Masp, com nova presidente, sai em busca de diretor e quer criar comitê artístico
Recém-anunciada como nova presidente do Museu de Arte de São Paulo , o Masp , Flávia Buarque de Almeida já tem uma missão a cumprir num prazo de cinco anos. Ela vai liderar a busca por um novo diretor-geral do museu, cargo até agora inexistente, para tocar a gestão do dia a dia da instituição, função antes acumulada pelo presidente de saída, Heitor Martins , que deixa a função em setembro. Leia mais (08/07/2026 - 23h00)

Silas Martí é jornalista e crítico de arte. Editor de Ilustrada, foi correspondente em Nova York e escreve sobre arte, arquitetura e design
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Recém-anunciada como nova presidente do Museu de Arte de São Paulo , o Masp , Flávia Buarque de Almeida já tem uma missão a cumprir num prazo de cinco anos. Ela vai liderar a busca por um novo diretor-geral do museu, cargo até agora inexistente, para tocar a gestão do dia a dia da instituição, função antes acumulada pelo presidente de saída, Heitor Martins , que deixa a função em setembro.
O novo diretor-geral, que o museu deve escalar entre executivos na ativa fora de seus quadros, seria uma espécie de CEO do Masp, remunerado por isso, o que não acontece com os atuais diretores estatutários nem com o presidente da instituição.
Além disso, a alta cúpula do museu estuda criar um comitê artístico, grupo que reuniria pessoas da própria instituição e outros nomes de fora, que deverá influenciar a direção artística da casa, hoje a cargo de Adriano Pedrosa , além da aquisição de novas obras para o acervo. Nos bastidores, a ideia é vista como algo que pode limitar o escopo de atuação de Pedrosa e sua equipe de curadores.

Nesta quarta, um dia depois de esta coluna ter revelado o nome da nova presidente, o conselho do Masp se reuniu para uma espécie de boas-vindas a Almeida. O encontro conduzido por Alfredo Setubal, agora nomeado presidente de honra do museu, detalhou o processo de mudanças no alto escalão.
Em comunicado interno, a que a reportagem teve acesso, o Masp pediu desculpas a conselheiros e patronos pelo vazamento antecipado da eleição de Almeida e detalhou as etapas do processo de escolha, que envolveu a participação de duas consultorias externas, a americana L.E.K. e a suíça Egon Zehnder.
Essas firmas, segundo o museu, analisaram cerca de 50 candidatos para o posto de novo presidente, entre nomes já na instituição e de fora dela, tendo por fim decidido por Almeida, até agora vice-presidente na gestão de Heitor Martins.

O valor gasto pelo serviço, segundo pessoas próximas ao conselho, não aparece no balanço do ano passado da instituição, mas firmas como a Egon Zehnder podem cobrar de US$ 200 mil a US$ 350 mil, ou de R$ 1 milhão a R$ 1,8 milhão —a mesma consultoria, porém, já fez serviços para o Masp sem qualquer cobrança, em caráter pro bono. Procurados, representantes do museu dizem que não comentam o investimento em consultoria.
Patronos e conselheiros têm se queixado nos bastidores de um processo que entendem ter sido todo conduzido pela atual presidência sem uma participação ativa dos demais executivos da casa, lembrando que a escolha da vice-presidente como nova executiva mais poderosa do Masp talvez nem precisasse de um processo de consultoria que durou dois anos.
Muito bem avaliada, a gestão de Heitor Martins reergueu o Masp, que estava falido quando ele assumiu o comando em 2014. A indicação de Flávia Buarque de Almeida para seu posto é entendida como um gesto de continuidade com sua gestão. Martins, ainda, passa a exercer a direção do conselho do museu, cargo de grande influência sobre os rumos da instituição.

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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/plastico/2026/08/masp-com-nova-presidente-sai-em-busca-de-diretor-e-quer-criar-comite-artistico.shtml.

Vista da avenida Paulista a partir de escadaria do Masp, em São Paulo - Keiny Andrade/Folhapress · Keiny Andrade/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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