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    Menos de 30% das pessoas com deficiência trabalham no Brasil, e renda é menor

    Somente 29% das pessoas de 14 anos ou mais com deficiência trabalhavam no Brasil em 2022, afirmou nesta sexta-feira (18) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a partir de dados do Censo Demográfico . Leia mais (09/18/2026 - 10h00)

    Folha de S.Paulo
    18 de setembro de 2026 às 13:00
    Menos de 30% das pessoas com deficiência trabalham no Brasil, e renda é menor
    Detalhe da estrutura de uma cadeira de rodas preta. Pé descalço da pessoa cadeirante toca o chão de madeira em ambiente interno. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Somente 29% das pessoas de 14 anos ou mais com deficiência trabalhavam no Brasil em 2022, afirmou nesta sexta-feira (18) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a partir de dados do Censo Demográfico .

    Cadeirante participa de aula de ioga em São Paulo - Karime Xavier/Folhapress - 24.abr.25 · Karime Xavier/Folhapress - 24.abr.25
    Cadeirante participa de aula de ioga em São Paulo - Karime Xavier/Folhapress - 24.abr.25 · Karime Xavier/Folhapress - 24.abr.25 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O percentual, chamado de nível de ocupação, era pouco mais da metade do registrado pela população sem deficiência da mesma faixa etária (55,8%).

    As diferenças também aparecem na renda . Em 2022, o rendimento médio do trabalho foi de R$ 2.053 por mês para as pessoas com deficiência. É um patamar 29% menor do que o recebido pelos demais trabalhadores (R$ 2.890).

    Conforme o IBGE, os profissionais com deficiência ganhavam menos nas dez atividades econômicas investigadas pelo estudo.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Além disso, estavam mais concentrados em setores nos quais os rendimentos costumam ser mais baixos na média. São os casos de serviços domésticos, agropecuária e alojamento e alimentação.

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    O IBGE diz que apenas 2,5% dos 2,3 milhões de cargos gerenciais no país eram ocupados por pessoas com deficiência (59,1 mil) em 2022. A maioria delas (55,7%) era do sexo masculino e estava concentrada em posições com menores remunerações.

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    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "A mensagem é que as pessoas com deficiência têm uma dificuldade de inserção maior no mercado de trabalho brasileiro", afirmou o pesquisador João Hallak Neto, do IBGE.

    Os dados divulgados nesta sexta integram um informativo construído pelo instituto a partir de diferentes fontes, com destaque para o Censo Demográfico. O recenseamento é a base dos recortes produzidos sobre o mercado de trabalho .

    Em 2022, o Brasil tinha 13,7 milhões de pessoas com deficiência em idade de trabalhar (14 anos ou mais). Dessas, quase 4 milhões tinham alguma atividade profissional, o que corresponde ao nível de ocupação de 29%.

    O menor nível de ocupação das pessoas com deficiência foi registrado entre aquelas com dificuldades associadas a funções mentais (12,9%). O maior ocorreu entre o grupo com dificuldade de enxergar (35,9%).

    O IBGE afirma que o nível de ocupação das mulheres que viviam em domicílios com crianças com deficiência era de 43,1%, 12,1 pontos percentuais menor do que o das mulheres em lares com crianças sem deficiência (55,2%).

    Entre os homens, quase não houve diferença, com proporções de 69,7% e 69,5%, respectivamente. Historicamente, as mulheres enfrentam uma carga maior de tarefas de cuidado de pessoas e do lar.

    Os contribuintes para a Previdência representavam 57,9% dos ocupados com deficiência em 2022. A proporção ficou cerca de dez pontos percentuais abaixo da verificada na população com trabalho sem deficiência (67,7%).

    A pesquisadora Luanda Chaves Botelho, do IBGE, associou os resultados ao que classificou como uma sequência de obstáculos para as pessoas com deficiência.

    "Essas ocupações que elas alcançam são ocupações que a gente pode chamar de piores", disse a técnica, citando questões como remuneração mais baixa e contribuição menor à Previdência .

    "Existe também uma dimensão não explicada nem pelo grupo ocupacional, nem pela atividade, nem pelo nível de escolarização. A literatura atribui [isso] a uma discriminação específica contra pessoas com deficiência, ao capacitismo."

    O IBGE produziu um recorte que analisa o percentual de pessoas consideradas pobres em quatro faixas etárias (2 a 14 anos, 15 a 29, 30 a 59 e 60 anos ou mais). Nesse caso, são levados em conta recursos obtidos com o trabalho e outras fontes.

    A taxa de pobreza da população com deficiência é maior nos quatro grupos de idade investigados. Os percentuais são mais elevados entre crianças e adolescentes.

    Em 2022, 60,9% do grupo de 2 a 14 anos com deficiência vivia em lares abaixo da linha de pobreza. A proporção foi de 52,5% na mesma faixa etária sem deficiência.

    Os idosos têm os menores percentuais. A taxa de pobreza foi de 20,7% entre a população de 60 anos ou mais com deficiência. O percentual ficou em 17,5% entre as demais pessoas do grupo etário mais velho.

    O estudo segue parâmetros do Banco Mundial. A linha de pobreza é de US$ 8,30 por dia para o rendimento domiciliar per capita (por pessoa), o que equivale a cerca de R$ 770 mensais. Na prática, moradores com renda abaixo desse patamar são considerados pobres.

    Conforme a publicação, a pobreza atingia 33,2% da população com deficiência em 2022. É um percentual inferior ao registrado entre as pessoas sem deficiência (34,5%).

    A situação, contudo, reflete um efeito de composição dos grupos, pondera o IBGE. A população com deficiência tem uma proporção maior de idosos, faixa em que a incidência da pobreza é menor. Assim, o número geral fica mais baixo, mas a análise detalhada por camada revela um cenário diferente.

    "Mais de 40% da população com deficiência tem 60 anos ou mais de idade. São pessoas que tendem a receber recurso de aposentadorias , pensões, Benefício de Prestação Continuada [BPC]", afirmou o pesquisador André Simões, do IBGE.

    "Por isso é importante apresentar o dado por faixa etária. A gente vê que a população com deficiência tem índices de pobreza maiores em todas elas, inclusive entre a população idosa", completou.

    A divulgação do informativo do IBGE ocorre às vésperas do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/menos-de-30-das-pessoas-com-deficiencia-trabalham-no-brasil-e-renda-e-menor.shtml.

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    Cadeirante participa de aula de ioga em São Paulo - Karime Xavier/Folhapress - 24.abr.25 · Karime Xavier/Folhapress - 24.abr.25 — Foto: Folha de S.Paulo

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