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    Mercado de carros clássicos muda com novos interesses de colecionadores mais jovens

    Durante décadas, colecionar carros foi um hobby praticado principalmente por e para os baby boomers. Suas preferências privilegiavam cromados, rabos de peixe e imponentes muscle cars das décadas de 1950 e 1960. Leia mais (09/22/2026 - 04h00)

    Folha de S.Paulo
    22 de setembro de 2026 às 07:00
    Mercado de carros clássicos muda com novos interesses de colecionadores mais jovens
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Durante décadas, colecionar carros foi um hobby praticado principalmente por e para os baby boomers. Suas preferências privilegiavam cromados, rabos de peixe e imponentes muscle cars das décadas de 1950 e 1960.

    Carro modelo 1951 Chevrolet - Preston Rose /via NYT · Preston Rose /via NYT
    Carro modelo 1951 Chevrolet - Preston Rose /via NYT · Preston Rose /via NYT — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Mas as gerações mais novas estão chegando ao auge de seu potencial de renda e, com dinheiro para gastar em um hobby, têm suas próprias ideias sobre o que define um carro clássico.

    Hallie Krala, 39, uma entusiasta de automóveis de Allentown, na Pensilvânia, tem uma coleção que inclui uma AMC Eagle Wagon 1984, um Mercury Topaz 1992 e vários Ford Escort da década de 1980. Ela nunca gastou mais de US$ 1.000 em um carro e valoriza a aparência e a sensação de dirigir veículos daquela época.

    "O preço sem dúvida pesa muito. Um carro dos anos 1950 não desperta tanta identificação entre os mais jovens. Gosto, sim, da estética dos carros dos anos 1980, e eles são funcionais", explicou.

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    Eles também estão se tornando um grande negócio. A Hagerty, seguradora de Michigan especializada em clássicos, afirmou que o valor dos carros das décadas de 1980 e 1990 subiu 48% nos últimos cinco anos.

    "Este é um segmento de peso", disse McKeel Hagerty, CEO da empresa.

    Tanto que, em 2022, sua empresa comprou a RADwood, que promove eventos de carros com temática dos anos 1980 e 1990, como investimento no futuro. "Acho que os carros da RADwood são a grande aposta do momento", acrescentou Hagerty.

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    Embora os valores estejam subindo, os modelos das décadas de 1980 e 1990 ainda são relativamente acessíveis . Carros que chamam a atenção, como o Mazda RX-7 1995, o Nissan 300ZX 1992, o Porsche 944 1984 e o Ford Mustang 1987, podem ser comprados por US$ 25 mil ou menos, segundo dados da Hagerty.

    A dirigibilidade é outro fator para os entusiastas mais jovens. Embora os carros da era RADwood em geral sejam menos potentes, eles também são menores e mais leves e têm direção e freios melhores. Dirigir um deles ainda pode ser uma experiência marcante, mas gera menos apreensão.

    "Os boomers compraram muscle cars. Muscle cars podem ser difíceis de controlar", disse Michael Prichinello, cofundador do Classic Car Club Manhattan. "Um verdadeiro esportivo se comporta como esportivo. Um Corvette dos anos 1950 não é um carro esportivo."

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    Ou, como Hagerty descreveu um Ford Mustang GT500 1967: "É um carro rápido. Não é um carro que para rápido."

    Palavras que podem ser provocadoras para alguns. Mas Prichinello chamou os carros mais novos de "um belo ponto de equilíbrio", que combina a potência e o design de períodos anteriores com a era moderna, repleta de tecnologia. Para alguns, a ausência de telas em um carro de 30 ou 40 anos é um atrativo.

    Há também uma excentricidade própria daquele período e uma consciência bem-humorada de que muitos desses carros não serão lembrados entre os maiores de todos os tempos na história do automóvel. No Crazy ’80s Car Museum, em Dwight, no Illinois, carros como o Buick Skyhawk, o Plymouth Horizon e o Subaru XT são celebrados.

    Instalado em uma antiga loja de móveis nos arredores da Rota 66 , o museu abre alguns dias por semana e aceita doações. Seu proprietário, Rick Roggenburg, disse que sua missão era preservar os carros desse período frequentemente negligenciado.

    "Nosso foco aqui são esses carros descartáveis. Os carros que ninguém guardou", afirmou

    É evidente que algumas pessoas os conservaram. Eventos como o Concours d’Lemons começaram como contraponto ao prestigiado Pebble Beach Concours d’Elegance e hoje são exposições automobilísticas legítimas por mérito próprio.

    Enquanto exemplares caros de Mercedes da década de 1930 são comuns em Pebble Beach, os homenageados do Lemons de 2025 incluíram um Oldsmobile Cutlass 1983 e uma Dodge Caravan 1999.

    "Não são apenas os carros que você esperaria", disse Doug DeMuro, crítico automotivo no YouTube e fundador do site de leilões Cars & Bids. Ele se lembrou de ter vendido em seu site o mesmo Nissan Pathfinder 1989, com baixa quilometragem, duas vezes em três anos.

    "Provavelmente é alguém que cresceu em um desses e se lembrava dele", disse.

    Os integrantes mais velhos da geração X nasceram em 1965 —e agora estão se aproximando da idade da aposentadoria—, e boa parte da geração Y já passou dos 40 anos, o que significa que muitos têm condições de comprar carros como hobby.

    Prichinello estimou que a idade média dos 1.000 integrantes do Classic Car Club Manhattan era de cerca de 40 anos, sendo aproximadamente metade deles "inequivocamente da geração X".

    Para atrair membros, o clube aderiu a eventos como encontros de carros e café, reuniões para assistir a corridas de Fórmula 1 e expedições off-road. Recentemente, abriu uma nova sede em Midtown Manhattan.

    Da mesma forma, no M1 Concourse, em Pontiac, no Michigan —clube automobilístico com uma pista de 2,4 quilômetros e instalações para guardar veículos, ao norte de Detroit—, aproximar-se de possíveis novos membros é fundamental.

    Localizado na Woodward Avenue, destino de passeios de carro e da cultura automotiva, o clube promove festas de Halloween com distribuição de doces, encontros de carros e café e dias de pista, que ajudam a apresentar o hobby aos mais jovens.

    "Isso está constantemente no nosso radar", disse John R. Warner, gerente de parcerias automotivas do M1 Concourse. "Como em qualquer outro negócio, é preciso evoluir com as mudanças demográficas. É preciso acolher um público mais jovem."

    E esse público não é monolítico. A era "rad" costuma ser retratada de forma ampla, englobando praticamente qualquer carro dos anos 1980 ou 1990. Mas um excêntrico Ford Escort do início dos anos 1980 é muito diferente, tanto em preço quanto em desempenho, de um Corvette dos anos 1990 com motor V8.

    À medida que mais entusiastas começarem a se concentrar nessa época, é provável que ela se torne mais segmentada.

    "Os millennials são, de certa forma, a geração de ‘Velozes e Furiosos’" , disse Hagerty, referindo-se à série de filmes que destacou carros importados modificados e apresentou veículos de várias épocas.

    Há ainda o elefante na sala: a geração mais velha, que se acredita formar o maior grupo de colecionadores de carros. A Hagerty acompanha as cotações de seguros por idade, e 34% das cotações emitidas em 2026 foram para boomers, ligeiramente à frente dos 33% destinados à geração X.

    Durante a maior parte da década de 2020, a geração X e os boomers estiveram praticamente empatados em número de cotações, e muitos boomers estão ampliando suas coleções na terceira idade.

    Na outra ponta, a geração Z também está entrando no mundo dos carros, embora ainda seja cedo para dizer quais serão suas preferências, e representa apenas 1,1% da base de clientes da Hagerty.

    Preston Rose, 29, está no limiar dessa nova geração. Assim como sua namorada, Krala, ele gosta de carros das décadas de 1980 e 1990, mas, tendo crescido em uma família apaixonada por automóveis, também tem um Chevy 1951.

    "É um ciclo constante", disse Rose. "Haverá jovens da geração Z que vão se interessar por carros da década de 2010."

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/negocios/2026/09/mercado-de-carros-classicos-muda-com-novos-interesses-de-colecionadores-mais-jovens.shtml.

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    Carro modelo 1951 Chevrolet - Preston Rose /via NYT · Preston Rose /via NYT — Foto: Folha de S.Paulo

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