Mercado ilegal une crime e consumo
Crime e consumo, infelizmente, muitas vezes se encontram nas escolhas de produtos pelos consumidores. Isso ocorre quando, iludidos por supostos preços inferiores à média das empresas que seguem as leis, compram aparelhos, equipamentos, bebidas, roupas, remédios e tênis contrabandeados ou falsificados. Leia mais (09/03/2026 - 17h27)

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Advogada especializada na área da defesa do consumidor
Crime e consumo, infelizmente, muitas vezes se encontram nas escolhas de produtos pelos consumidores. Isso ocorre quando, iludidos por supostos preços inferiores à média das empresas que seguem as leis, compram aparelhos, equipamentos, bebidas, roupas, remédios e tênis contrabandeados ou falsificados.
Conforme dados do FNCP (Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade), 15 segmentos econômicos acumularam, em 2025, perdas de R$ 326,3 bilhões. Vestuário e bebidas alcoólicas lideram esse ranking, com perdas superiores a R$ 80 bilhões cada um.

Não se trata, portanto, de criminosos de fundo de quintal. São autênticas máfias, com perfis diferentes dos mafiosos que apareciam nos antigos filmes de Hollywood. Suas fotos não costumam aparecer nos jornais, pois agem quase em silêncio, exceto quando há confrontos mais violentos, geralmente localizados.
Em 2014, o mercado ilegal movimentou R$ 100 bilhões, fazendo com que o Brasil legal deixasse de receber impostos e demais tributos, e de criar empregos formais. No ano passado, essa montanha de dinheiro ilegal atingiu inacreditáveis R$ 473 bilhões em perdas totais (os R$ 326,3 bilhões já citados, subtraídos de 15 segmentos econômicos, mais R$ 146,8 bilhões em sonegação de impostos estimada).
Ou seja, em uma conta simples, a movimentação de contrabandistas e falsificadores representou 3,7% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro do ano passado. Os aspectos econômicos e financeiros já são, portanto, extremamente relevantes, mas há mais. Remédios falsificados são ameaças à saúde que, na melhor das hipóteses, são placebos, produtos sem qualquer efeito.

Aparelhos e equipamentos eletrônicos não têm qualidade, garantia nem assistência técnica. Bebidas alcoólicas de procedência ilegal muitas vezes utilizam metanol, álcool industrial, o que pode causar cegueira e insuficiência renal. Além disso, e não menos importante, os ganhos dos contrabandistas e falsificadores têm um destino comum: subsidiar o crime organizado, que ameaça a segurança e a vida dos brasileiros.
Com os recursos ilegais, bandidos compram armas, veículos e esconderijos que financiam outros crimes. Quem se preocupa com a saúde, a qualidade de vida, a segurança e a prosperidade econômica jamais deveria comprar produtos ilegais.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/mercado-ilegal-une-crime-e-consumo.shtml.

Agentes da Receita Federal vasculham veículo na BR-277, em Foz do Iguaçu, e encontram mais de R$ 1 milhão em medicamentos para emagrecimento contrabandeados - Danilo Verpa - 25.jun.26/Folhapress · Danilo Verpa - 25.jun.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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