Medindo a piora das contas públicas em ano eleitoral
É inglória a tarefa assumida pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan , de defender a política orçamentária do governo e prometer responsabilidade no caso de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ). Leia mais (08/23/2026 - 22h00)

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É inglória a tarefa assumida pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan , de defender a política orçamentária do governo e prometer responsabilidade no caso de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ).
Diante da trajetória alarmante de endividamento público, visível a qualquer observador, o Executivo começa mal o debate quando se recusa a reconhecer a gravidade dos números.
Não há, além disso, um ajuste sério pelo lado das despesas. A aparente melhora do saldo primário (excluindo juros ) oficial nos últimos anos resultou sobretudo de aumento de arrecadação e de exclusões crescentes de gastos das metas fiscais, artifício que mascara o desequilíbrio real.

Os dados da Instituição Fiscal Independente (IFI) , ligada ao Senado , mostram a continuidade de uma trajetória de piora. Neste ano, as receitas primárias do governo federal avançaram 5,6% acima da inflação, enquanto as despesas cresceram 6,3%, ampliando o déficit efetivo para R$ 81,2 bilhões —R$ 10,9 bilhões a mais que no mesmo período de 2025.
Para o ano, a IFI projeta déficit efetivo de 0,4% do PIB (cerca de R$ 52 bilhões), ao passo que a meta fixada pela Lei de Diretrizes Orçamentárias é um superávit de 0,25% do produto. O cumprimento formal só será possível graças a exclusões de R$ 62,8 bilhões em gastos, além do uso do intervalo de tolerância.
Tais resultados, contudo, não revelam com clareza se a política fiscal é expansionista ou contracionista. Para isso, a IFI calcula o saldo primário estrutural: o resultado convencional descontado dos efeitos do ciclo econômico, de eventos não recorrentes e das flutuações do preço do petróleo sobre royalties.

Sob Lula 3, o déficit estrutural, que havia recuado para 0,7% do PIB nos quatro trimestres encerrados em junho de 2025, saltou para 1,4% do PIB no período correspondente deste 2026 —o rombo duplicou, portanto.
O resultado convencional, na mesma base de comparação, passou de superávit de 0,1% para déficit de 1,1% do PIB, com o componente estrutural respondendo pela maior parte da piora.
Também é possível estimar o impacto na economia por meio da medida de impulso fiscal. Em relação à demanda total, a política passou de levemente contracionista em 2025 para expansionista em 0,6 a 0,9 ponto do PIB neste ano eleitoral, impulsionada pela maior execução discricionária no período. Novos programas de crédito subsidiado também contribuem para o estímulo.
A tese de Durigan de que o recente aumento da dívida se deve aos juros , não ao déficit primário, é incompleta, para dizer o mínimo. A dinâmica dos juros é influenciada pelos gastos que avançam a ritmo próximo de 6% ao ano em termos reais, pressionam a inflação e impedem o afrouxamento da política monetária.
Ao não reconhecer os problemas, ademais, o governo alimenta a incerteza quanto a um ajuste, o que também pesa nos juros.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/medindo-a-piora-das-contas-publicas-em-ano-eleitoral.shtml.

Dario Durigan, ministro da Fazenda - Evaristo Sá - 29.jun.26/AFP · Evaristo Sá - 29.jun.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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