'Me-de-as', do Equador, questiona a maternidade no Festival Mirada
Inspirado na tragédia de Medeia, o coletivo Mitómana, do Equador , abriu nesta quinta-feira (3) a oitava edição do Mirada - Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas do Sesc São Paulo, na Baixada Santista . Leia mais (09/04/2026 - 10h00)

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Inspirado na tragédia de Medeia, o coletivo Mitómana, do Equador , abriu nesta quinta-feira (3) a oitava edição do Mirada - Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas do Sesc São Paulo, na Baixada Santista .

Formado por mulheres, o grupo apresenta no espetáculo "Me-de-as" várias versões da mulher que mata os próprios filhos para se vingar da traição e do abandono do marido, Jasão.
O coletivo é dirigido pela escritora e pesquisadora Gabriela Ponce e reúne um elenco de várias áreas das humanidades. Juntas, as artistas criaram um espetáculo que busca dar outros significados ao mito, a partir da reflexão da precariedade dos vínculos familiares.
Com música, performances e um texto comovente, "Me-de-as" aborda a solidão materna, a ausência paterna, as despedidas, a morte e as possibilidades de reconstrução de mulheres imigrantes.

"O luto não se supera, mas a arte serve de laboratório para reimaginar relações e transgredir prescrições sociais", diz Ponce. "Atualizamos o clássico para confrontar os discursos patriarcais que atravessam os corpos e a maternidade."
A divisão silábica e o plural no título de "Me-de-as" é uma síntese das diversas vozes e corpos que levam ao palco histórias questionadoras do afeto maternal tradicional, em uma narrativa fragmentada, coletiva e em formato de coral.
Nesta edição, o festival, realizado até o dia 13 de setembro, homenageia o Equador e celebra os 80 anos do Sesc com 41 espetáculos de 15 países, além de ações formativas em Santos , Cubatão, Guarujá, Praia Grande e São Vicente.

Os temas abordados são os deslocamentos territoriais, a festa como rito e ato político, questões ambientais e a relação entre trabalho, ócio e tempo.
A mostra internacional terá a participação inédita da Guatemala e produções da Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Espanha, México, Peru, Portugal, Uruguai e Venezuela.
Antes da abertura oficial, no teatro do Sesc Santos, o público pode assistir a duas apresentações ao ar livre, à tarde, na praça Mauá, no centro histórico da cidade. Em "Horário Comercial", o performer e marinheiro Péricles Anarckos, do Theatro Fúria, do Mato Grosso, amarra e desamarra nós em um cabo de atracação durante nove horas, sem interrupção, em uma metáfora sobre as rotinas do trabalho.

A outra atração foi a estreia de "...ao mesmo tempo…", com os grupos Lume,de Campinas, e Clowns de Shakespeare, do Rio Grande do Norte, sob a direção de Georgette Fadel . O espetáculo celebra as oito décadas do Sesc.
"Que o Mirada seja a celebração do nosso tempo", disse Luiz Galina , diretor regional do Sesc, na cerimônia de abertura do festival.
Danilo Miranda, diretor morto em outubro de 2023, foi homenageado pela Secretária de Cultura, Economia e Indústria Criativa do estado, Marília Marton. "A alma do Danilo continua viva em cada palco", ela afirmou.
A jornalista viajou a convite do Festival Mirada
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/09/me-de-as-do-equador-questiona-a-maternidade-no-festival-mirada.shtml.

'Me-de-as', do Colectivo Mitómana, abriu o Mirada nesta quinta-feira (3) - Florencia Luna/Divulgação · Florencia Luna/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo
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