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    Merz reafirma intenção de ficar à frente do governo na Alemanha

    SPD, parceiro de coalizão, mantém apoio a primeiro-ministro, mas quer repensar reformas

    UOL
    21 de setembro de 2026 às 17:00
    Merz reafirma intenção de ficar à frente do governo na Alemanha
    Homem de terno azul escuro e óculos caminha de costas para o púlpito azul com microfones e logo CDU em fundo azul claro. Ambiente parece ser evento político. — Foto: UOL

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    Friedrich Merz diz que fica. Como já havia feito na véspera, quando classificou como "desastre" o resultado de seu partido em eleições estaduais na Alemanha , o primeiro-ministro reiterou que continua à frente do governo nesta segunda-feira (21).

    Friedrich Merz, primeiro-ministro da Alemanha, deixa púlpito após conceder entrevista na sede da CDU, em Berlim, nesta segunda-feira (21) - Fabrizio Bensch/Reuters · Fabrizio Bensch/Reuters
    Friedrich Merz, primeiro-ministro da Alemanha, deixa púlpito após conceder entrevista na sede da CDU, em Berlim, nesta segunda-feira (21) - Fabrizio Bensch/Reuters · Fabrizio Bensch/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "As razões vão muito além da minha pessoa."

    No domingo, a CDU, o partido democrata-cristão presidido por Merz, não conseguiu superar a cláusula de barreira de 5% em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. O resultado deixou a legenda fora de um Parlamento estadual no país pela primeira vez desde 1949.

    A AfD recebeu a maior votação no estado, mais do que dobrando sua votação do pleito anterior, em 2021, mas o resultado não foi suficiente para evitar a reeleição de Manuela Schwesig. A governadora descontou dez pontos percentuais de desvantagem no começo do ano confrontando diretamente a sigla extremista, mas também fazendo duras críticas ao premiê .

    Elif Eralp, que deve se tornar a próxima prefeita de Berlim, concede entrevista na capital alemã, nesta segunda-feira (21) - Axel Schmidt/Reuters · Axel Schmidt/Reuters
    Elif Eralp, que deve se tornar a próxima prefeita de Berlim, concede entrevista na capital alemã, nesta segunda-feira (21) - Axel Schmidt/Reuters · Axel Schmidt/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Isso tudo a despeito de sua sigla, o SPD, fazer parte do governo Merz.

    A coalizão está mantida, disse o conservador em entrevista, agradecendo publicamente aos sociais-democratas pela sinalização. Schwesig e líderes do SPD, porém, deixaram claro que Merz e seu partido precisam repensar seu pacote de reformas e o próprio governo.

    Em Berlim , a CDU alcançou o segundo lugar na eleição, mas perderá a prefeitura para A Esquerda, que conquistou um quarto dos votos. A AfD permanecerá na oposição, com quase o dobro de sua votação de 2023, em um terreno antes hostil a seus candidatos.

    Mulher de cabelos escuros e camisa branca faz gesto com as mãos durante uma explanação. Parte da imagem é obstruída pela cabeça de uma pessoa fora de foco.
    Mulher de cabelos escuros e camisa branca faz gesto com as mãos durante uma explanação. Parte da imagem é obstruída pela cabeça de uma pessoa fora de foco. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Um Merz "abatido", na descrição da imprensa alemã, afirmou que não houve discussão sobre sua saída da presidência da CDU ou do governo . No domingo, o premiê se reuniu com o comitê executivo da sigla pouco antes de fazer um pronunciamento sobre os resultados eleitorais.

    "Nem ontem à noite, nem nesta manhã, ninguém levantou essa questão, muito menos se envolveu em qualquer debate sobre mudança. Ninguém", declarou o primeiro-ministro, quando questionado sobre o assunto. Porém, ao menos um membro sênior da CDU, o líder da sigla em Hamburgo, Dennis Thering, sugeriu uma moção de confiança.

    Uma newsletter sobre geopolítica e economia global, editada pelo jornalista João Caminoto, de Paris

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Estamos vivenciando uma profunda polarização", disse Merz aos jornalistas. "Em Berlim, mais de 40% dos votos foram para forças destrutivas, que tentam conquistar as pessoas com soluções radicais e simplistas."

    O primeiro-ministro junta na conta os votos de AfD e A Esquerda, que pela primeira vez fará uma prefeita em Berlim, a advogada e filha de imigrantes turcos Elif Eralp. Os serviços de segurança da Alemanha, contudo, não qualificam a legenda como extremista, como fazem com a agremiação populista de ultradireita .

    Ainda assim, A Esquerda, versão atualizada do Partido Socialista, que por sua vez foi herdeiro político do SED, legenda única da Alemanha Oriental, tem integrantes investigados por antissemitismo devido a manifestações de apoio à Palestina e contra as ações de Israel em Gaza. Merz pegou carona no fato.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "O que mais me preocupa é que estamos vivenciando um antissemitismo cada vez mais aberto e radical, não apenas em Berlim, mas especialmente em Berlim, onde está sendo quase aplaudido."

    Eralp se afastou da polêmica, mas terá que enfrentar o assunto nas negociações de coalizão com Verdes e SPD para se tornar prefeita, que no caso de Berlim, cidade-estado, também abrange o papel de governadora.

    O primeiro-ministro também atacou o plano que Eralp martelou em sua campanha de estatizar grandes empresas imobiliárias para combater o crônico problema de habitação na capital alemã. "Expropriações em massa não são solução", afirmou Merz, prometendo até mesmo uma legislação federal sobre o assunto.

    Colíder da AfD, Alice Weidel declarou também nesta segunda-feira que a CDU de Merz é um "antigo partido popular que está se transformando em um partido nanico". A parlamentar afirmou acreditar que a próxima eleição federal, programada para 2029, será antecipada.

    Leif-Erik Holm, principal candidato do partido em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, foi além e afirmou que Merz não chega ao fim do ano no cargo. "Acho que o crepúsculo da chanceler [primeiro-ministro] já começou."

    Até o Kremlin tirou proveito da situação, declarando que a Alemanha está procurando "uma alternativa" a Merz. Não à toa. A AfD defende uma reaproximação com a Rússia e a troca da transição energética pelo gás do país, cujo fornecimento é rejeitado como forma de sanção pela guerra da Ucrânia .

    Há duas semanas, o partido venceu as eleições em Saxônia-Anhalt e ficou próximo de montar o primeiro governo de extrema direita da Alemanha desde a Segunda Guerra Mundial . Em âmbito federal, a AfD lidera as pesquisas com 29% das preferências.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/merz-reafirma-intencao-de-ficar-a-frente-do-governo-na-alemanha.shtml.

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    Friedrich Merz, primeiro-ministro da Alemanha, deixa púlpito após conceder entrevista na sede da CDU, em Berlim, nesta segunda-feira (21) - Fabrizio Bensch/Reuters · Fabrizio Bensch/Reuters — Foto: UOL

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