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    Melhor Ideb em 20 anos conta a história da educação brasileira

    Há 20 anos, o Brasil decidiu criar um indicador capaz de responder a uma questão fundamental: como estava e para onde caminhava a educação brasileira? Leia mais (08/23/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    24 de agosto de 2026 às 01:00
    Melhor Ideb em 20 anos conta a história da educação brasileira
    Vinte estudantes sentados em carteiras organizadas em fileiras dentro de sala de aula. Todos usam uniforme branco e azul, alguns com mochilas ao lado. Um professor está em pé próximo ao quadro branco na frente da sala, falando para a turma. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Alunos da Escola Estadual Professor Lourenco Filho, no Planalto Paulista, zona sul de São Paulo - Bruno Santos - 2.fev.26/Folhapress
    Alunos da Escola Estadual Professor Lourenco Filho, no Planalto Paulista, zona sul de São Paulo - Bruno Santos - 2.fev.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Há 20 anos, o Brasil decidiu criar um indicador capaz de responder a uma questão fundamental: como estava e para onde caminhava a educação brasileira?

    O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica ( Ideb ) nasceu dessa preocupação. Ao combinar aprendizagem e trajetória escolar, o Ideb deu ao país uma referência comum para estabelecer metas, acompanhar redes de ensino e orientar a ação do Estado.

    Por isso, olhar para o Ideb, cujo resultado do último ciclo é o melhor da série histórica, é também olhar para a história recente da educação brasileira .

    Pandemia causou prejuízo ao aprendizado em toda a educação básica
    Pandemia causou prejuízo ao aprendizado em toda a educação básica — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O ponto de partida era um sistema marcado por três problemas crônicos: acesso, trajetória e aprendizagem.

    Ainda havia muitos brasileiros e brasileiras fora da escola; reprovação, atraso e abandono interrompiam percursos; e os níveis de aprendizagem eram baixos e profundamente desiguais. Como resposta a essas chagas, nasce um pacto entre o Estado brasileiro e a sociedade civil: transformar a educação em política de Estado.

    O Fundeb , criado em 2007, ampliou e redistribuiu o financiamento da educação básica. O Plano de Desenvolvimento da Educação articulou avaliação, formação e valorização dos professores, infraestrutura e colaboração entre governo federal, estados e municípios. Em 2008, criamos o piso do magistério, que garantiu, durante esse período, ganho real ao salário dos professores. Com a emenda constitucional 59, de 2009, a escolaridade obrigatória e gratuita passou a ser dos 4 aos 17 anos, sendo antes apenas dos 7 aos 14 anos.

    Como pais podem apoiar os filhos na preparação para os vestibulares e Enem
    Como pais podem apoiar os filhos na preparação para os vestibulares e Enem — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O Ideb completou essa arquitetura institucional ao permitir identificar, com critérios objetivos, as escolas e os territórios que mais precisavam do apoio do poder público. Os resultados aparecem na própria trajetória do índice. O ensino fundamental tornou-se praticamente universal. As trajetórias escolares melhoraram. A aprendizagem avançou consideravelmente. Nos anos iniciais, o Ideb passou de 3,8, em 2005, para 6,3, em 2025. A proficiência no Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) avançou o equivalente a mais de três anos de aprendizagem, aproximadamente.

    A franca evolução, porém, mascara uma grave interrupção nos caminhos da educação brasileira. Entre 2016 e 2021, a função educação no Orçamento do Executivo federal perdeu o equivalente a R$ 100 bilhões, em valores corrigidos. Educação exige continuidade e compromisso político. Quando os recursos são comprimidos dessa forma, o país perde capacidade de apoiar suas redes, reduzir desigualdades e planejar o futuro.

    Desde 2023, retomamos a capacidade de coordenação federativa e os investimentos. Construímos políticas de alfabetização e permanência, ampliamos recursos em infraestrutura e recolocamos a valorização dos professores e a educação integral no centro da agenda.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Essa retomada acontece em um Brasil diferente daquele de 20 anos atrás. Avançamos muito no acesso e na trajetória escolar, além de progredirmos na aprendizagem, o que nos possibilita estabelecer uma ambição maior para os próximos ciclos.

    Agora, a prioridade será garantir aprendizagem com equidade. Não podemos falar em educação de qualidade enquanto o CEP, a renda ou a cor determinarem quais serão as oportunidades de uma criança aprender.

    O próximo salto da educação brasileira dependerá da capacidade de fazer os avanços chegarem a todos. Para isso, precisamos assegurar os recursos para o Programa Nacional de Infraestrutura Escolar , previsto no novo PNE (Plano Nacional de Educação), e combinar professores valorizados, currículos atualizados e expansão da educação integral.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O próprio Ideb aponta esse caminho. Em 2025, escolas com jornada média de sete horas ou mais tiveram resultados superiores nas três etapas avaliadas.

    A partir do desafio traçado em 2007, primeiro ciclo do Ideb, provamos que o sonho de garantir educação a todos os brasileiros e brasileiras era possível.

    Nos próximos anos, precisamos garantir aprendizagem à altura do que o povo brasileiro espera. TENDÊNCIAS / DEBATES Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/melhor-ideb-em-20-anos-conta-a-historia-da-educacao-brasileira.shtml.

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    Alunos da Escola Estadual Professor Lourenco Filho, no Planalto Paulista, zona sul de São Paulo - Bruno Santos - 2.fev.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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