Brasil

    Mais do que só dinheiro nos pés

    Se consumir é um ato político, faríamos boa política pensando nos empregos e no bem-estar que as marcas que consumimos promovem. E, no caso das esportivas gringas que fabricam aqui, o quanto reinvestem no Brasil. Leia mais (09/21/2026 - 14h22)

    Folha de S.Paulo
    21 de setembro de 2026 às 17:22
    Mais do que só dinheiro nos pés
    Foto: Folha de S.Paulo

    Paulo Vieira, do Jornalistas que Correm, fala tudo sobre corrida –mesmo aquilo que você não deveria saber

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Veja imagens dos tênis da Veja
    Veja imagens dos tênis da Veja — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Se consumir é um ato político, faríamos boa política pensando nos empregos e no bem-estar que as marcas que consumimos promovem. E, no caso das esportivas gringas que fabricam aqui, o quanto reinvestem no Brasil.

    Boa parte delas produz no polo calçadista de Novo Hamburgo (RS) os tênis que são vendidos no Brasil, mas sobressaltos tarifários e cambiais podem mudar a cena. Várias têm plantas industriais na Ásia, de onde vêm 9 de cada 10 pares produzidos no mundo.

    A coisa se complica ainda mais em empresas de capital aberto cujo grande gestor é o interesse de acionistas sem rosto. "We are only in it for the money", como cravou lá atrás Frank Zappa.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Mas defender o empresariado brasileiro é dureza: quem troca parte do lucro por justiça social ou por preocupação ambiental? Quem deixa de endossar líderes políticos aloprados? Quem de fato faz algo para funcionários, comunidades do entorno e pessoas impactadas em vez de apenas embelezar seus relatórios anuais?

    François Morillion e Sebastien Kopp, amigos franceses de infância e ambos egressos do mercado financeiro, vieram ao Brasil há 20 anos e talvez possam um dia ser lembrados como os caras que mudaram alguns padrões por aqui. Veja, a marca que fundaram , hoje presente em mais de cem países, tem como princípios a prática do comércio justo e a preocupação ambiental.

    O repórter João Perassolo escreveu nesta Folha , ano passado, sobre eles: "Em Rondônia, encontraram uma cooperativa de produtores de palmito, momento em que contam ter percebido a importância de valorizar os pequenos produtores que tratam o bioma com cuidado".

    Antes do acerto com os gaúchos, a dupla procurou cooperativas de pequenos produtores de algodão e de borracha, matérias-primas dos tênis. Nas relações estabelecidas, chegam a pagar de três a cinco vezes a média do mercado e oferecem bônus caso metas de sustentabilidade sejam atingidas.

    Coletores de garrafas PET paulistas também entraram para a rede. No vídeo em que explicam a raison d‘être de Veja, o começo de tudo é a visão das condições de moradia dos trabalhadores numa fábrica chinesa: grupos de 32 pessoas espremidas em ambientes de 25 m 2 com um buraco no chão a dublar de banheiro. "A globalização não funcionou."

    Morillion já disse ser "fissurado" por tênis. E como ele é uma espécie de bezerro de ouro do capitalismo contemporâneo, produto fetichizado e consumido muito mais por amor ao "brand", decidiu fabricá-lo, quem sabe para desconstruir essa lógica.

    A chave para pagar mais aos fornecedores é destinar a eles o que o setor empenha em marketing –70% do custo do produto, segundo os fundadores.

    Estive por quatro ou cinco dias às expensas de Veja visitando as instalações fabris, no Sul, e em Paraty , onde participei no sábado (19) de uma corrida de trail de 27 km –uns 26,9 km na lama. A razão do convite foi testar o novo Harpie, tênis de trilha que custa R$ 980 e mostrou-se muito confiável na mais escorregadia das superfícies –gelo não vale.

    Os fundadores não vieram, mas sim jovens executivos, gerentes e representantes de várias partes do mundo. Todos correram, e Sophie Bouquet, Head de Desenvolvimento, ganhou a prova de 53 km.

    Impressionou-me sermos tratados todos, inclusive eu e colegas brasileiros bem mais jovens, como velhos parças. Um outro mundo corporativo pareceu possível.

    Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha

    LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo , Elio Gaspari , Djamila Ribeiro , Tati Bernardi , Dora Kramer , Ruy Castro , Muniz Sodré , Txai Suruí , José Simão , Thiago Amparo , Antonio Prata e muito mais.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/no-corre/2026/09/mais-do-que-so-dinheiro-nos-pes.shtml.

    Imagem 1
    1 / 2

    Veja imagens dos tênis da Veja — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)