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    Megaestudo em 34 países mostra como a prática da gratidão impacta na saúde

    Pesquisa com mais de 10 mil voluntários testou intervenções para induzir o sentimento de apreço e reciprocidade

    UOL
    21 de agosto de 2026 às 08:00
    Megaestudo em 34 países mostra como a prática da gratidão impacta na saúde
    Uma mulher jovem e uma mulher idosa estão sentadas juntas em uma cadeira. A mulher jovem, com cabelo castanho e liso, está sorrindo e abraçando a mulher idosa, que tem cabelo grisalho e está usando uma blusa azul clara. Ambas estão olhando — Foto: UOL

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    Práticas para induzir o sentimento de gratidão —como enviar uma mensagem de apreço a alguém ou fazer uma lista de itens pelos quais se é grato– trazem benefícios reais para o humor e as relações sociais.

    Das seis estratégias testadas nos diversos países, a que mais teve efeito foi a que sugeria que a pessoa escrevesse e enviasse uma mensagem para alguém a quem era grata - Goncalo Costa/Adobe Stock · Goncalo Costa/Adobe Stock
    Das seis estratégias testadas nos diversos países, a que mais teve efeito foi a que sugeria que a pessoa escrevesse e enviasse uma mensagem para alguém a quem era grata - Goncalo Costa/Adobe Stock · Goncalo Costa/Adobe Stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Entre os efeitos positivos estão o aumento do otimismo e a redução do sentimento de inveja . Contudo, o impacto varia significativamente dependendo da cultura do país e do tipo de intervenção adotada. É o que revela um estudo global com mais de 10 mil participantes em 34 países, publicado na revista científica PNAS, da Academia de Ciências dos Estados Unidos. No

    Brasil, o projeto contou com a participação de 598 voluntários que responderam às propostas de intervenção via ferramenta online.

    Das seis estratégias testadas nos diversos países, a que mais teve efeito foi a que sugeria que a pessoa escrevesse e enviasse uma mensagem para alguém a quem era grata. Por outro lado, a intervenção que apresentou o menor impacto foi a que costuma ser mais popular: simplesmente fazer uma lista de cinco coisas pelas quais se é grato.

    Perdão pode ajudar na melhora de algumas doenças
    Perdão pode ajudar na melhora de algumas doenças — Foto: UOL · Fonte: UOL

    As outras propostas foram: escrever uma carta a uma pessoa a quem se é grato, mas não enviar; fazer a chamada reflexão de Naikan (escrever sobre três coisas ocorridas na semana anterior, refletindo sobre o que você recebeu, o que você deu e o que mais você poderia fazer para ajudar); pensar e escrever sobre cinco coisas ocorridas no dia anterior sobre as quais se é grato e, em seguida, imaginar como seria a sua vida sem isso; escrever uma carta a Deus, a uma força superior ou a algum tipo de entidade espiritual reconhecendo o que lhe foi dado.

    "Um dos principais resultados a que chegamos é que, no geral, todas as intervenções propostas funcionaram", comenta o psicólogo Paulo Sérgio Boggio, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Neurociência Social e Afetiva (INCT-Sani). Segundo ele, porém, o maior efeito se deu quando a conexão social explicitamente entrou em jogo. "A questão da conexão social é central."

    Boggio e sua antiga orientanda Beatriz Bezerra de Souza, que teve apoio da Fapesp no mestrado, são os dois coautores brasileiros do artigo. Ao todo, 36 pesquisadores assinam o paper, entre eles o psicólogo experimental Michael McCullough, professor da Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos. O trabalho foi coordenado pelo pesquisador Nicholas Coles, da Universidade da Flórida.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    De acordo com Boggio, todas as seis intervenções para induzir gratidão produziram mais impacto do que as três práticas de controle, que consistiam em apenas responder a um questionário; escrever genericamente sobre um evento passado; ou escrever sobre eventos recentes interessantes. "Para a intervenção ser melhor, produzir mais efeito, ela tem de ser mais do que simplesmente pensar em uma coisa boa", diz.

    Os autores verificaram que as intervenções de gratidão levaram a melhoras imediatas e mensuráveis de estados psicológicos ligados ao chamado florescimento humano. Foram observados um aumento no afeto positivo e no sentimento de reciprocidade social, uma redução no afeto negativo, uma maior satisfação com a vida e otimismo e uma redução no sentimento de inveja.

    Embora tenha havido variação relacionada às diferentes intervenções, a oscilação maior se deu na comparação entre os países.

    Enquanto se registrou um impacto maior das práticas no México, na Noruega o efeito foi quase nulo. O Brasil, de acordo com o estudo, ficou no meio da escala. Rigidez ou flexibilidade cultural, distância do poder –conceito que reflete o quanto uma sociedade aceita e naturaliza a desigualdade hierárquica e social– e religiosidade da população interferiram no grau de impacto das medidas propostas. Alguns efeitos das práticas de gratidão também se mostraram mais universais que outros. Sentir-se mais positivo, por exemplo, foi um efeito quase universal das intervenções.

    De acordo com Boggio, o estudo se insere em uma discussão sobre por que, do ponto de vista evolutivo, as pessoas sentem gratidão. "A gratidão é uma emoção com componente social muito forte. Sentir-se grato aumenta a probabilidade de você ajudar outras pessoas, e não necessariamente a pessoa que te ajudou", afirma. "Isso gera uma espiral de ajuda entre as pessoas, não obrigatoriamente porque há uma expectativa de ganho direto."

    A gratidão é uma emoção com componente social muito forte. Sentir-se grato aumenta a probabilidade de você ajudar outras pessoas, e não necessariamente a pessoa que te ajudou

    Um dos efeitos medidos no estudo foi o do sentimento de reciprocidade. "O nosso ‘obrigado’ pode ser entendido de várias formas. Uma delas é que sou obrigado a ser recíproco, a fazer o bem para o outro, a devolver", comenta o pesquisador.

    "Tanto que há pessoas que, quando recebem algo pelo qual ficam muito gratas, vivenciam a experiência positiva e, ao mesmo tempo, a sensação de estar em dívida." De acordo com Boggio, a gratidão ajuda a formar laços e conexões.

    Agora os pesquisadores buscam entender se a grande variação nas respostas entre os países está ligada às características locais das normas sociais ou se é preciso ainda encontrar uma forma de induzir gratidão por meio de intervenções que funcionem para determinado país. "Como podemos induzir gratidão na Noruega? E no Japão?", afirma, citando alguns dos países onde se registrou pouco impacto das práticas.

    Boggio ressalta que esse grande estudo feito com a colaboração de diversos países é importante para buscar escapar da concentração de dados provenientes dos ditos países ocidentais, em geral dos Estados Unidos. "Mais ou menos 50% dos estudos de gratidão têm origem norte-americana. A ideia foi fugir um pouco disso e aplicar o teste em países com uma grande variação cultural."

    Todos os dados brutos da pesquisa podem ser encontrados no site da Open Science Foundation .

    O artigo A multinational megastudy of the effects of gratitude practices on subjective well-being pode ser lido em: pnas.org/doi/10.1073/pnas.2537789123 .

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2026/08/megaestudo-em-34-paises-mostra-como-a-pratica-da-gratidao-impacta-na-saude.shtml.

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