Melhor Ideb em 20 anos conta a história da educação brasileira
Há 20 anos, o Brasil decidiu criar um indicador capaz de responder a uma questão fundamental: como estava e para onde caminhava a educação brasileira? Leia mais (08/23/2026 - 22h00)

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Há 20 anos, o Brasil decidiu criar um indicador capaz de responder a uma questão fundamental: como estava e para onde caminhava a educação brasileira?
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica ( Ideb ) nasceu dessa preocupação. Ao combinar aprendizagem e trajetória escolar, o Ideb deu ao país uma referência comum para estabelecer metas, acompanhar redes de ensino e orientar a ação do Estado.
Por isso, olhar para o Ideb, cujo resultado do último ciclo é o melhor da série histórica, é também olhar para a história recente da educação brasileira .

O ponto de partida era um sistema marcado por três problemas crônicos: acesso, trajetória e aprendizagem.
Ainda havia muitos brasileiros e brasileiras fora da escola; reprovação, atraso e abandono interrompiam percursos; e os níveis de aprendizagem eram baixos e profundamente desiguais. Como resposta a essas chagas, nasce um pacto entre o Estado brasileiro e a sociedade civil: transformar a educação em política de Estado.
O Fundeb , criado em 2007, ampliou e redistribuiu o financiamento da educação básica. O Plano de Desenvolvimento da Educação articulou avaliação, formação e valorização dos professores, infraestrutura e colaboração entre governo federal, estados e municípios. Em 2008, criamos o piso do magistério, que garantiu, durante esse período, ganho real ao salário dos professores. Com a emenda constitucional 59, de 2009, a escolaridade obrigatória e gratuita passou a ser dos 4 aos 17 anos, sendo antes apenas dos 7 aos 14 anos.

O Ideb completou essa arquitetura institucional ao permitir identificar, com critérios objetivos, as escolas e os territórios que mais precisavam do apoio do poder público. Os resultados aparecem na própria trajetória do índice. O ensino fundamental tornou-se praticamente universal. As trajetórias escolares melhoraram. A aprendizagem avançou consideravelmente. Nos anos iniciais, o Ideb passou de 3,8, em 2005, para 6,3, em 2025. A proficiência no Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) avançou o equivalente a mais de três anos de aprendizagem, aproximadamente.
A franca evolução, porém, mascara uma grave interrupção nos caminhos da educação brasileira. Entre 2016 e 2021, a função educação no Orçamento do Executivo federal perdeu o equivalente a R$ 100 bilhões, em valores corrigidos. Educação exige continuidade e compromisso político. Quando os recursos são comprimidos dessa forma, o país perde capacidade de apoiar suas redes, reduzir desigualdades e planejar o futuro.
Desde 2023, retomamos a capacidade de coordenação federativa e os investimentos. Construímos políticas de alfabetização e permanência, ampliamos recursos em infraestrutura e recolocamos a valorização dos professores e a educação integral no centro da agenda.

Essa retomada acontece em um Brasil diferente daquele de 20 anos atrás. Avançamos muito no acesso e na trajetória escolar, além de progredirmos na aprendizagem, o que nos possibilita estabelecer uma ambição maior para os próximos ciclos.
Agora, a prioridade será garantir aprendizagem com equidade. Não podemos falar em educação de qualidade enquanto o CEP, a renda ou a cor determinarem quais serão as oportunidades de uma criança aprender.
O próximo salto da educação brasileira dependerá da capacidade de fazer os avanços chegarem a todos. Para isso, precisamos assegurar os recursos para o Programa Nacional de Infraestrutura Escolar , previsto no novo PNE (Plano Nacional de Educação), e combinar professores valorizados, currículos atualizados e expansão da educação integral.

O próprio Ideb aponta esse caminho. Em 2025, escolas com jornada média de sete horas ou mais tiveram resultados superiores nas três etapas avaliadas.
A partir do desafio traçado em 2007, primeiro ciclo do Ideb, provamos que o sonho de garantir educação a todos os brasileiros e brasileiras era possível.
Nos próximos anos, precisamos garantir aprendizagem à altura do que o povo brasileiro espera. TENDÊNCIAS / DEBATES Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/melhor-ideb-em-20-anos-conta-a-historia-da-educacao-brasileira.shtml.

Alunos da Escola Estadual Professor Lourenco Filho, no Planalto Paulista, zona sul de São Paulo - Bruno Santos - 2.fev.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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