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    Mendonça defende mudanças no STF e diz que Judiciário não deve 'inovar' em decisões

    O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça defendeu em entrevista divulgada nesta sexta-feira (14) que sejam implementadas mudanças na corte e afirmou que o tribunal não pode ter um "papel criativo de inovar na ordem jurídica", mas que algumas decisões têm representado isso. Leia mais (08/14/2026 - 17h19)

    Folha de S.Paulo
    14 de agosto de 2026 às 20:19
    Mendonça defende mudanças no STF e diz que Judiciário não deve 'inovar' em decisões
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    O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça defendeu em entrevista divulgada nesta sexta-feira (14) que sejam implementadas mudanças na corte e afirmou que o tribunal não pode ter um "papel criativo de inovar na ordem jurídica", mas que algumas decisões têm representado isso.

    O ministro André Mendonça, do STF - Adriano Machado - 12.ago.26/Reuters · Adriano Machado - 12.ago.26/Reuters
    O ministro André Mendonça, do STF - Adriano Machado - 12.ago.26/Reuters · Adriano Machado - 12.ago.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Mendonça também disse discordar da avaliação de que o Supremo está sob ameaça, ideia compartilhada por alguns de seus colegas, e afirmou ser "perfeitamente natural" que o Congresso Nacional queira fazer reformas no Judiciário e especificamente no STF.

    O ministro deu as declarações ao podcast do Iter, instituto criado por ele, em sua primeira entrevista desde que assumiu uma vaga no Supremo, em 2021. Ele foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro ( PL ).

    A gravação foi feita em 27 de julho, antes de Mendonça decidir abrir duas investigações a pedido da Polícia Federal para apurar suspeitas de tráfico de influência por parte do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha , filho do presidente Lula (PT).

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    Na entrevista, André Mendonça também declarou apoio à proposta de um código de conduta para ministros e disse esperar que o presidente da corte, Edson Fachin , tenha sucesso na "empreitada".

    "A gente pode discutir um pouco a modelagem [da proposta], mas é importante. É uma sinalização para a sociedade. Eu não tenho restrição alguma, a matéria alguma do que possa constar no código de ética, qualquer tipo de limitação, de atividade, eu estou à disposição para apoiar", afirmou.

    Hoje a corte está dividida em relação à iniciativa encampada por Fachin e mesmo magistrados que sinalizam ser favoráveis às novas regras apontam que o momento de discussão talvez não seja o ideal. Isso porque o Supremo enfrenta sua maior crise de imagem, que se agravou após serem reveladas conexões entre ministros e o Banco Master .

    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Mendonça é o relator do caso que investiga as fraudes bilionárias na instituição de Daniel Vorcaro e também está à frente da apuração sobre os descontos ilegais em aposentadorias do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

    Ele defendeu que os dois inquéritos não devem ser politizados. "Até porque a corrupção, o dinheiro, ele não tem cor partidária, nem ideologia partidária, ele alcança as pessoas, independentemente de uma vertente política ou de outra", disse.

    "Meu papel é ser imparcial. E o quanto mais eu me manter nesse eixo, eu acho que vou corresponder àquilo que a Constituição e a própria sociedade esperam de mim", completou.

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    Além do código de conduta, Mendonça disse ser a favor de retirar do STF a competência originária de ações penais, o que elencou como um ponto que causa "grande parte da crise entre os Poderes", e discutir uma possível limitação das partes que podem acionar a corte, transferindo parte dessa responsabilidade para o STJ (Superior Tribunal de Justiça).

    "Não tem precedentes em grandes países de um tribunal constitucional que ao mesmo tempo é a instância originária de investigação e persecução e julgamento de ilícito penal. Até fazer uma revisão na decisão de uma instância inferior em matéria criminal, mas não ser a instância que processa", disse.

    A proposta de restringir o rol de quem pode propor ações junto ao STF é inclusive defendida pelo presidente do Senado , Davi Alcolumbre ( União Brasil -AP), como uma forma de frear questionamentos a leis aprovadas, e está no plano de governo do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

    Mendonça disse que qualquer associação "que consegue se organizar minimamente" tem legitimidade para acionar o tribunal e propôs alterar a regra também para os partidos.

    "Para questionar uma lei do próprio Congresso Nacional um único representante pode ir diretamente ao tribunal. É [fazer] uma melhor equalização, talvez um número mínimo de representantes, não de um partido, mas talvez de uma composição partidária", disse.

    O ministro do STF também voltou a pregar uma de suas principais bandeiras na corte: a autocontenção do Judiciário. Afirmou que um "ativismo" do Poder causa o enfraquecimento do Executivo e do Legislativo, que "sentem confortáveis por achar que o Judiciário lá na frente vai resolver ou vai decidir, sem que eles tenham que se desgastar".

    "O Judiciário é marcado pela vitaliciedade dos seus membros. Se ele inova na ordem jurídica, a sociedade não tem condições de dizer: 'Eu não concordo, então eu vou renovar os meus representantes'. Ela pode fazer isso no Executivo e no Legislativo, no Judiciário não", disse, em meio às articulações da oposição para eleger uma bancada no Senado para aprovar o impeachment de ministros do STF a partir de 2027.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/08/mendonca-defende-mudancas-no-stf-e-diz-que-judiciario-nao-deve-inovar-em-decisoes.shtml.

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    O ministro André Mendonça, do STF - Adriano Machado - 12.ago.26/Reuters · Adriano Machado - 12.ago.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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