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    Medindo a piora das contas públicas em ano eleitoral

    É inglória a tarefa assumida pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan , de defender a política orçamentária do governo e prometer responsabilidade no caso de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ). Leia mais (08/23/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    24 de agosto de 2026 às 01:00
    Medindo a piora das contas públicas em ano eleitoral
    Homem de barba e cabelo curto fala em evento, gesticulando com a mão direita. Fundo desfocado com texto colorido. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Dario Durigan, ministro da Fazenda - Evaristo Sá - 29.jun.26/AFP · Evaristo Sá - 29.jun.26/AFP
    Dario Durigan, ministro da Fazenda - Evaristo Sá - 29.jun.26/AFP · Evaristo Sá - 29.jun.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    É inglória a tarefa assumida pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan , de defender a política orçamentária do governo e prometer responsabilidade no caso de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ).

    Diante da trajetória alarmante de endividamento público, visível a qualquer observador, o Executivo começa mal o debate quando se recusa a reconhecer a gravidade dos números.

    Não há, além disso, um ajuste sério pelo lado das despesas. A aparente melhora do saldo primário (excluindo juros ) oficial nos últimos anos resultou sobretudo de aumento de arrecadação e de exclusões crescentes de gastos das metas fiscais, artifício que mascara o desequilíbrio real.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os dados da Instituição Fiscal Independente (IFI) , ligada ao Senado , mostram a continuidade de uma trajetória de piora. Neste ano, as receitas primárias do governo federal avançaram 5,6% acima da inflação, enquanto as despesas cresceram 6,3%, ampliando o déficit efetivo para R$ 81,2 bilhões —R$ 10,9 bilhões a mais que no mesmo período de 2025.

    Para o ano, a IFI projeta déficit efetivo de 0,4% do PIB (cerca de R$ 52 bilhões), ao passo que a meta fixada pela Lei de Diretrizes Orçamentárias é um superávit de 0,25% do produto. O cumprimento formal só será possível graças a exclusões de R$ 62,8 bilhões em gastos, além do uso do intervalo de tolerância.

    Tais resultados, contudo, não revelam com clareza se a política fiscal é expansionista ou contracionista. Para isso, a IFI calcula o saldo primário estrutural: o resultado convencional descontado dos efeitos do ciclo econômico, de eventos não recorrentes e das flutuações do preço do petróleo sobre royalties.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Sob Lula 3, o déficit estrutural, que havia recuado para 0,7% do PIB nos quatro trimestres encerrados em junho de 2025, saltou para 1,4% do PIB no período correspondente deste 2026 —o rombo duplicou, portanto.

    O resultado convencional, na mesma base de comparação, passou de superávit de 0,1% para déficit de 1,1% do PIB, com o componente estrutural respondendo pela maior parte da piora.

    Também é possível estimar o impacto na economia por meio da medida de impulso fiscal. Em relação à demanda total, a política passou de levemente contracionista em 2025 para expansionista em 0,6 a 0,9 ponto do PIB neste ano eleitoral, impulsionada pela maior execução discricionária no período. Novos programas de crédito subsidiado também contribuem para o estímulo.

    A tese de Durigan de que o recente aumento da dívida se deve aos juros , não ao déficit primário, é incompleta, para dizer o mínimo. A dinâmica dos juros é influenciada pelos gastos que avançam a ritmo próximo de 6% ao ano em termos reais, pressionam a inflação e impedem o afrouxamento da política monetária.

    Ao não reconhecer os problemas, ademais, o governo alimenta a incerteza quanto a um ajuste, o que também pesa nos juros.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/medindo-a-piora-das-contas-publicas-em-ano-eleitoral.shtml.

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    Dario Durigan, ministro da Fazenda - Evaristo Sá - 29.jun.26/AFP · Evaristo Sá - 29.jun.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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