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    Mendonça diz ter sido alvo de “monitoramento ilegal” da PF; entenda

    Ministro afirma que seis relatórios analisaram decisões, relações e possíveis motivações políticas; cúpula da PF foi afastada

    CNN Brasil
    8 de setembro de 2026 às 21:45
    Mendonça diz ter sido alvo de “monitoramento ilegal” da PF; entenda
    Foto: CNN Brasil

    O ministro André Mendonça , do STF (Supremo Tribunal Federal) , afirmou nesta terça-feira (8) ter sido alvo de “monitoramento sistemático” e ilegal pela inteligência da Polícia Federal durante cerca de um mês. A acusação consta da decisão em que Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues , e do diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada .

    Segundo o ministro, a PF produziu ao menos seis relatórios de inteligência entre os dias 3 e 31 de agosto deste ano com análises sobre sua atuação à frente das investigações dos casos Banco Master e fraudes no INSS.

    “Ao menos há mais de 30 dias este relator tem sido monitorado pela Polícia Federal. Trata-se de monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país, o que por si só revela a gravidade da situação” , escreveu Mendonça.

    O ministro André Mendonça em sessão plenária do STF • Bruno Moura/STF · • Bruno Moura/STF
    O ministro André Mendonça em sessão plenária do STF • Bruno Moura/STF · • Bruno Moura/STF — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Os documentos não descrevem, por exemplo, interceptações telefônicas ou vigilância física do ministro. O que Mendonça chama de “monitoramento” é a produção de relatórios que analisavam suas decisões judiciais, a relação dele com outras autoridades e possíveis motivações políticas para atos praticados no exercício do cargo.

    Como já mostrou a CNN , os textos também examinavam o tempo gasto pelo ministro para decidir pedidos da PF , os critérios usados nas investigações e sua relação com integrantes do Supremo e atores políticos.

    Um dos documentos, por exemplo, analisou a relação de Mendonça com o advogado-geral da União, Jorge Messias , e levantou hipóteses para explicar decisões tomadas pela AGU em processos relatados pelo ministro.

    Gilmar defende em pedido de vista que plenário julgue afastamento de Andrei
    Gilmar defende em pedido de vista que plenário julgue afastamento de Andrei — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Outro trecho tratava de uma possível estratégia de “recomposição de forças” dentro do Supremo e fazia inferências sobre as motivações de Mendonça. O próprio relatório, porém, classificava parte dessa cadeia de raciocínio como de baixa confiança.

    Para Mendonça, a confirmação de que houve monitoramento está também em um trecho de um dos relatórios que afirma que determinada hipótese não autorizaria uma manifestação institucional ou providência formal, mas permitiria “monitoramento e coleta dirigida” .

    “Se evidencia a efetiva realização de MONITORAMENTO e COLETA DIRIGIDA sobre a pessoa deste Ministro do Supremo Tribunal Federal e sobre a pessoa do Advogado-Geral da União” , afirmou.

    Voto de Kassio anima Mendonça e preocupa governo e Moraes
    Voto de Kassio anima Mendonça e preocupa governo e Moraes — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Mendonça também questionou a validade dos documentos. Na decisão, classificou os relatórios como apócrifos, por não apresentarem elementos como identificação clara de autoria e data de produção, e afirmou haver problemas técnicos na forma como foram elaborados.

    Os próprios documentos registram que são materiais de trabalho “sem valor probatório” . Também afirmam que não imputam infrações a magistrados ou outras autoridades, não constituem representação e não substituem uma peça processual própria.

    Mendonça sustenta, por isso, que o material não poderia ter sido usado para fundamentar acusações criminais contra ele.

    Novo pede a Fachin prisão preventiva de Andrei Rodrigues
    Novo pede a Fachin prisão preventiva de Andrei Rodrigues — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Os relatórios vieram a público na semana passada.

    Depois de Mendonça retirar, em 1º de setembro, o sigilo de documentos da investigação do Banco Master com informações sobre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes , o ministro tornou públicos relatórios de inteligência da PF sobre o colega e os utilizou para apontar “fortes indícios” de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de Mendonça nas operações Sem Desconto e Compliance Zero .

    Mendonça afirma, porém, que Moraes já sabia da existência dos relatórios antes de recebê-los formalmente.

    Voto de Kassio anima Mendonça e preocupa governo e Moraes
    Voto de Kassio anima Mendonça e preocupa governo e Moraes — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    “Isso significa que, ademais da produção ilícita dos ‘documentos’, foi dada ciência das suas existências a outro Ministro para que este subscritor fosse incluído no Inquérito das Fake News” , escreveu.

    A decisão de hoje, porém, não afirma que Moraes tenha determinado a produção dos relatórios nem que tenha participado do suposto monitoramento.

    Os seis relatórios questionados por Mendonça não são o mesmo documento da PF que analisou o celular de Daniel Vorcaro .

    Gilmar defende em pedido de vista que plenário julgue afastamento de Andrei
    Gilmar defende em pedido de vista que plenário julgue afastamento de Andrei — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O relatório sobre o ex-banqueiro tem 218 páginas e foi entregue a Mendonça depois que o ministro determinou à PF que identificasse integrantes de uma suposta rede de influência e monitoramento atribuída ao fundador do Banco Master.

    Esse documento reúne mensagens, registros de chamadas, arquivos e contratos extraídos do celular de Vorcaro e traz referências a Moraes, ao procurador-geral da República, Paulo Gonet , e ao próprio Andrei Rodrigues . Já os seis relatórios de inteligência questionados agora analisavam a atuação de Mendonça e de outras autoridades.

    Diante do que chamou de gravidade dos fatos, Mendonça determinou nesta terça o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do comando da PF e de Leandro Almada da Costa da Diretoria de Inteligência Policial.

    Novo pede a Fachin prisão preventiva de Andrei Rodrigues
    Novo pede a Fachin prisão preventiva de Andrei Rodrigues — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O ministro afirmou haver, em análise preliminar, indícios de omissão, participação ou conhecimento sobre a elaboração dos relatórios por integrantes da cúpula responsável pela área de inteligência da corporação.

    Segundo Mendonça, a permanência dos dois nos cargos poderia permitir acesso antecipado a diligências, influência sobre pessoas chamadas a depor ou interferência na coleta e preservação de provas.

    O ministro também mandou a Corregedoria da PF abrir procedimentos de natureza penal e administrativo-disciplinar.

    A investigação deverá esclarecer quem determinou a produção dos relatórios, quem os elaborou, quando e em quais circunstâncias foram produzidos e se existem outros documentos com a mesma finalidade.

    Mendonça ainda suspendeu a produção e o compartilhamento, mesmo internamente, de relatórios de inteligência destinados a analisar atos praticados por magistrados, integrantes da advocacia pública e policiais no exercício de suas funções.

    A decisão foi submetida à Segunda Turma do STF para referendo em sessão virtual extraordinária nesta terça-feira. Em poucos minutos, formou-se maioria pelo afastamento temporário, mas um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes suspendeu a conclusão do julgamento. O decano defendeu que a medida contra Andrei Rodrigues seja analisada pelo plenário do STF .

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/politica/mendonca-diz-ter-sido-alvo-de-monitoramento-ilegal-da-pf-entenda/.

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    O ministro André Mendonça em sessão plenária do STF • Bruno Moura/STF · • Bruno Moura/STF — Foto: CNN Brasil

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