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    Mendonça planejou por um mês afastar chefe da PF, e relatório divulgado por Moraes selou decisão

    A possibilidade de afastar do cargo o diretor-geral da Polícia Federal , Andrei Rodrigues , já estava sendo considerada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça há cerca de um mês, mas o estopim da crise com o ministro Alexandre de Moraes selou sua decisão. Leia mais (09/08/2026 - 18h31)

    Folha de S.Paulo
    8 de setembro de 2026 às 21:31
    Mendonça planejou por um mês afastar chefe da PF, e relatório divulgado por Moraes selou decisão
    Dois homens aparecem em perfil, um à frente do outro, ambos com expressão séria. O homem mais próximo tem cabelo curto e escuro, veste terno preto e camisa branca. O homem ao fundo é calvo, usa terno escuro e gravata. Fundo neutro desfocado — Foto: Folha de S.Paulo

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    A possibilidade de afastar do cargo o diretor-geral da Polícia Federal , Andrei Rodrigues , já estava sendo considerada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça há cerca de um mês, mas o estopim da crise com o ministro Alexandre de Moraes selou sua decisão.

    Ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes em sessão no STF - Adriano Machado - 2.set.26/Reuters · Adriano Machado - 2.set.26/Reuters
    Ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes em sessão no STF - Adriano Machado - 2.set.26/Reuters · Adriano Machado - 2.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No início de agosto, em uma conversa reservada, Mendonça chegou a sinalizar ao presidente da corte, ministro Edson Fachin , que uma medida drástica poderia ser necessária, pois ele suspeitava que Andrei estivesse atuando com viés político na chefia da corporação, na tentativa de blindar a campanha do presidente Lula ( PT ).

    As desconfianças eram recíprocas. Na visão de Andrei, também relatada a Fachin, Mendonça é quem estava conduzindo os casos Master e INSS (Instituto Nacional de Seguro Social) de forma a prejudicar figuras ligadas à esquerda e aliviar para aliados de Flávio Bolsonaro ( PL ).

    O presidente do STF entrou em cena para evitar a escalada das tensões . Enquanto mantinha diálogos frequentes com Mendonça, ele chegou a se reunir com o próprio diretor-geral da PF e com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva , em encontros descritos por um interlocutor como "audiências para aparar arestas".

    Veja fotos de Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro em viagens internacionais
    Veja fotos de Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro em viagens internacionais — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Fachin disse a auxiliares que, como presidente do Supremo, estava cumprindo o seu dever de buscar preservar as instituições e, com discrição, conversar com todos os envolvidos, mas admitiu a pessoas da sua equipe estar preocupado com os rumos que a crise poderia tomar.

    Poucos dias antes, em uma reunião intermediada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias , Mendonça chegou a sinalizar ao ministro da Justiça que estava disposto a recompor a relação com o diretor-geral da PF e deixou temporariamente de lado a intenção de afastá-lo.

    Na prática, entretanto, o mal-estar não arrefeceu. O ministro seguiu reclamando da demora da PF especialmente no caso do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha , enquanto Andrei se queixava das intromissões do ministro na autonomia da corporação, como ordens para acessar o acervo bruto das provas colhidas pelos investigadores.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O assunto mobilizou os bastidores do STF nos dias que se seguiram, em um cenário classificado por um aliado de Mendonça como "um corre-corre para baixar a temperatura". Já um ministro da ala pró-Moraes sugeriu a Fachin que Mendonça poderia estar sendo influenciado pelos delegados lotados em seu gabinete e que são críticos do diretor-geral.

    Como antecipou a Folha , a situação levou o decano da corte, Gilmar Mendes , a propor formalmente uma alteração no regimento interno do Supremo para proibir que servidores das carreiras policiais sejam cedidos para atuar em gabinetes de ministros, participando da instrução de inquéritos ou de atividades de assessoramento jurídico .

    A ideia de que era imperativo afastar Andrei voltou a tomar corpo na semana passada, quando Moraes alegou que Mendonça incorreu em abuso de autoridade , improbidade administrativa e crime de responsabilidade, com base em um "relatório de inteligência" que teria sido produzido pela ala da PF ligada ao diretor-geral.

    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O documento foi uma espécie de contra-ataque, depois que Mendonça expôs as mensagens que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro , do Master, mandava a um interlocutor apontado como Moraes. Nas conversas, o dono do banco pediu ao ministro informações sobre o desenrolar das investigações e perguntou se deveria fugir do país .

    O material aponta que Mendonça teria agido para interferir nas provas apreendidas e direcionar investigações contra Moraes e o presidente do Senado , Davi Alcolumbre ( União Brasil -AP), "com quebra de imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos".

    Mendonça afastou Andrei por entender que o material era inválido, além de indicar que a PF o havia monitorado por pelo menos 30 dias em 2026. "A superlativa gravidade e ilicitude na produção dos ‘relatórios de inteligência’ impõe a adoção de providências imediatas."

    De acordo com o ministro, é "inimaginável conceber" que setores da PF —alinhados ao diretor-geral e, consequentemente, a Moraes— estejam produzindo relatórios para descredibilizar o trabalho técnico realizado por outros delegados e agentes que atuam diretamente no caso Master.

    O afastamento foi levado a julgamento virtual na Segunda Turma do STF. Imediatamente depois que a sessão foi aberta, às 10h desta terça-feira (8), a Gilmar pediu vista (mais tempo para analisar o caso). Os ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux anteciparam seus votos e seguiram integralmente a posição de Mendonça, formando maioria .

    A votação rápida, em menos de dez minutos, foi interpretada pelo entorno de Mendonça com um indicativo de que o relator dos casos Master e INSS tem apoio suficiente na turma. O colegiado é integrado ainda pelo ministro Dias Toffoli , cuja participação no julgamento ainda é incerta, pois ele se declarou suspeito em casos envolvendo o Master.

    Os atritos entre Mendonça e o diretor-geral da PF vêm desde o início das apurações das operações Sem Desconto e Compliance Zero. O ministro se queixou, por exemplo, de mudanças feitas na equipe e na estrutura das investigações sem o seu conhecimento prévio.

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    Integrantes da cúpula da PF, por outro lado, afirmam que o pedido de abertura de três frentes de investigação contra Lulinha e uma operação policial contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) demonstram que não há uso político das apurações.

    Também dizem que Mendonça levou menos tempo para autorizar diligências contra Wagner (nove dias) do que contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e de Flávio, como o presidente do PP Ciro Nogueira (29 dias) e o ex-governador do Rio de Janeiro Claudio Castro (75 dias), o que também indicaria um viés ideológico.

    Mendonça, por outro lado, afirma a pessoas próximas que atua com cautela e independência e que não está sujeito a pressões. O ministro costuma dizer que sua motivação é "fazer o que é certo" e que quer garantir a integridade das investigações, respeitando o devido processo legal.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/mendonca-planejou-por-um-mes-afastar-chefe-da-pf-e-relatorio-divulgado-por-moraes-selou-decisao.shtml.

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    Ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes em sessão no STF - Adriano Machado - 2.set.26/Reuters · Adriano Machado - 2.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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