Política

    Mendonça diz que relatórios da PF configuram “arapongagem institucional”

    Ministro afirma ter sido monitorado pela corporação por mais de 30 dias e afastou diretor-geral e chefe da Inteligência

    Poder360
    8 de setembro de 2026 às 13:22
    Mendonça diz que relatórios da PF configuram “arapongagem institucional”
    Foto: Poder360

    Ministro afirma ter sido monitorado pela corporação por mais de 30 dias e afastou diretor-geral e chefe da Inteligência

    O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal , afirmou que relatórios produzidos pela inteligência da Polícia Federal configuram uma espécie de “arapongagem institucional” . Segundo o magistrado, os documentos mostram que ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias, foram alvo de “monitoramento e coleta dirigida” por mais de 30 dias. Leia a íntegra (PDF – 296 KB).

    A afirmação consta de decisão desta 3ª feira (8.set.2026), em que Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues , e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. O ministro também determinou a abertura de investigações criminal e administrativo-disciplinar para apurar a produção dos relatórios.

    O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), devolveu para julgamento nesta terça-feira (16) os processos sobre as prisões do empresário Felipe Cançado Vorcaro e de Henrique Vorcaro, primo e pai do banqueiro Daniel Vorcaro.
    O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), devolveu para julgamento nesta terça-feira (16) os processos sobre as prisões do empresário Felipe Cançado Vorcaro e de Henrique Vorcaro, primo e pai do banqueiro Daniel Vorcaro. — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

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    Mendonça afirmou que pelo menos 6 documentos foram produzidos de 3 a 31 de agosto. Segundo ele, os relatórios analisavam sua atuação como ministro do Supremo e também a conduta de Jorge Messias, além de decisões judiciais e a atuação de integrantes do Judiciário e da própria Polícia Federal.

    Para Mendonça, os documentos não têm características de relatórios regulares de inteligência. O ministro afirma que são “apócrifos”, sem timbre ou elementos gráficos que permitam verificar sua autoria e a data de elaboração.

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    Os próprios documentos, segundo a decisão, classificavam o conteúdo como de “difusão restrita” e “documento de trabalho” , além de afirmarem que não tinham valor probatório. Também indicavam “confiança agregada baixa” e diziam que as conclusões eram baseadas em cadeias inferenciais e prognoses subjetivas.

    O documento teria analisado, entre outros pontos, a decisão da AGU de não recorrer de decisões relacionadas às operações “Sem Desconto” e “Compliance Zero” .

    O relatório teria especulado que a postura da AGU poderia estar relacionada à intenção de preservar uma “relação política com o relator” . O documento também faria análises sobre o perfil político e religioso de Mendonça e Messias e sobre possíveis estratégias para a composição do STF.

    O ministro afirmou que a inteligência da PF também produziu análises sobre decisões judiciais e sobre a atuação de delegados e agentes da corporação. Um dos documentos teria feito uma análise “correicional” de uma funcionária pública.

    Ao determinar os afastamentos, Mendonça afirmou que a permanência de Andrei Rodrigues e Leandro Almada nos cargos poderia comprometer as investigações. Segundo o ministro, ambos têm acesso a informações, sistemas e funcionários que poderiam permitir interferência na apuração dos fatos.

    A decisão determina que a Corregedoria da PF investigue as circunstâncias da produção dos relatórios, incluindo quem determinou sua elaboração, quem participou da produção, quando foram feitos e se existem outros documentos semelhantes.

    Mendonça também suspendeu a produção, elaboração e compartilhamento, inclusive internamente, de relatórios de inteligência destinados a analisar atos praticados no exercício das funções constitucionais de magistrados, da advocacia pública e da polícia judiciária.

    O ministro afirmou que a atividade de inteligência não pode ser utilizada para interesses particulares e deve respeitar direitos fundamentais e os valores democráticos.

    A decisão será submetida à análise da 2ª Turma do STF. Mendonça pediu ao presidente do colegiado, ministro Luiz Fux, a realização de uma sessão virtual extraordinária nesta 3ª feira (8.set), das 10h às 23h59, para referendar as medidas.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-justica/mendonca-diz-que-relatorios-da-pf-configuram-arapongagem-institucional/.

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    O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), devolveu para julgamento nesta terça-feira (16) os processos sobre as prisões do empresário Felipe Cançado Vorcaro e de Henrique Vorcaro, primo e pai do banqueiro Daniel Vorcaro. — Foto: Poder360

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