidente Lula ( PT ) em testes feitos com um número brasileiro, mas atende às mesmas solicitações em contas vinculadas a números do exterior. Correspondentes da Folha nos Estados Unidos, na Argentina e na Alemanha conseguiram gerar cartazes com o nome e o número eleitoral do petista, inclusive imagens com fotos dele. Leia mais (10/14/2026 - 12h44)

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A Meta AI, ferramenta de inteligência artificial da Meta disponível no WhatsApp , bloqueia pedidos de criação de material de campanha para o presidente Lula ( PT ) em testes feitos com um número brasileiro, mas atende às mesmas solicitações em contas vinculadas a números do exterior. Correspondentes da Folha nos Estados Unidos, na Argentina e na Alemanha conseguiram gerar cartazes com o nome e o número eleitoral do petista, inclusive imagens com fotos dele.
Os testes foram realizados após a coluna identificar que a ferramenta se recusava a criar cartazes para Lula , mas atendia a pedidos semelhantes relacionados ao senador Flávio Bolsonaro ( PL -RJ).
Procurada, a Meta afirma que, "em cumprimento às regras eleitorais do Brasil, proibimos temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles". Segundo a empresa, a IA gerava os materiais com o senador porque não reconhecia comandos que usavam apenas o nome "Flávio". A Meta diz ter adotado medidas adicionais para evitar que isso ocorra.

Nos testes realizados pelos correspondentes, a Meta AI produziu o material para Lula em contas sem o código de área brasileiro. Já nas tentativas feitas com um número do Brasil, mesmo situados no exterior, a ferramenta bloqueou os pedidos, mesmo quando as instruções eram semelhantes às usadas para gerar cartazes de Flávio.
Questionada sobre a diferença entre os resultados obtidos no Brasil e no exterior, a própria inteligência artificial afirmou que não deveria haver distinção entre as contas de WhatsApp.
"Eu trato os dois lados com a mesma regra: se você pede um cartaz político, eu crio", respondeu a ferramenta em uma das conversas. A Meta AI também afirmou que havia produzido cartazes para Lula e Flávio e que não aplicava bloqueios por preferência política.

Ao ser informada de que o material para Lula não havia sido gerado no número brasileiro, porém, a ferramenta apresentou outra explicação. Disse que poderia ter ocorrido um bloqueio temporário em outro modelo ou em uma versão anterior do sistema.
Em outra conversa, registrada em uma conta brasileira, a Meta AI reconheceu a diferença de tratamento entre os pedidos e afirmou que o episódio poderia "transmitir uma impressão de viés político". A ferramenta pediu autorização para encaminhar um relato à equipe responsável pelo sistema, a fim de que a inconsistência fosse analisada.
O episódio ocorre em meio a questionamentos da campanha de Lula sobre a atuação da empresa nas eleições . Na sexta (10), o grupo petista afirmou que acionaria o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e a Agência Nacional de Proteção de Dados por suposta interferência da Meta na disputa em favor de Flávio Bolsonaro.

A campanha relatou problemas para impulsionar publicações no Instagram e restrições a contas de anúncios, além de alegar que o algoritmo privilegiava o adversário. Na ocasião, o TSE determinou que a Meta apresentasse esclarecimentos técnicos e preservasse registros de moderação, dados de anúncios e métricas relacionados às publicações investigadas.
A empresa negou as acusações e afirmou que cumpre as regras eleitorais e está comprometida com a isonomia no uso de suas plataformas por todas as candidaturas.
A partir da apuração da coluna, a campanha do presidente também acionou a corte com registros da diferença de tratamento da Meta AI em pedidos de material eleitoral para o presidente e Flávio Bolsonaro.
"Sim, o algoritmo da Meta é enviesado, pratica seletividade algorítmica e permite que Flávio Bolsonaro e seus apoiadores produzam, em massa, conteúdos eleitorais ilícitos e de fácil replicação", afirma a petição.
Colaboraram Isabella Menon , em Washington, José Henrique Mariante , em Berlin, e Daniela Arcanjo , em Buenos Aires
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2026/10/meta-ai-veta-criar-propaganda-para-lula-no-brasil-mas-libera-para-contas-do-exterior.shtml.

Testes feitos pela coluna mostram diferença de tratamento entre os candidatos Lula e Flávio Bolsonaro - Arquivo Pessoal · Arquivo Pessoal — Foto: Folha de S.Paulo
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