Mendonça traz Lula para o centro da crise no STF
A inaudita decisão do ministro André Mendonça de determinar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do chefe de inteligência do órgão, Leandro Almada, trouxe o governo Lula ( PT ) de vez para a crise do Supremo Tribunal Federal. Leia mais (09/08/2026 - 12h06)

Contextualiza um acontecimento e aprofunda a compreensão de seus diversos ângulos
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A inaudita decisão do ministro André Mendonça de determinar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do chefe de inteligência do órgão, Leandro Almada, trouxe o governo Lula ( PT ) de vez para a crise do Supremo Tribunal Federal.
Se o presidente já vinha sendo fustigado pela escalada do embate entre Mendonça e o colega Alexandre de Moraes , agora a confusão envolve diretamente seu governo. A Advocacia-Geral de Lula deverá defender Rodrigues.
É possível argumentar que isso é o dever da Presidência, admitindo aí que Mendonça tenha extrapolado na sua decisão, como sugere a AGU . Mas Lula, que vinha manobrando para tentar se manter olímpico no caso, terá de tomar um lado de forma mais óbvia.

Isso agrava a situação do presidente, que já é alvo de campanha pela associação tática que promoveu ao longo de seu mandato com Moraes, o homem que mandou Jair Bolsonaro para a cadeia.
Desde que o envolvimento do ministro do inquérito das fake news com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro tomou ares de escândalo, na semana passada, o presidente buscou distanciar-se da crise do outro lado da praça dos Três Poderes.
Pediu investigação ampla e transparente, seguindo o manual para essas situações. Contava talvez com o acordão sendo insinuado pelos atores próximos de Moraes.

Quando o ministro avançou o sinal e atacou Mendonça, a intenção era colocar o colega na defensiva. Numa acomodação, estaria em posição favorável. Só que a resposta veio apoiada nos frágeis papéis apresentados como evidência de má conduta do rival, que reagiu com força nesta terça-feira (8).
Tudo indica uma nova escalada, e quem conhece Moraes diz que ele está pronto para ir além —a referência de Mendonça ao Grande Irmão orwelliano em sua decisão não foi casual. Só que agora Lula está, para fins de opinião pública, no seu lado da trincheira.
Como o ato do 7 de Setembro em São Paulo evidenciou, Flávio Bolsonaro ( PL ) já havia tomado partido do ministro "terrivelmente evangélico" indicado por seu pai ao Supremo.

Anteviu novas revelações sobre sua própria relação com Vorcaro, e seu aliado Silas Malafaia chegou a cobrar posição justamente dos ministros que nesta terça avaliariam a medida de Mendonça.
Pior para a corte e seu presidente, Edson Fachin, até aqui incapaz de conter as salvas de artilharia de lado a lado. A pancadaria ganhou um respiro com o pedido de vista de Gilmar Mendes acerca do caso da PF, mas não parece ser boa aposta acreditar que ele irá durar.
Os fumos do conflito, como sempre ocorre em Brasília, já começam a estimular exotismos. O advogado Marco Aurélio Carvalho, próximo de Lula, defensor de Lulinha e integrante da campanha, sugeriu, por exemplo, a convocação do Conselho da República para lidar com a "crise institucional sem precedentes".

O dito colegiado tem por atribuição aconselhar o presidente sobre a adoção de estado de defesa ou de sítio. Só essa correlação já fornece uma sinalização problemática do campo lulista: a sugestão do recurso a instrumentos extremos.
A história recente, na qual o conselho foi avocado duas vezes, é dura para quem brincou com a ideia.
Em 2016, parlamentares próximos de Dilma Rousseff (PT) consultaram o Exército acerca da possibilidade, ouvindo um não do então comandante Eduardo Villas-Bôas.
O general temia o uso de tropas contra os manifestantes que, ao fim, viram Dilma impedida. Em 2019, ele revelou a história, cujo conhecimento a petista negou, e ficou por isso.
Em 2021, no auge da apoplexia golpista quando estava no poder, Bolsonaro disse que convocaria o conselho ante uma multidão no mesmo 7 de Setembro, só que em Brasília. Antes, havia pregado desobediência a Moraes, e disse que nunca seria preso.
Era balela, e a tal reunião nunca ocorreu. Dois dias depois, sob pressão e com o centrão de malas prontas para tomar de assalto seu governo, Bolsonaro já baixava o tom. Voltaria a tentar um autogolpe depois, pelo que foi condenado a 27 anos e três meses de prisão.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/mendonca-traz-lula-para-o-centro-da-crise-no-stf.shtml.

Os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes em sessão no Supremo na quinta-feira (3) - Pedro Ladeira - 3.set.26/Folhapress · Pedro Ladeira - 3.set.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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