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    Mensagens, viagens e proximidade com lobistas são principais elementos em inquéritos contra Lulinha

    Trocas de mensagens e viagens pagas, associadas a movimentações financeiras da lobista Roberta Luchsinger , foram os principais elementos usados pela Polícia Federal para pedir a abertura de inquéritos contra Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha , filho mais velho do presidente Lula (PT). Leia mais (08/29/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    30 de agosto de 2026 às 02:00
    Mensagens, viagens e proximidade com lobistas são principais elementos em inquéritos contra Lulinha
    Homem de cabelo curto e escuro veste camiseta preta e está sentado, olhando para a direita. Ao fundo, outras pessoas aparecem parcialmente, uma com camisa xadrez preta e branca e outra com camiseta vermelha. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Trocas de mensagens e viagens pagas, associadas a movimentações financeiras da lobista Roberta Luchsinger , foram os principais elementos usados pela Polícia Federal para pedir a abertura de inquéritos contra Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha , filho mais velho do presidente Lula (PT).

    O empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha - Nelson Almeida - 3.fev.18/AFP · Nelson Almeida - 3.fev.18/AFP
    O empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha - Nelson Almeida - 3.fev.18/AFP · Nelson Almeida - 3.fev.18/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Três inquéritos, que estão sob responsabilidade dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça e Flávio Dino , foram abertos a partir de elementos encontrados nas buscas e quebras de sigilo da Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de desvios em aposentadorias e pensões do INSS.

    São apurados supostos crimes de tráfico de influência e corrupção . Roberta é amiga de Lulinha e atuava em prol de interesses do também lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS .

    Os inquéritos cujas informações já foram divulgadas até o momento mostram apenas tentativas de contratações que não foram fechadas pelo governo federal. A defesa de Lulinha não nega a amizade com Roberta, afirma que não houve ilegalidades e tem questionado a higidez das mensagens obtidas pela PF.

    Leia trechos de relatório da PF sobre amiga de Lulinha
    Leia trechos de relatório da PF sobre amiga de Lulinha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Procuradas ao longo da última semana, as defesas de Roberta e de Antônio Camilo não têm se manifestado.

    Ao justificar os pedidos de abertura dos inquéritos de forma separada ao caso da Sem Desconto, a PF argumentou ao STF que, na análise, "foram obtidos elementos informativos que revelaram, por serendipidade, indícios da prática de outros crimes sem relação direta com as fraudes perpetradas em desfavor do INSS ou com o objeto originário da Operação Sem Desconto".

    Os dois inquéritos relatados por Mendonça tratam, respectivamente, da tentativa do grupo investigado de fechar negócio com o Ministério da Saúde e a estatal Dataprev. Ainda não há informações sobre a investigação supervisionada por Dino.

    Lulinha e o escândalo do INSS
    Lulinha e o escândalo do INSS — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A PF suspeita que a lobista atuava em parceria com dois sócios ocultos: Lulinha e Fernando Bittar —empresário que era um dos donos do sítio de Atibaia (SP) investigado na Operação Lava Jato .

    Em mensagens trocadas por Roberta, ela fala que "Fefe, fabio e eu somos uma coisa só. Se um fala vai, tds vão" e que o dinheiro oriundo de um possível contrato com o governo será dividido entre "eu e meus dois gordinhos minha empresa". A PF interpreta que ela se refere, nas mensagens, a Bittar e Lulinha.

    Roberta diz: "Eu aviso tudo. Toco o que a gente combina". O filho do presidente responde: "Sim. Falei dele."

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A PF interpreta essa conversa como um desabafo de Lulinha que revela "o modo de operar da sociedade".

    "'Falei dele' se refere a Fernando [Bittar], visto ser ele, entre os três sócios, o interlocutor ausente na conversa", diz a PF em documento que pede a abertura de investigação.

    "O conteúdo obtido na nuvem de Roberta permite inferir que a atividade da supramencionada sociedade consistia, em essência, na realização de interlocuções junto a agentes e órgãos governamentais com o objetivo de defender interesses privados."

    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Desde que as mensagens foram divulgadas, a defesa de Lulinha tem afirmado não ter garantia da veracidade do material colhido pela PF e aponta suspeita de interesse político na instauração do inquérito.

    "Deu para perceber que nessas investigações não tem autoridade com foro, não tem desvio de dinheiro público, não tem ato de ofício, não tem relação direta ou indireta com o INSS. Se o Fábio não fosse filho do presidente, esses inquéritos já estariam arquivados", disse o advogado Marco Aurélio de Carvalho.

    A defesa de Fernando Bittar não foi localizada pela reportagem.

    Além das conversas de Roberta com terceiros, há mensagens trocadas com o próprio Lulinha. Em março de 2024, o filho do presidente diz à lobista: "Estamos deixando de tomar decisões colegiadas e tá cada um por si".

    Há outras mensagens de Lulinha que tratam de negócios dos três. Numa delas, eles falam sobre almoços com Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, e Swedenberger do Nascimento Barbosa, o Berger, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde.

    Tanto Marcola como Berger foram pressionados a fechar contratos de interesse de Roberta com o governo. Ela chegou a pagar mais de R$ 200 mil em despesas pessoais do ex-chefe de gabinete em 2024.

    A defesa de Marcola tem dito que ele "jamais intermediou negociações ou encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações no âmbito do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou de qualquer outro órgão do governo federal". Também diz que os valores são oriundos de um empréstimo pessoal e foram devolvidos. Swedenberger não tem se manifestado.

    Há ainda uma mensagem de 2023, divulgada pelo site Metrópoles e confirmada pela Folha , em que o filho do presidente orienta Roberta a emitir uma nota fiscal para um empresário que eles representam após um encontro com políticos.

    As viagens de Lulinha também entraram na mira das investigações. Ele viajou em 2024 para a Europa bancado pelo Careca do INSS, que tinha uma empresa de Cannabis medicinal e tinha interesse em fechar contratos com o Ministério da Saúde. O filho de Lula também fez outras viagens pagas por Roberta.

    A Polícia Federal também investiga um pagamento de R$ 300 mil feito por ordem do Careca do INSS a Roberta.

    Em uma mensagem apreendida pela PF em uma das fases da Operação Sem Desconto, ele pede a um auxiliar que faça o pagamento de uma parcela de R$ 300 mil.

    O auxiliar pergunta quem seria o destinatário do dinheiro. Antunes responde que seria "o filho do rapaz" e, em seguida, recebe o comprovante do pagamento para uma empresa da lobista. A PF suspeita que "o filho do rapaz" seja uma referência a Lulinha.

    A defesa de Lulinha tem dito que a expressão "filho do rapaz" não é uma referência a Fábio Luís. Também diz que as conclusões da PF nos inquéritos são "quebra-cabeça de ilações, com inferências não conclusivas". Questiona ainda a chamada cadeia de custódia das provas. Ou seja, argumenta que não é possível demonstrar, de maneira confiável, como e em que condições uma prova foi coletada e apresentada à Justiça.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/08/mensagens-viagens-e-proximidade-com-lobistas-sao-principais-elementos-em-inqueritos-contra-lulinha.shtml.

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    O empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha - Nelson Almeida - 3.fev.18/AFP · Nelson Almeida - 3.fev.18/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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