Masp atualiza exposição sobre a história da América Latina com obras dos países da região
O Masp renova, a partir desta sexta-feira (4) e até janeiro de 2027, a exposição que faz parte do ciclo sobre a história da América Latina . Em cinco andares do edifício Pietro Maria Bardi , todos os países da região estão representados, com trabalhos de artistas que discutem como povos diferentes atravessaram problemas históricos semelhantes. Leia mais (09/03/2026 - 23h00)

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São Paulo O Masp renova, a partir desta sexta-feira (4) e até janeiro de 2027, a exposição que faz parte do ciclo sobre a história da América Latina . Em cinco andares do edifício Pietro Maria Bardi , todos os países da região estão representados, com trabalhos de artistas que discutem como povos diferentes atravessaram problemas históricos semelhantes.

Na prática, os quadros, colagens, tapeçarias e esculturas mostram aspectos em comum entre os países, a fim de abordar colonização, racismo, escravidão e extrativismo. Por vezes, as criações fazem isso usando símbolos parecidos.
Pensando nisso, tanto o período quanto o local onde as obras foram produzidas não interferem na organização da exposição . O que importa é colocar peças mexicanas, cubanas ou porto-riquenhas próximas umas das outras para contar que o passado de problemas similares resultou em um presente com as mesmas dificuldades.
Nesse espectro, o visitante percebe, por exemplo, que as telas "Okê Oxóssi" (Brasil, 1970), de Abdias Nascimento, e "Cementerio Indígena Bajo el Agua Hasta Hoy en la Central Hidroeléctrica Ralco" (Chile, 2023), de Seba Calfuqueo, usam elementos parecidos para representar povos marginalizados e questionar a ideia oficial de território.

O simbolismo aparece de forma explícita na obra de Nascimento, que usa cores da bandeira do Brasil e coloca referências à cultura e à religiosidade afro-brasileira. A grande seta no centro do quadro remete a Oxóssi, orixá associado à mata e à caça. Enquanto Calfuqueo parte de outra disputa: a cor azul indica que o território ficou alagado depois da construção da hidrelétrica chilena de Ralco; os objetos abaixo são as sobras de um cemitério indígena submerso pela água da usina.
As duas obras mostram que a formação do Brasil e do Chile também podem ser contadas pelos povos negros e indígenas, mesmo quando eles foram reprimidos ou tiveram seus territórios tomados.
Para abordar a forma com que projetos de urbanização e industrialização construíram a história latino-americana do século 20, a exposição montou o núcleo "Retórica do Progresso". No espaço há destaque, em especial, a mapas e artigos de cartografia. A obra "Nuremberg Map of Tenochtitlán", da mexicana Mariana Castillo Deball, ocupa um trecho do núcleo, no 5º andar do edifício.

Na instalação, o visitante pode ver um mapa de Tenochtitlán, publicado em 1524 junto com os relatos de Hernán Cortés ao imperador Carlos 5º. O mapa foi uma das primeiras e mais disseminadas imagens da capital asteca vista na Europa .
A pintura "El Mundo al Revés 1", da artista peruana Sandra Gamarra Heshiki, parte de um painel ilustrado para condensar informações sobre território, natureza, população e economia do Peru colonial.
Gamarra usa a estrutura do mapa —feita em óxido de ferro— e adiciona elementos brancos e pretos que aparecem espalhados na tela: são pallares, um tipo de feijão achatado, usado como oráculo por povos da região andina. Na obra, os grãos representam outras formas de entender o território além da divisão econômica. Assim, as duas criações colocam lado a lado formas europeias e indígenas de entender o território.

Na mesma sala, há também algumas fotografias de pedestres nas ruas de São Paulo feitas por Claudia Andujar. "As obras se complementam porque vêm de lugares diferentes e tempos distintos", afirma Julieta González, curadora-adjunta do Masp .
No andar, a organização resolveu manter a janela aberta —é a única visão de dentro para fora nas áreas expositivas do prédio que não está tampada— para criar uma comparação direta entre o mapa e a Paulista.
"O mapa de Tenochtitlán confronta a vista da avenida Paulista, pela janela aberta do edifício, e as fotos das pessoas em São Paulo. Isso causa um atrito entre o local e o continental, o que faz a exposição encontrar o seu sentido", diz a curadora.
Também há, ao lado dos mapas, fotos, plantas do projeto e pinturas da construção de Brasília . Esses itens entram na exposição do Masp para discutir questões sobre urbanismo e a ideia de progresso. São obras de Clara Ianni, Dora Longo Bahia e Detanixo e Lain, além de fotos de Marcel Gautherot e Peter Scheier, que associam o lema "50 anos em 5" —criado por Juscelino Kubitschek para a construção da capital, planejada e moderna— ao processo de formação de desigualdade que o projeto resultou aos candangos.
Histórias Latino-Americanas Edifício Pietro Maria Bardi, Masp - av. Paulista, 1510, Bela Vista, região central. Ter. das 10h às 20h; qua., qui., sáb. e dom., das 10h às 18h; sex., das 10h às 21h. De 4/9 a 31/1. A partir de R$ 85
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://guia.folha.uol.com.br/passeios/2026/09/masp-atualiza-exposicao-sobre-a-historia-da-america-latina-com-obras-dos-paises-da-regiao.shtml.

Obra 'Cementerio Indígena Bajo El Agua Hasta Hoy en la Central Hidroeléctrica Ralco' (2023), de Seba Calfuqueo - Filipe Berndt/Divulgação · Filipe Berndt/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo
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