Medo de IA destruir empregos é global; pesquisas mostram onde impacto já aparece
Pesquisas recentes mostram que a preocupação aparece em diferentes regiões do mundo e em diversos recortes do mercado de trabalho O post Medo de IA destruir empregos é global; pesquisas mostram onde impacto já aparece apareceu primeiro em Olhar Digital .

O medo de que a inteligência artificial (IA) se transforme em uma “destruidora de empregos” não está restrito a poucos países ou grupos de trabalhadores. Pesquisas recentes mostram que a preocupação aparece em diferentes regiões do mundo e em diversos recortes do mercado de trabalho .
Ao mesmo tempo, os dados apontam para um cenário que vai além da ideia de uma demissão em massa provocada pela IA . Os primeiros sinais aparecem em mudanças mais silenciosas, especialmente na entrada de jovens no mercado de trabalho e na maneira como empresas adotam e controlam o uso dessas ferramentas.
Uma análise revisada do Stanford Digital Economy Lab , baseada em dados de folha de pagamento da ADP que abrangem milhões de trabalhadores estadunidenses até junho de 2026, encontrou sinais de impacto especialmente entre os profissionais mais jovens.

Segundo o estudo, o emprego de trabalhadores de 22 a 25 anos em ocupações muito expostas à IA está 19% abaixo do esperado , na comparação com jovens que trabalham em funções menos expostas à tecnologia.
Os próprios autores fazem uma ressalva importante: isso não significa que 19% desses trabalhadores tenham perdido seus empregos por causa da IA . Os dados também não comprovam uma relação de causalidade, já que outros fatores econômicos podem ter influenciado os resultados.
O padrão observado parece estar mais relacionado a menos contratações do que a um aumento expressivo nas demissões. Na prática, a mudança pode estar aparecendo primeiro na porta de entrada das empresas.

Entre profissionais mais experientes, o estudo não encontrou uma diferença comparável. Em algumas funções, o nível de emprego permaneceu estável ou chegou a crescer.
Outro estudo, conduzido pelo Stanford SALT Lab , analisou como os chamados agentes de IA podem alterar o trabalho de aproximadamente 70 milhões de pessoas nos Estados Unidos .
Os pesquisadores ouviram 1,5 mil profissionais de 104 ocupações e analisaram 844 tarefas , buscando entender não apenas o que a IA é capaz de fazer, mas também quais atividades os próprios trabalhadores estariam dispostos a delegar às máquinas.

Em 46,1% das tarefas , os trabalhadores avaliaram positivamente a possibilidade de automação, principalmente quando ela poderia liberar tempo para atividades consideradas mais importantes.
Essa distinção é central para o estudo: uma coisa é perguntar o que a IA consegue fazer ; outra é saber o que as pessoas querem entregar para ela . As duas respostas nem sempre são iguais.
Em muitas ocupações, o modelo preferido pelos trabalhadores é o de “parceria” , com humanos e IA dividindo as tarefas, em vez de entregar todo o trabalho para a máquina.

A pesquisa também sugere uma mudança na importância relativa de determinadas habilidades. Tarefas ligadas ao processamento de informações , como atualizar conhecimentos e analisar dados, podem perder espaço proporcionalmente, enquanto atividades relacionadas à coordenação, interação e tomada de decisão tendem a exigir maior participação humana.
Uma pesquisa da Deloitte UK , que ouviu 25 mil trabalhadores , mostra outro aspecto da transformação: a adoção de ferramentas de IA dentro das empresas nem sempre acontece de maneira oficial.
Segundo o levantamento, 63% dos trabalhadores usam IA generativa no trabalho e quase um quarto afirma utilizar essas ferramentas diariamente.

Entre os usuários, 31% dizem usar IA sem que o empregador saiba . É o chamado shadow AI, situação em que ferramentas de IA passam a fazer parte da rotina profissional sem necessariamente estarem previstas ou autorizadas pelas regras da empresa.
O levantamento também aponta que quase metade dos trabalhadores, 49% , não recebeu treinamento formal para utilizar IA de maneira segura e eficaz. Isso pode aumentar o risco de informações internas serem enviadas inadvertidamente para serviços externos.
Os dados indicam, portanto, que simplesmente liberar ou bloquear ferramentas de IA pode não ser suficiente. Para as empresas, o desafio também envolve entender onde a tecnologia está sendo usada e quais tarefas realmente se beneficiam dela .
Os diferentes levantamentos ajudam a explicar por que a IA provoca preocupação em tantas partes do mundo. Quando a tecnologia é percebida como uma ameaça ao próprio trabalho e à renda familiar, seus possíveis benefícios podem não ser suficientes para eliminar o receio.
Parte desse cenário também está relacionada à maneira como a própria indústria de IA apresentou suas tecnologias nos últimos anos. Na tentativa de demonstrar aos investidores o potencial dos produtos, executivos, como Sam Altman, da OpenAI, e Dario Amodei, da Anthropic , falaram sobre a possibilidade de a IA substituir profissões inteiras e representar nova revolução industrial.
Esse discurso ajudou a destacar o potencial econômico da tecnologia, mas também alimentou preocupações sobre o futuro do trabalho.
Agora, pesquisas realizadas em diferentes países mostram que o receio já faz parte da percepção pública sobre a IA, enquanto estudos sobre o mercado de trabalho começam a identificar mudanças, especialmente entre trabalhadores jovens, e nas tarefas que empresas e profissionais estão dispostos a delegar às máquinas.
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/09/20/inteligencia-artificial/medo-de-ia-destruir-empregos-e-global-pesquisas-mostram-onde-impacto-ja-aparece/.

Outro estudo analisou como os chamados agentes de IA podem alterar o trabalho de aproximadamente 70 milhões de pessoas nos Estados Unidos – mayam_studio / Shutterstock — Foto: Olhar Digital
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