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    Mercado se preocupa com controle da inflação após corte da Selic

    Sinalização sobre próximos passos do Copom aumenta cautela dos investidores e pressiona juros de longo prazo

    CNN Brasil
    12 de agosto de 2026 às 19:12
    Mercado se preocupa com controle da inflação após corte da Selic
    Foto: CNN Brasil

    O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano, em uma decisão amplamente esperada pelo mercado.

    Apesar do corte, o comunicado divulgado pelo BC (Banco Central) não fechou completamente as portas para novas reduções, o que levou investidores a recalibrar suas expectativas para os próximos passos da política monetária.

    O movimento, porém, teve efeitos diferentes sobre as taxas de juros. Enquanto os juros de curto prazo recuaram após a decisão, as taxas de longo prazo avançaram.

    • Marcos Santos/USP Imagens · • Marcos Santos/USP Imagens
    • Marcos Santos/USP Imagens · • Marcos Santos/USP Imagens — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    De acordo com Marilia Fontes, apresentadora do Resenha do Dinheiro, isso mostra uma preocupação do mercado com a capacidade da política monetária de controlar a inflação.

    “O mercado começou a precificar que essa ação poderia acontecer e, como consequência disso, a taxa de juro de curto prazo do mercado caiu, mas a taxa de juro de longo prazo subiu 10 pontos-base no dia seguinte”, afirma Marilia.

    A diferença entre os movimentos é importante porque as taxas de longo prazo influenciam o custo do crédito e as decisões de investimento e financiamento da economia.

    Análise: Risco em 2027 é PIB fraco, juros altos e fiscal
    Análise: Risco em 2027 é PIB fraco, juros altos e fiscal — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Para a apresentadora, o problema não está na queda dos juros em si, mas na percepção de que uma redução neste momento pode não ser suficiente para conter a pressão inflacionária.

    Parte dessa cautela também está relacionada ao cenário internacional. Enquanto o BC iniciou um movimento de redução da Selic, outras grandes economias seguem em uma trajetória diferente, com juros elevados ou ainda em processo de aperto monetário.

    “Com Europa, Japão e EUA elevando ou mantendo os juros para conter a inflação global, o Banco Central brasileiro vai na contramão ao reduzir a Selic”, avalia Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb.

    BC voltou a ter ata do Copom mais sucinta, diz economista
    BC voltou a ter ata do Copom mais sucinta, diz economista — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Apesar do início do ciclo de cortes, a Selic permanece em um nível elevado. Por isso, a mudança não significa necessariamente que a renda fixa deixou de ser atrativa.

    O cenário também abre espaço para ganhos com a chamada marcação a mercado, especialmente em títulos prefixados e títulos atrelados à inflação com vencimentos mais longos. Isso acontece quando o investidor vende um título antes do vencimento e consegue se beneficiar de uma eventual queda das taxas negociadas no mercado.

    “Com a queda dos juros, o prefixado e o IPCA+ longo podem ter uma boa rentabilidade com a marcação a mercado. Mas existe um risco maior”, afirma Pascowitch.

    Copom não tem espaço para sinalização mais clara sobre juro, diz economista
    Copom não tem espaço para sinalização mais clara sobre juro, diz economista — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    No caso do Tesouro IPCA+, a remuneração combina a variação do IPCA com uma taxa prefixada. Mas, em ambos os casos, a venda antes do vencimento, entretanto, está sujeita às condições do mercado no momento da operação.

    Embora o Copom tenha sinalizado que novas reduções não estão descartadas, Marilia lembra que em 2014, o Brasil já passou por momentos em que o Banco Central interrompeu um ciclo de alta e, posteriormente, retomou os aumentos.

    Para ela, um ciclo prolongado de cortes dependeria de uma melhora mais consistente do quadro inflacionário e fiscal.

    BC voltou a ter ata do Copom mais sucinta, diz economista
    BC voltou a ter ata do Copom mais sucinta, diz economista — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    “Não acredito que teremos um longo ciclo de queda”, observa Fontes. Segundo ela, um movimento mais intenso, como o observado entre 2016 e 2019, dependeria de uma inflação convergindo para a meta, e de uma política fiscal mais restritiva.

    Naquele período, as taxas dos títulos prefixados recuaram de níveis próximos de 14,5% para cerca de 9%, o que proporcionou ganhos expressivos com a marcação a mercado.

    Diante desse cenário, Bernardo recomenda manter a liquidez para aproveitar eventuais oportunidades que possam surgir no mercado.

    Análise: Risco em 2027 é PIB fraco, juros altos e fiscal
    Análise: Risco em 2027 é PIB fraco, juros altos e fiscal — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    “É momento de ter caixa caso surjam grandes oportunidades. Tesouro Selic, Tesouro Reserva e CDB com liquidez diária são boas alternativas para surfar esse juro alto”, diz.

    Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, Thiago Godoy, o “Papai Financeiro” e Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.

    A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.

    Copom não tem espaço para sinalização mais clara sobre juro, diz economista
    Copom não tem espaço para sinalização mais clara sobre juro, diz economista — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/mercado-se-preocupa-com-controle-da-inflacao-apos-corte-da-selic/.

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