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    Médico expõe dados de prontuário e debocha de peso de paciente nas redes sociais

    Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto vê atitude

    UOL
    24 de setembro de 2026 às 22:00
    Médico expõe dados de prontuário e debocha de peso de paciente nas redes sociais
    Foto: UOL

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    Um médico residente do HCFMRP-USP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo) publicou no X a foto do prontuário de um paciente com obesidade atendido na unidade e fez comentários em tom de deboche sobre o caso.

    Publicação de médico residente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP expõe prontuário de paciente - Reprodução do X · Reprodução do X
    Publicação de médico residente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP expõe prontuário de paciente - Reprodução do X · Reprodução do X — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A publicação, feita na segunda-feira (21), ultrapassou 100 mil visualizações antes de ser retirada do ar.

    A imagem mostrava informações como peso, altura e IMC (Índice de Massa Corporal) do paciente, com a seguinte legenda: "Isso aqui é uma amostra pra vocês entenderem com o que lidamos aqui no Hospital das Clínicas". O nome do paciente não foi exposto.

    O médico, identificado como Guilherme Lourenço Monteiro, é residente de anestesiologia no HCFMRP-USP. Ele foi procurado na tarde desta quinta-feira (24), por email e pelo Instagram, mas não respondeu até a publicação deste texto.

    Tela de computador mostra registro hospitalar com campos de peso, altura e IMC borrados. Área está destacada por círculo rosa neon.
    Tela de computador mostra registro hospitalar com campos de peso, altura e IMC borrados. Área está destacada por círculo rosa neon. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Também procurado, o HCFMRP-USP afirma que tomou conhecimento da publicação e que "considera a atitude preconceituosa".

    "Embora não tenha ocorrido exposição de identidade, a publicação é inadequada e não condiz com a postura profissional preconizada por esta instituição. Já estamos tomando providências para que a conduta não se repita", diz o hospital.

    A reportagem perguntou quais providências foram tomadas e se o médico continua exercendo sua função, mas o hospital não deu mais detalhes sobre o caso.

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    A legislação brasileira e o Código de Ética Médica determinam que informações obtidas em decorrência de atendimento não podem ser divulgadas, em respeito ao sigilo médico e à proteção de dados, independentemente de o nome do paciente ter sido preservado.

    "Isoladamente, cada dado parece genérico, mas o conjunto funciona como uma impressão digital. Valores muito fora do padrão, datas exatas de registro e a indicação do hospital reduzem muito o universo de pessoas possíveis", afirma a advogada Anna Júlia Goulart.

    Segundo o advogado e especialista em direito médico Luan Mazzali Braghetta, a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) classifica informações sobre saúde como dados pessoais sensíveis, categoria que exige grau máximo de proteção devido ao risco de provocar discriminação .

    Na avaliação dos advogados, ironizar características físicas atinge diretamente a honra e a dignidade do paciente, além de reforçar o estigma contra pessoas com obesidade no acesso aos cuidados de saúde.

    O fato de a publicação ter sido apagada após a repercussão tampouco anula as infrações.

    "Apagar o conteúdo não desfaz a violação, embora possa ser considerado na avaliação da gravidade e da indenização, porque limita a extensão do dano. Conteúdos temporários estão sujeitos às mesmas regras, e capturas de tela costumam circular e servir como prova ", diz Braghetta.

    A conduta também se choca com as diretrizes do CFM (Conselho Federal de Medicina) sobre o uso de redes sociais . A resolução 2.336/2023 permite que profissionais comentem a rotina e os desafios do trabalho, mas proíbe a identificação de pacientes e o uso de tom pejorativo, desrespeitoso ou ofensivo.

    Eventuais responsabilizações podem ocorrer em diferentes instâncias. No âmbito ético, o médico pode responder a um processo no CRM (Conselho Regional de Medicina). As sanções variam de uma advertência até a cassação do registro profissional.

    O Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) e o CFM (Conselho Federal de Medicina) foram procurados, mas ainda não se manifestaram.

    Na esfera civil, o médico pode ser alvo de ação por danos morais movida pelo paciente; na penal, pode responder por violação de segredo profissional.

    Por se tratar de um médico residente , a universidade e o hospital também podem aplicar sanções disciplinares, incluindo o desligamento do programa.

    O próprio HCFMRP-USP também pode ser acionado. Por ser o responsável pelos dados dos prontuários, o hospital tem o dever de adotar medidas de segurança e controle de acesso.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/09/medico-expoe-dados-de-prontuario-e-debocha-de-peso-de-paciente-nas-redes-sociais.shtml.

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