Brasil

    Mendonça mantém sob sigilo mais de 30 quebras bancárias do Master

    Material é mais amplo que o relatório de inteligência financeira do Coaf solicitado pelo ministro Alexandre de Moraes

    UOL
    14 de setembro de 2026 às 15:00
    Mendonça mantém sob sigilo mais de 30 quebras bancárias do Master
    Homem de meia-idade com cabelo curto e grisalho veste terno escuro, camisa branca e gravata listrada. Ele usa uma toga preta e está em ambiente interno com fundo desfocado. — Foto: UOL

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    O ministro André Mendonça , do STF (Supremo Tribunal Federal), mantém sob sigilo quebras bancárias e fiscais de mais de 30 pessoas físicas e jurídicas investigadas no caso Master, entre elas empresas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro .

    Ministro André Mendonça em sessão do STF - Adriano Machado - 2.set.26/REUTERS · Adriano Machado - 2.set.26/REUTERS
    Ministro André Mendonça em sessão do STF - Adriano Machado - 2.set.26/REUTERS · Adriano Machado - 2.set.26/REUTERS — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O material é mais robusto do que os dados de pagamentos do Master aos quais o ministro Alexandre de Moraes pediu acesso, e que constam de um relatório de inteligência financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

    A PF ( Polícia Federal ) pediu em março a Mendonça a retirada de dados tarjados do relatório do Coaf e, oito dias depois, enviou uma nova representação ao gabinete, requerendo as quebras dos sigilos dos mesmos alvos.

    A segunda medida foi autorizada e, por ser mais ampla e detalhada, o ministro considerou que a primeira havia perdido o objeto. Segundo auxiliares a par da movimentação dos processos, os relatórios do Coaf são, por natureza, mais superficiais do que quebras de sigilo bancário e fiscal.

    Relembre crises envolvendo Alexandre de Moraes no STF
    Relembre crises envolvendo Alexandre de Moraes no STF — Foto: UOL · Fonte: UOL

    As quebras autorizadas por Mendonça impactam, por exemplo, a Super Empreendimentos, investigada pela PF por supostamente servir de canal para pagamentos de Vorcaro a uma milícia privada e também a agentes públicos.

    Outra empresa alvo das quebras foi a Moriah Asset, fundo de investimento ligado a Fabiano Zettel , cunhado de Vorcaro, advogado, ex-pastor da Igreja Batista da Lagoinha e apontado como o principal operador financeiro do ex-banqueiro.

    Como mostrou a Folha , sob a gestão de Zettel, a Igreja da Lagoinha teve uma movimentação atípica de R$ 57 milhões entre 24 de dezembro de 2024 e 8 de dezembro de 2015, sendo que seu faturamento anual é de R$ 950 mil.

    Imagem da matéria
    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Em ofício enviado ao presidente do STF, Edson Fachin, Moraes mencionou que Mendonça não havia tornado público o material do Coaf, "que possui elementos essenciais" para o julgamento desta terça-feira (15).

    O plenário se reúne para debater a crise inédita que se abateu sobre a corte desde que Mendonça expôs mensagens que Vorcaro teria enviado a Moraes e sinalizou disposição para abrir uma investigação contra o colega.

    Fachin pediu manifestação à PGR (Procuradoria-Geral da República), que defendeu que o documento deve ser tornado público , por ser "relevante para que ministro desse tribunal possa compreender a totalidade dos fatores que o tema a ser debatido envolve".

    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A decisão, agora, está com o presidente do Supremo. Fachin puxou para si a relatoria do caso Moraes-Vorcaro e determinou o levantamento do sigilo de todo o caso Master, exceto para situações em que diligências ainda estejam em andamento.

    Ele também determinou que Mendonça remetesse ao seu gabinete os autos dos casos Master e INSS, o que na prática paralisa as apurações e inviabiliza que o relator original tome novas decisões em meio à escalada das tensões.

    Em relação ao processo que contém as quebras de sigilo dos investigados no caso Master, a PF ainda não juntou o relatório de análise de movimentação bancária e financeira com as conclusões a respeito do material. Por isso, o gabinete de Mendonça avalia que o caso ainda deve permanecer sigiloso.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    As principais notícias da semana sobre o cenário jurídico e conteúdos exclusivos

    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/mendonca-mantem-sob-sigilo-mais-de-30-quebras-bancarias-do-master.shtml.

    Imagem 1
    1 / 4

    Ministro André Mendonça em sessão do STF - Adriano Machado - 2.set.26/REUTERS · Adriano Machado - 2.set.26/REUTERS — Foto: UOL

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)