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    Médico é denunciado pela morte de jovem após crise de asma em GO

    MPGO aponta falhas no atendimento e afirma que intubação e ventilação mecânica contribuíram para complicações que causaram morte do jovem

    Metrópoles
    20 de setembro de 2026 às 21:45
    Médico é denunciado pela morte de jovem após crise de asma em GO
    Foto: Metrópoles

    Goiânia – O Ministério Público de Goiás (MPGO) denunciou por homicídio culposo o médico responsável pelo atendimento de Francisco Guilherme da Costa Silva , de 24 anos, que morreu após sofrer uma crise de asma em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Caldas Novas, no sul de Goiás.

    O caso aconteceu em fevereiro de 2025. A denúncia foi apresentada pela 7ª Promotoria de Justiça de Caldas Novas e já foi recebida pela Justiça, dando início à ação penal.

    Segundo o MPGO, Francisco tinha histórico de asma desde a infância e fazia uso diário de salbutamol, medicamento utilizado para facilitar a respiração. Ele foi levado à UPA pela mãe após apresentar uma crise respiratória. Na unidade, o paciente foi inicialmente classificado como caso de “urgência menor” e permaneceu cerca de uma hora e 40 minutos aguardando atendimento. Conforme a denúncia, durante esse período, seu quadro se agravou.

    Marcelo Camargo/Agência Brasil
    Marcelo Camargo/Agência Brasil — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A mãe pediu ajuda a um médico que passava pelo corredor, e Francisco foi encaminhado para a sala vermelha. O profissional denunciado estava em seu primeiro plantão na unidade e assumiu o atendimento.

    De acordo com o MPGO, inicialmente foram administrados oxigênio e medicamentos para auxiliar a respiração. Com a piora do quadro, a equipe utilizou dispositivos para manter as vias aéreas abertas.

    O médico posteriormente decidiu realizar uma intubação orotraqueal. Segundo a denúncia, foram necessárias duas tentativas para colocar o tubo.

    Imagem de médico segurando um estetoscópio - Metrópoles
    Imagem de médico segurando um estetoscópio - Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A perícia apontou que o dispositivo ficou em posição inadequada. Horas depois, uma médica do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) teria constatado que o tubo não estava dentro da traqueia e havia se dobrado próximo à epiglote .

    Com o equipamento mal posicionado, o ar fornecido pelo ventilador não chegaria adequadamente aos pulmões e teria sido direcionado para o abdômen. Mesmo nessa condição, segundo a acusação, o paciente continuou recebendo ventilação mecânica com pressão elevada.

    Francisco sofreu uma parada cardiorrespiratória. A equipe realizou manobras de reanimação e administrou adrenalina, mas ele não resistiu.

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    Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    O exame cadavérico identificou lesões no sistema respiratório, incluindo pneumotórax, hemotórax e enfisema subcutâneo.

    Segundo o laudo, a morte ocorreu em decorrência de complicações respiratórias associadas a um barotrauma, lesão provocada pela pressão utilizada durante a ventilação mecânica invasiva.

    A perícia também apontou que o posicionamento inadequado do tubo teria agravado o quadro e dificultado a estabilização do paciente.

    O MPGO afirma ainda que houve falhas nos registros do atendimento. O prontuário, segundo a acusação, não apresentava informações detalhadas sobre aspectos como exame físico, ausculta pulmonar e cardíaca, frequência respiratória e evolução clínica .

    Outro ponto mencionado foi a ausência de uma gasometria arterial, exame que auxilia na avaliação dos níveis de oxigênio e gás carbônico no sangue.

    Antes de apresentar a denúncia, o Ministério Público ofereceu ao médico a possibilidade de um Acordo de Não Persecução Penal e também a suspensão condicional do processo. Segundo o órgão, o profissional recusou as duas alternativas.

    Diante disso, o MPGO apresentou a denúncia por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

    A promotoria também pediu que seja estabelecida uma indenização mínima de R$ 200 mil à família de Francisco, sem prejuízo de eventual definição de outro valor no decorrer do processo.

    A denúncia já foi recebida pela Justiça. A acusação ainda será analisada ao longo da ação penal, e a eventual responsabilização do médico dependerá do julgamento do caso.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/brasil/medico-e-denunciado-pela-morte-de-jovem-apos-crise-de-asma-em-go.

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