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    Medo de ladrão: taxistas imploram para passageiro guardar celular no carro

    Taxistas tem feito pedidos insistentes para passageiros não usarem o celular dentro do carro diante do receio de ataque por parte de ladrões

    Metrópoles
    31 de agosto de 2026 às 05:45
    Medo de ladrão: taxistas imploram para passageiro guardar celular no carro
    Foto: Metrópoles

    Vidros quebrados, dias sem trabalho, entre outros prejuízos financeiros e emocionais têm levado taxistas a fazer um apelo ao passageiro: não use celular dentro do carro . O medo de sofrer ataques de ladrões transformou aquilo que era uma mera recomendação em um pedido insistente para evitar transtornos.

    Gangues do quebra-vidro ou criminosos em “carreira solo” atuam na cidade de São Paulo como um todo e taxistas, assim como motoristas por aplicativo, se veem obrigados a criar até mesmo algum atrito com o cliente para evitar um assalto.

    Atualmente, o celular é uma extensão do trabalho e muita gente aproveita o táxi para antecipar tarefas e tornar o dia mais produtivo, em um momento em que está parado no banco traseiro de um veículo. Mas o risco de ter o aparelho levado por bandidos é real .

    William Cardoso/Metrópoles
    William Cardoso/Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Em um ano, a taxista Luciana Malheiros perdeu dois vidros por causa da ação de ladrões . Em um dos casos, ainda alertou a vítima pouco antes do bote dado pelo criminoso. “Disse para a mocinha desligar o celular, ela falou que estava desligando, mas não deu nem tempo”, afirma.

    Luciana diz que só a substituição do vidro custou quase R$ 500. “A seguradora dá o vidro, mas demora sete dias. Você acaba comprando do próprio bolso para não ficar parada”, diz. O taxista Luiz Evandro passou 24 dos seus 62 anos guiando o carro pelas ruas paulistanas. Também foi alvo de ladrões e diz que, além do vidro, perdeu foram vários dias de trabalho, em um prejuízo total estimado em cerca de R$ 1.000.

    “Quebraram o vidro no sábado à noite, faltando duas horas para eu terminar o trabalho. No domingo, iria trabalhar para compensar um dia. Na segunda, não trabalhei. Só na terça à tarde fui trabalhar. Além de pagar o vidro, deixei de trabalhar”, afirma.

    Imagens mostram táxis em Congonhas; taxistas - Metrópoles
    Imagens mostram táxis em Congonhas; taxistas - Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Segundo ele, apesar dos pedidos enfáticos para que o celular fique no bolso ou na bolsa, muitos passageiros são insistentes no uso. “[Dizem]Eu sei, mas eu preciso trabalhar.”, diz.

    A suspeita do taxista Custódio Caetano Pinto, de 67 anos, é a de que um limpador de vidros foi o responsável por quebrar o menor dos vidros traseiros de seu carro e tomar o celular de um passageiro. “Deu o golpe certinho. Foi na mão do senhor de idade”.

    Com 26 anos na praça, Pinto alerta os clientes sobre os riscos sempre que necessário. “Recomendo não usar de jeito nenhum, principalmente nos bairros de periferia ou lugar de perigo”, diz.

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    Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A Secretaria da Segurança Pública ( SSP ) não dispõe de dados específicos sobre roubos e furtos de celular envolvendo exclusivamente taxistas.

    De forma geral, como mostrou o anuário publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública ( FBSP ), a cidade de São Paulo tem a terceira maior taxa de celulares levados por ladrões no Brasil . No ano passado, a capital paulista registrou 1.390,5 celulares levados por ladrões para cada 100 mil habitantes, índice quase quatro vezes superior à média nacional, de 371,2.

    A SSP diz que as Polícias Civil e Militar atuam de forma integrada no combate aos crimes patrimoniais em São Paulo.

    “O enfrentamento aos roubos e furtos de celulares na capital foi intensificado com ações de inteligência, investigação e policiamento ostensivo, incluindo operações específicas contra a modalidade ‘quebra-vidro’, de prevenção a abordagens a motoristas e reforço da segurança nas vias com mais ocorrências”, diz, em nota.

    A SSP também afirma que, no primeiro semestre deste ano, os roubos de celulares na capital caíram 14,8% em relação ao mesmo período de 2025. Desde junho de 2025, mais de 31,9 mil celulares foram recuperados no Estado pelo SP Mobile, programa que localiza aparelhos roubados ou furtados quando ativados por terceiros, muitos deles sem saber da origem ilícita, dos quais cerca de 33% já foram devolvidos aos proprietários.

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    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/sao-paulo/medo-de-ladrao-taxistas-imploram-para-passageiro-guardar-celular-no-carro.

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