Menopausa: estudo da USP identifica alvo contra alterações metabólicas
Pesquisa em animais indica que ativar um receptor de estrogênio pode melhorar o controle da glicose e o metabolismo das gorduras

A queda do estrogênio após a menopausa pode alterar a forma como o organismo controla a glicose e processa gorduras. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificaram um mecanismo que pode abrir caminho para novas estratégias contra as alterações metabólicas relacionadas à redução hormonal.
O estudo investigou o receptor de estrogênio beta (ERβ) . Em ratas com deficiência de estradiol, a ativação seletiva do receptor melhorou parâmetros ligados à glicose e às gorduras e ajudou a proteger as células contra efeitos prejudiciais do excesso de lipídios.
O trabalho, teve uma nova versão disponibilizada no bioRxiv em 15 de abril de 2026. A pesquisa é pré-clínica, realizada em animais e células cultivadas em laboratório.

Para reproduzir a deficiência de estradiol observada após a menopausa, os cientistas retiraram os ovários de ratas. Parte dos animais recebeu diarylpropionitrile (DPN), composto que ativa seletivamente o ERβ.
A equipe analisou como a ativação afetava o metabolismo, principalmente no fígado. Experimentos adicionais foram realizados com hepatócitos, células hepáticas, submetidos a uma sobrecarga de nutrientes.
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A ativação do ERβ provocou uma série de mudanças nos animais com deficiência de estradiol:

Um dos principais resultados foi justamente observado no fígado. A ativação do receptor reorganizou os lipídios e favoreceu um perfil que pode ajudar as células a lidar com o excesso de gordura. Inclusive, o mecanismo pode reduzir a chamada lipotoxicidade, condição em que o acúmulo de determinados lipídios prejudica o funcionamento das células.
Nos experimentos com hepatócitos, o DPN recuperou a secreção de corpos cetônicos e aumentou a dependência da oxidação completa de ácidos graxos — processo pelo qual as células utilizam gordura como fonte de energia.
Os achados indicam que o ERβ participa da regulação do metabolismo de gorduras e corpos cetônicos no fígado e pode ajudar a explicar parte dos efeitos metabólicos provocados pela redução do estradiol.

Porém, a descoberta não demonstra que o DPN possa ser usado para tratar mulheres na menopausa. Como os experimentos foram realizados em animais e células, ainda são necessários estudos para avaliar a segurança do mecanismo e descobrir se os benefícios também ocorrem em seres humanos.
Por enquanto, os resultados apontam o ERβ como um possível alvo para futuras pesquisas sobre estratégias voltadas às alterações metabólicas associadas à pós-menopausa.




Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/saude/menopausa-usp-alvo-contra-alteracoes-metabolicas.

Freepik — Foto: Metrópoles
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