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    Meningite meningocócica na infância: entenda a doença e a importância da prevenção

    A meningite é uma inflamação das meninges, que são as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, podendo ser causada por vírus, fungos ou bactérias. As formas bacterianas em geral são as mais graves e exigem atendimento imediato. Entre elas, a meningite meningocócica, provocada pela bactéria Neisseria meningitidis , também chamada de meningococo, é uma das mais preocupantes por sua rápida evolução e alta letalidade. No Brasil, os sorogrupos mais relevantes são A, B, C, W e Y, e a circulação de cada um pode variar ao longo do tempo e entre regiões. 9-11 Apesar dos esforços para contr

    TNH1
    10 de agosto de 2026 às 10:00
    Meningite meningocócica na infância: entenda a doença e a importância da prevenção
    Foto: TNH1

    A meningite é uma inflamação das meninges, que são as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, podendo ser causada por vírus, fungos ou bactérias. As formas bacterianas em geral são as mais graves e exigem atendimento imediato. Entre elas, a meningite meningocócica, provocada pela bactéria Neisseria meningitidis , também chamada de meningococo, é uma das mais preocupantes por sua rápida evolução e alta letalidade. No Brasil, os sorogrupos mais relevantes são A, B, C, W e Y, e a circulação de cada um pode variar ao longo do tempo e entre regiões. 9-11

    Apesar dos esforços para controlar a doença em diversos países e regiões do mundo, a carga de adoecimento e óbitos por meningite permanece elevada. Os números do Ministério da Saúde ajudam a entender o cenário brasileiro da doença meningocócica. 1,9-11

    O Brasil registrou 1.551 casos entre 2023 e 2024, com 333 óbitos no período. Em 2023, a média foi de 60 casos por mês, aumentando para 68 no ano seguinte, 2024. O painel epidemiológico do MS mostra que a situação não melhorou. Em 2025, até setembro, foram contabilizados 696 casos e 131 mortes, com média mensal de 79 notificações. 1

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    Foto: TNH1 · Fonte: TNH1

    O médico pediatra Juarez Cunha (CRM 11928 RS) explica o porquê da necessidade da imunização contra a meningite meningocócica.

    “A pessoa pode ter a bactéria na sua via respiratória e não ter a doença, mas ela pode transmiti-la para outras. Isso é um aspecto importante da vacinação. A vacina conjugada ACWY, por exemplo, evita esse estado de portador sadio, como é chamado. Então, quando você usa uma vacina que tem esse potencial, estará protegendo o indivíduo e a coletividade”, avalia Cunha, que também é intensivista pediátrico.

    “A imunização é a grande saída, com certeza. A doença tem esse potencial de evoluir muito rápido, às vezes em 12, 24 horas, levando a quadros catastróficos e ao óbito. Quarenta por cento dos sobreviventes têm algum tipo de sequela, desde sequela física, como amputação, cicatriz, surdez ou retardo neurológico, além de todo o aspecto familiar, social e psicológico que vai ficar para o resto da vida”, alerta o pediatra.

    As vacinas meningocócicas diferem conforme os sorogrupos da bactéria contra os quais oferecem proteção. A vacina meningocócica C protege exclusivamente contra o sorogrupo C, enquanto a vacina ACWY amplia essa cobertura para os sorogrupos A, C, W e Y. Já a vacina meningocócica B é específica para o sorogrupo B, um dos mais frequentes no Brasil. 2,3,6

    Como não existe uma única vacina capaz de proteger contra todos os sorogrupos, a recomendação do esquema vacinal deve considerar a faixa etária, o perfil epidemiológico e a orientação do profissional de saúde. 6

    No sistema público, estão disponíveis gratuitamente as vacinas meningocócicas C e ACWY, indicadas para crianças e adolescentes conforme o calendário de vacinação. 2

    Na rede privada, além dessas vacinas, também está disponível a meningocócica B, recomendada por sociedades médicas por proteger contra o sorogrupo mais frequente no Brasil. 3

    Além da meningite meningocócica, há vacinas que ajudam a prevenir outras meningites bacterianas, como as causadas pelo pneumococo, Haemophilus influenzae tipo b (Hib) e pela tuberculose (BCG). 6

    Confira os esquemas de vacinação disponíveis.

    Aliada à vacinação, algumas medidas podem reduzir o risco de transmissão da meningite meningocócica. Hábitos simples como lavar as mãos com frequência, cobrir a boca ao tossir ou espirrar, não compartilhar objetos de uso pessoal, manter ambientes ventilados e evitar aglomerações sempre que possível são eficazes. 7

    Doença evolui rapidamente e pode deixar sequelas

    A doença meningocócica invasiva é uma emergência médica devido à sua rápida progressão. Em poucas horas, o quadro pode evoluir de sintomas inespecíficos para complicações graves, como meningite e infecção generalizada (sepse), exigindo diagnóstico e tratamento imediatos. Mesmo entre os pacientes que sobrevivem, podem ocorrer sequelas permanentes, como perda auditiva, amputações, alterações neurológicas, cicatrizes e comprometimento do desenvolvimento, reforçando a importância da prevenção e do reconhecimento precoce dos sinais da doença. 9-11

    Os indicadores evidenciam a gravidade da doença meningocócica invasiva (DMI). Globalmente, a taxa de letalidade é de aproximadamente 10%, segundo estudo de Carmen Pardo de Santayana, da Universidade de Cambridge, Inglaterra. 4 No Brasil, esse índice alcançou 22% em 2024, de acordo com o Ministério da Saúde. 5

    O médico Juarez Cunha afirma que a rapidez no diagnóstico e no tratamento influencia diretamente no índice de letalidade da doença.

    “O principal aspecto que vai influenciar na taxa de letalidade é a rapidez tanto do diagnóstico quanto do início do tratamento. Isso, com certeza, vai impactar o prognóstico daquele paciente. A doença meningocócica afeta qualquer idade, mas, claro, em especial as crianças, e tem essa característica de uma evolução muito rápida”, explica o médico.

    Informação confiável para ampliar a cobertura vacinal

    Em um cenário de grande circulação de informações nas redes sociais e em diferentes plataformas, o acesso a conteúdos confiáveis e baseados em evidências é fundamental para ampliar o conhecimento da população sobre a vacinação e contribuir para decisões informadas.

    “A gente tem a desinformação e uma série de outros fatores que impactam as coberturas vacinais. Entre eles, a confiança: o que é aquela vacina, se é eficaz, se é segura. Outro ponto: o profissional de saúde tem que estar muito bem informado e passar recados de confiança para a população, tirar dúvidas. Então, a principal forma de combater a desinformação é com informação e comunicação qualificada”, afirma Juarez Cunha.

    Os fatores elencados pelo especialista podem influenciar na chamada “hesitação vacinal”. 8 O Ministério da Saúde explica o fenômeno como o atraso ou a recusa em aceitar vacinas recomendadas, mesmo quando os serviços de vacinação estão disponíveis.

    “É influenciada por múltiplos fatores, entre eles a confiança nas vacinas e nas instituições, a percepção de risco, o acesso às vacinas, a baixa percepção da gravidade de doenças que podem ser prevenidas com a vacinação, o contexto socioeconômico e cultural, além da comunicação”, diz comunicado do MS. 8

    Para saber mais sobre a doença e formas de prevenção, acesse: paixaoporviver.com.br/juntoscontrameningite .

    1 - MINISTÉRIO DA SAÚDE. Informe Meningite - 2ª Edição.pdf . https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/m/meningite/situacao-epidemiologica/dados-epidemiologicos/informe-meningite-2a-edicao.pdf/@@download/file

    2 - CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. SUS amplia proteção contra meningite com ACWY . Disponivel em https://www.cofen.gov.br/sus-amplia-protecao-contra-meningite-com-acwy/

    3 – SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Disponível em https://www.sbp.com.br/pediatria-para-familias/vacinas/perguntas-e-respostas-sobre-vacinas-meningococicas/

    4- DE SANTAYANA, Carmen Pardo et al. Epidemiology of invasive meningococcal disease worldwide from 2010–2019: a literature review. Epidemiology & Infection, v. 151, p. e57, 2023.

    5 - MINISTÉRIO DA SAÚDE. Informe Meningites. Disponível em: < https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/m/meningite/situacao-epidemiologica/dados-epidemiologicos/informe-meningite.pdf

    6 - SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Calendário de vacinação SBIm Criança 2026–2027. Disponível em: https://sbim.org.br/images/crianca-Calend-SBIm-2026-27-260619.pdf_2026-06-19.pdf . Acesso em: 22 jul. 2026.

    7 - BRASIL. Ministério da Saúde. PREVENÇÃO DE DOENÇAS INFECCIOSAS RESPIRATÓRIAS. Disponível em: <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/folder/prevencao_doencas_infecciosas_respiratorias.pdf> . Acesso em: julho/2026.

    8 - BRASIL. Ministério da Saúde. HESITAÇÃO VACINAL. Disponível em: < https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/pni/hesitacao-vacinal >. Acesso em julho/2026.

    9 - SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Família SBIm. Doença meningocócica. Disponível em: < https://familia.sbim.org.br/doencas/doenca-meningococica-dm >. Acesso em: julho/2026;

    10 - WORLD HEALTH ORGANIZATION. Newsroom. Fact Sheets. Details. Meningitis. Disponível em: < https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/meningitis > Acesso em: julho/2026;

    11 - MINISTÉRIO DA SAÚDE. Saúde de A a Z. Meningite. Disponível em: < https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/m/meningite >. Acesso em: julho/2026;

    Publicado originalmente por TNH1. Leia a matéria completa em https://www.tnh1.com.br/noticia/nid/meningite-meningococica-na-infancia-entenda-a-doenca-e-a-importancia-da-prevencao/.

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