Mercado de capitais chega a 33% do crédito do agro, mas CRA recua
Participação de Fiagros e CRAs avançou de 19% para 33% entre 2021 e 2025; no primeiro semestre de 2026, instrumentos movimentaram R$ 16,4 bilhões em novas emissões.

O mercado de capitais ganhou espaço no financiamento do agronegócio brasileiro, mas o movimento começa a mostrar comportamentos diferentes entre seus principais instrumentos. Enquanto as emissões de Fiagros aceleraram no primeiro semestre de 2026, as de CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) recuaram. Juntos , os dois instrumentos equivaliam a 33% do crédito rural em mercado ao fim de 2025, segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
Entre janeiro e junho deste ano, os Fiagros movimentaram R$ 8,3 bilhões em ofertas, alta de 288,3% em relação ao mesmo período de 2025 e recorde para um primeiro semestre. Já as emissões de CRAs somaram R$ 7,1 bilhões, uma queda de 50,4% na mesma comparação.
O contraste não elimina o avanço estrutural do mercado de capitais no financiamento do agro. Entre 2021 e 2025, a participação de Fiagros e CRAs no crédito rural em mercado passou de 19% para 33%.

Segundo a Anbima, o crescimento reflete a ampliação das alternativas de funding para produtores, cooperativas e empresas das cadeias agroindustriais, além do interesse de investidores por ativos ligados ao setor.
Em dezembro de 2025, o estoque de CRAs alcançou R$ 178,4 bilhões . Os Fiagros, por sua vez, chegaram a R$ 43,1 bilhões em patrimônio líquido .
A diferença de escala entre os instrumentos ainda é grande. Mas o ritmo mais recente favorece os Fiagros , que vêm ganhando espaço como veículo de investimento e de financiamento do agronegócio.

Segundo a Anbima, o avanço dos fundos também foi favorecido pela ampliação das possibilidades de investimento. A regulamentação passou a permitir que os Fiagros tenham exposição a diferentes classes de ativos, como FIDCs, FIPs e FIIs, aumentando a flexibilidade para financiar diferentes segmentos das cadeias agroindustriais.
“O mercado de capitais brasileiro saiu dos grandes centros e chegou ao interior. A captação de recursos através dos CRAs e Fiagros aprimorou o processo de financiamento das cooperativas e dos demais agentes do segmento, ao criar novas alternativas de funding, muitas vezes com menores custos e mais adequado ao perfil do tomador, fortalecendo assim as cadeias produtivas que sustentam o agronegócio e o crescimento do setor”, destaca Erika Lacreta, gerente de Mercado de Capitais da Anbima.
A lógica dos instrumentos é diferente da do crédito rural tradicional . Nos CRAs, os recursos captados no mercado são direcionados para operações relacionadas às cadeias do agronegócio, tendo como lastro recebíveis do setor. O investidor compra um título e recebe uma remuneração pelo dinheiro emprestado.

Já o Fiagro reúne recursos de investidores em um fundo que pode aplicar em diferentes ativos ligados ao agronegócio. Uma mudança regulatória ampliou esse universo, permitindo investimentos em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs, além de outros ativos relacionados à cadeia.
Isso significa que o mercado de capitais pode financiar não apenas a produção dentro da porteira, mas também cooperativas, armazenagem, processamento, comercialização e outras etapas da cadeia agroindustrial .
O avanço do mercado de capitais não significa que bancos e recursos oficiais estejam deixando de financiar o agro . Instrumentos como CPR-F e LCA , por exemplo, acumulavam mais de R$ 1,1 trilhão em estoque ao fim de 2025 , segundo os dados apresentados pela Anbima.

Crise no STF adiciona incerteza a um agro que já enfrenta aperto de crédito | CNN AGRO NEWS




Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/agro/exclusivo-mercado-de-capitais-ja-banca-33-do-credito-do-agro/.

• Ilustração feita por IA · • Ilustração feita por IA — Foto: CNN Brasil
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