Brasil

    Marabraz pede manutenção de serviços essenciais e proteção de 180 dias contra cobrança de credores

    O Grupo Marabraz pediu à Justiça de São Paulo proteção de 180 dias contra cobranças de credores. Em emenda à petição de recuperação judicial, a empresa solicita a suspensão de cobranças e a liberação de recursos financeiros bloqueados, além da manutenção de serviços essenciais e da garantia de acesso a imóveis retomados por locadores.

    UOL
    8 de setembro de 2026 às 22:00
    Marabraz pede manutenção de serviços essenciais e proteção de 180 dias contra cobrança de credores
    Loja ampla com corredores organizados exibindo sofás, mesas, cadeiras, computadores e eletrodomésticos. Balões azuis pendem do teto ao longo do espaço iluminado por luzes embutidas. — Foto: UOL

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    O Grupo Marabraz pediu à Justiça de São Paulo proteção de 180 dias contra cobranças de credores. Em emenda à petição de recuperação judicial, a empresa solicita a suspensão de cobranças e a liberação de recursos financeiros bloqueados, além da manutenção de serviços essenciais e da garantia de acesso a imóveis retomados por locadores.

    Interior de unidade da rede Lojas Marabraz - Divulgação · Divulgação
    Interior de unidade da rede Lojas Marabraz - Divulgação · Divulgação — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Esse tipo de garantia costuma ser automático após a Justiça aceitar o pedido de recuperação judicial. Empresas costumam pedir a antecipação dos efeitos durante a análise do pedido de reestruturação por parte do Judiciário. A Casas Bahia fez a mesma solicitação, que foi atendida.

    A Marabraz entrou com pedido de recuperação judicial em 15 de agosto, citando dívidas de R$ 140 milhões. Na petição inicial da Marabraz já constava o pedido de proteção antecipada.

    Em 22 de agosto, a juíza Fernanda Perez Jacomini determinou o restabelecimento dos serviços prestados pela Oracle. Segundo a Marabraz, a empresa de tecnologia havia bloqueado o acesso ao armazenamento de documentos contábeis essenciais ao processo de recuperação.

    Imagem da matéria
    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Quatro dias após a decisão, a Oracle afirmou, no processo, ter liberado os sistemas da empresa de varejo em 20 de junho, antes do pedido de recuperação judicial, e pediu o reconhecimento do fato pela Justiça.

    A magistrada também pediu a apresentação de documentos complementares pela Marabraz e atribuiu à consultoria Deloitte uma perícia prévia da situação da varejista. Em petição protocolada na quinta-feira (3), a varejista afirmou ter cumprido a determinação da juíza e reiterou o pedido de concessão da recuperação judicial.

    A antecipação da proteção contra credores deve, segundo a Marabraz, ser deferida caso a juíza "entenda necessária a apresentação de qualquer dos documentos ainda pendentes antes do deferimento do processamento da recuperação judicial".

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Entre as prestadoras de serviço listadas pela varejista na petição estão empresas de serviços financeiros, além de fornecedoras de água, energia, internet e telefone. Esses são fornecedores "indispensáveis ao funcionamento de suas lojas e demais estruturas necessárias à continuidade da operação", diz a Marabraz à Justiça.

    A Redecard, uma das empresas citadas, afirmou à Justiça que o contrato com a Marabraz foi rescindido pela empresa de pagamentos em 25 de novembro de 2025. Segundo a empresa financeira, a rescisão foi motivada pelo inadimplemento acumulado da varejista.

    O serviço da Redecard não participa, segundo a empresa, da cadeia produtiva da Marabraz. Portanto, não pode ser considerado essencial, diz. "Os móveis e eletrodomésticos vendidos pelas recuperandas continuam existindo, sendo fabricados e sendo estocados de forma absolutamente independente da máquina de cartão utilizada no balcão de vendas."

    Procurada pela reportagem, a Rede não se pronunciou sobre o assunto até a publicação da reportagem. A Cielo, também presente no pedido, informou que a Marabraz não é sua cliente da empresa desde 2025.

    Outro pedido feito no início do processo e reiterado na quinta-feira é para que os locadores com ordem de despejo contra a Marabraz não impeçam o acesso aos imóveis pelo tempo necessário à retirada de bens e mercadorias pela companhia. A petição inicial traz anexa uma relação de endereços e proprietários.

    A Marabra atribui a crise financeira a uma "convergência entre fatores internos e externos que, em sequência, comprometeram o fluxo financeiro".

    Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.

    Segundo a companhia, os principais motivos da crise são a dependência de financiamento para sustentar uma operação de grande porte no varejo, o efeito da ruptura de relações familiares entre os controladores sobre o patrimônio de sustentação da empresa e as restrições de crédito geradas por esses conflitos.

    Condições macroeconômicas, como a alta dos juros, contribuíram para o cenário adverso, mas não são a principal justificativa para ele, afirma a empresa no pedido de recuperação.

    Na última petição apresentada à Justiça também houve o pedido de inclusão da Marabraz Comercial Ltda. entre as requerentes da recuperação judicial. Caso a Justiça aceite, a empresa, detentora da marca Marabraz, se junta às outras cinco proponentes da ação.

    O grupo afirma ter, hoje, 111 lojas, das quais 25 estão em funcionamento e 86 temporariamente fechadas "em razão das restrições de liquidez que impediram a adequada recomposição dos estoques e o regular pagamento dos trabalhadores".

    RAIO-X | Grupo Marabraz Fundação: 1965, por Abdul Hamid Mohamad Fares Sede: São Paulo (SP) Número de lojas: 111 Principais concorrentes: Casas Bahia, Magazine Luiza, Lojas Cem

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    De 2ª a 6ª pela manhã, receba o boletim gratuito com notícias e análises de economia

    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/marabraz-pede-manutencao-de-servicos-essenciais-e-protecao-de-180-dias-contra-cobranca-de-credores.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    Interior de unidade da rede Lojas Marabraz - Divulgação · Divulgação — Foto: UOL

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)