Mapeamento revela como aves se relacionam com a floresta Amazônica no Peru
Além de revelar particularidades da relação entre aves e florestas, o mapeamento pode ajudar a nortear ações para proteger a biodiversidade

Ao utilizar sensores instalados em aeronaves, um novo estudo mapeou as diferenças químicas e estruturais das copas da floresta Amazônica no Peru. A partir dos dados obtidos, os pesquisadores descobriram como diferentes tipos de aves se relacionam com a natureza local.
“Ao combinar espectroscopia avançada de imagens aéreas com dados ecológicos, não estamos apenas mapeando onde as árvores estão; estamos mapeando a diversidade e a composição da própria copa e como o ecossistema funciona”, esclarece um dos autores do estudo, Greg Asner, em comunicado. Além disso, o mapeamento pode ajudar a nortear ações que protegem a diversidade das espécies de aves e a função do ecossistema . A pesquisa liderada pela Universidade Nacional da Austrália teve os resultados publicados na revista Nature Communications nesta sexta-feira (25/9).
Utilizando aeronaves equipadas com sensores, os pesquisadores conseguiram medir as assinaturas químicas da copa das árvores. Dessa forma, foram medidas sete características delas, incluindo nutrientes foliares, teor de água e compostos vegetais. Os dados foram utilizados para separar as florestas do Peru em seis grandes tipos.

Em seguida, os cientistas analisaram onde vivem 1,3 mil aves dependentes das florestas. A extensão da área de distribuição de cada uma foi medida a partir dos seis tipos de floresta separados anteriormente . Por fim, os especialistas compararam os dados obtidos com atributos de cada espécie , incluindo tamanho corporal, tamanho da ninhada, locais de alimentação na floresta, estado de conservação e tendência populacional.
Segundo os resultados, aves das florestas alagadiças do norte da Amazônia tinham tendência a ter corpos maiores e serem mais longevas; as de florestas montanhosas andinas abrigavam espécies mais sensíveis à fragmentação de habitat e a mudanças de temperatura e umidade; as de florestas andinas de altitude tinham mais ligações às ameaças humanas cumulativas; as de florestas de várzea tinham atributos mais associados a uma maior tolerância à urbanização.
Os pesquisadores afirmam que, com as descobertas, é possível nortear melhor as ações de conservação para os locais mais prioritários.

Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/ciencia/mapeamento-revela-como-aves-se-relacionam-com-a-floresta-amazonica-no-peru.

Greg Asner/Universidade Estadual do Arizona — Foto: Metrópoles
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