Mensagens mostram Vorcaro e 'Sicário' citando contato na Polícia Civil após operador ser intimado em SP
Antônio Carlos Freixo Júnior e Daniel Vorcaro Reprodução O banqueiro Daniel Vorcaro perguntou a um de seus operadores se o grupo tinha contatos na Polícia Civil de São Paulo após Antônio Carlos Freixo Júnior receber uma intimação do 15º Distrito Policial, no Itaim Bibi, na Zona Oeste da capital. Freixo é o empresário que posteriormente fechou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e afirmou ter movimentado cerca de R$ 1,3 bilhão para Vorcaro entre 2020 e 2025. A conversa consta de um relatório da Polícia Federal da investigação sobre o Banco Master no Suprem
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Antônio Carlos Freixo Júnior e Daniel Vorcaro — Foto: Reprodução
O banqueiro Daniel Vorcaro perguntou a um de seus operadores se o grupo tinha contatos na Polícia Civil de São Paulo após Antônio Carlos Freixo Júnior receber uma intimação do 15º Distrito Policial, no Itaim Bibi, na Zona Oeste da capital.
Freixo é o empresário que posteriormente fechou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e afirmou ter movimentado cerca de R$ 1,3 bilhão para Vorcaro entre 2020 e 2025 .

A conversa consta de um relatório da Polícia Federal da investigação sobre o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF).
Em 2 de setembro de 2024, Vorcaro enviou uma mensagem a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, chamado de “Felipe Mourão” no WhatsApp e tratado como “Sicário” pelo banqueiro e por outros integrantes do grupo.
Em seguida, os dois conversaram por telefone durante pouco mais de três minutos. Depois da ligação, Vorcaro encaminhou a Mourão uma intimação expedida pelo delegado do 15º DP e dirigida a Freixo.
O documento convocava Antônio Carlos Freixo Júnior a comparecer ao 15º DP, na Rua Doutor Renato Paes de Barros, no Itaim Bibi, às 15h30 de 19 de agosto de 2024.
A intimação dizia que Freixo deveria prestar esclarecimentos em um procedimento identificado como IP nº 2.285.284/2023. O documento não informa qual era o objeto da investigação nem esclarece se Freixo havia sido chamado como testemunha, investigado ou em outra condição.
A convocação havia sido assinada por um escrivão identificado inicialmente apenas como Reinaldo.
Após receber a intimação de Vorcaro, Mourão encaminhou ao banqueiro um áudio de Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado que, segundo a PF, liderava o grupo denominado “A Turma” .
No áudio, Marilson disse que pediria para alguém verificar o procedimento e descobrir do que se tratava. No dia seguinte, 3 de setembro, Mourão voltou a procurar Vorcaro.
Segundo o relatório, ele afirmou que estava com “A Turma” e perguntou se o banqueiro poderia ligar para tratar da intimação enviada no dia anterior. Os dois conversaram por quase dois minutos. Na sequência, Vorcaro enviou o nome completo do escrivão: Reinaldo Vieira de Mello Calchot.
O relatório não informa se o grupo efetivamente acessou o inquérito, obteve informações sigilosas ou interferiu no procedimento envolvendo Freixo.
De acordo com a Polícia Federal, “A Turma” era um grupo de seis pessoas, aparentemente policiais federais, cooptadas para realizar ações de interesse de Vorcaro e de suas empresas, principalmente o Banco Master.
O grupo seria liderado por Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado em 2022 e cuja última lotação havia sido em Juiz de Fora, em Minas Gerais. Os outros cinco integrantes não são identificados no relatório.
A PF afirma que o grupo era acionado para:
levantar informações sobre inquéritos e processos, inclusive sigilosos; consultar dados de pessoas e empresas em sistemas oficiais restritos; buscar informações dentro de órgãos policiais; intimidar pessoas que desagradavam Vorcaro; realizar diligências particulares a pedido do banqueiro.
Mourão atuava como coordenador e intermediário entre Vorcaro e “A Turma”. Segundo a PF, ele também coordenava outros dois grupos chamados de “Os Meninos” e “Os Editores”.
Grupo recebia R$ 400 mil por mês, diz PF
O relatório afirma que empresas ligadas a Vorcaro repassavam mensalmente R$ 1 milhão à King Participações Imobiliárias, empresa pertencente a Mourão.
O dinheiro seria distribuído entre os grupos cooptados. “A Turma” ficaria com 40% do pagamento, o equivalente a aproximadamente R$ 400 mil mensais, rateados entre seus seis integrantes.
De acordo com a PF, os recursos saíam principalmente da Super Empreendimentos e Participações, empresa cujos operadores financeiros seriam Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, e Ana Paula Queiroz de Paiva.
O relatório descreve outro episódio ocorrido poucos dias depois.
Em 5 de setembro de 2024, Vorcaro enviou a Mourão uma intimação para que ele próprio comparecesse à Polícia Civil de São Paulo. O documento fazia referência ao inquérito policial nº 65/2024.
Mourão respondeu que, em relação à intimação anterior da Polícia Civil, “A Turma” já estava “mexendo e olhando tudo”. Sobre a nova convocação, disse que também encaminharia o caso ao grupo, que poderia telefonar ou comparecer onde fosse necessário.
A PF apresenta as conversas como parte dos indícios de que Vorcaro mantinha uma estrutura destinada a obter informações e mobilizar agentes de segurança pública em benefício próprio e de pessoas ligadas ao Banco Master.
Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/09/11/mensagens-mostram-vorcaro-e-sicario-citando-contato-na-policia-civil-apos-operador-ser-intimado-em-sp.ghtml.

Antônio Carlos Freixo admite ter feito R$1,3 bilhão em transações a pedido de Vorcaro — Foto: G1
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