Mesmo preso, servidor que filmou mulheres recebeu salários e gratificações
Pablo Silva Santiago foi solto após STJ deferir pedido de habeas corpus do réu, que estava preso desde maio do ano passado

O servidor público federal Pablo Silva Santiago, preso desde maio do ano passado por filmar mulheres nuas em troca de vídeos de necrofilia , continuou a receber a remuneração do cargo em que estava lotado no Ministério da Cultura enquanto esteve preso .
Segundo dados do Portal de Transparência do Governo Federal, somente neste ano, Pablo recebeu cerca de R$ 34,7 mil até o mês de junho , quando os vencimentos atingiram R$ 7,7 mil com a gratificação natalina. Não há, no entanto, informações públicas disponíveis sobre a remuneração do servidor de maio – quando ele foi preso – a dezembro de 2025.
À época dos crimes, Pablo Santiago era servidor do Ministério da Cultura e conhecido na cidade por ser um agitador cultural. Após as denúncias contra ele virem à tona, o Ministério da Cultura afirma que abriu um procedimento apuratório e chegou a afastar o servidor. O Metrópoles procurou o órgão para atualizar sobre a situação dele junto ao órgão, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto para possíveis manifestações.

No início deste mês, o réu teve o pedido de habeas corpus deferido pelo Superior Tribunal da Justiça (STJ) . Na decisão, o ministro Reynaldo Soares da Fonseca revogou a prisão preventiva do investigado, mas determinou a aplicação de medidas cautelares, incluindo acompanhamento psiquiátrico e psicológico e proibição de aproximação das vítimas .
Segundo o ministro, a manutenção da prisão se tornou desproporcional diante do tempo de encarceramento e da pena prevista para o crime , estabelecida em um ano. Para o relator, a pena prevista para o crime já foi cumprida, mesmo em prisão preventiva.
“Ao paciente foi imputada conduta cuja pena máxima é de 1 ano, de modo que, mesmo se considerando o patamar máximo de aumento decorrente da continuidade delitiva (2/3), o teto sancionatório não ultrapassa 1 ano e 8 meses, não se admitindo, ademais, a fixação de regime fechado para o tipo penal em questão”, ponderou na decisão. Pablo responde pelo crime de registro não autorizado da intimidade sexual, em contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher.

A defesa de Pablo não foi localizada e o espaço segue aberto para eventuais manifestações.

Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/distrito-federal/mesmo-preso-servidor-que-filmou-mulheres-recebeu-salarios-e-gratificacoes.

Reprodução — Foto: Metrópoles
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