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    Mais de cem israelenses promovem onda de violência em vila palestina

    Mais de cem colonos judeus promoveram uma onda de violência em uma vila palestina na Cisjordânia ocupada na noite da segunda-feira (28), incendiando prédios e carros, atirando pedras contra forças de segurança israelenses e impedindo o retorno de uma família palestina desalojada por ataques anteriores de colonos . Leia mais (09/29/2026 - 18h29)

    Folha de S.Paulo
    29 de setembro de 2026 às 21:29
    Mais de cem israelenses promovem onda de violência em vila palestina
    Três soldados com uniformes e equipamentos táticos, incluindo capacetes e máscaras, estão em frente a um veículo blindado cinza em uma área rural com vegetação seca e pedras. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Mais de cem colonos judeus promoveram uma onda de violência em uma vila palestina na Cisjordânia ocupada na noite da segunda-feira (28), incendiando prédios e carros, atirando pedras contra forças de segurança israelenses e impedindo o retorno de uma família palestina desalojada por ataques anteriores de colonos .

    Forças de segurança israelenses patrulham a área em frente a uma casa que, segundo palestinos, foi atacada por colonos perto de Ramallah - Mohamad Torokman /Reuters · Mohamad Torokman /Reuters
    Forças de segurança israelenses patrulham a área em frente a uma casa que, segundo palestinos, foi atacada por colonos perto de Ramallah - Mohamad Torokman /Reuters · Mohamad Torokman /Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A violência foi o episódio mais recente de uma escalada acentuada dos ataques de colonos ocorrida sob o governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu , no qual colonos ultranacionalistas ocupam cargos importantes.

    O número de ataques contra palestinos na Cisjordânia caminha para atingir, neste ano, o maior nível em duas décadas.

    A mais recente onda de violência começou na noite desta segunda-feira (28), quando integrantes da família Tubasi tentaram voltar para sua casa em Jalud, perto de Nablus, de onde haviam sido desalojados em julho após repetidos ataques de colonos.

    O impacto da guerra na Cisjordânia
    O impacto da guerra na Cisjordânia — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A agência estatal de notícias palestina Wafa informou que dois prédios pertencentes à família Tubasi foram incendiados durante o ataque dos colonos. Também noticiou ataques separados de colonos perto de Ramallah e Al-Mughayyir.

    Shadi Tubasi, cujos pais deveriam retornar à casa, disse que os colonos incendiaram o carro da família diante do Exército israelense. "Vivemos com muito medo. Sentimos que ninguém pode estar seguro em sua casa em Jalud", afirmou.

    "Se quisessem fazer cumprir a lei e manter a ordem... poderiam ter feito isso. Mas não estão falando sério e não o fizeram."

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As Forças Armadas israelenses disseram na manhã desta terça-feira (29) que o retorno da família Tubasi havia sido "coordenado", mas que seus integrantes não conseguiram voltar "por causa da violência", acrescentando que mais de cem israelenses participaram do ataque.

    Os colonos bloquearam estradas, incendiaram pneus e "atiraram pedras contra as forças de segurança", disseram os militares, acrescentando que "os manifestantes violentos também incendiaram estruturas pertencentes a palestinos na região, além de veículos e outros bens".

    A polícia israelense informou que três pessoas foram presas.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    A Cruz Vermelha alertou nesta terça-feira que, somada às restrições israelenses à circulação dos palestinos e à expansão dos assentamentos, a escalada da violência dos colonos estava tornando "a vida cotidiana insustentável para a população civil" na Cisjordânia.

    Segundo o OCHA (Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários), houve mais de 1.600 ataques de colonos judeus contra palestinos e suas propriedades neste ano, o que coloca 2026 a caminho de ser o pior ano desde que a agência começou a monitorar a violência dos colonos, em 2006.

    Desde que a coalizão de Netanyahu assumiu o poder, em 2022, colonos realizaram mais de 6.100 ataques contra palestinos e suas propriedades. Juntamente com as restrições de acesso, a violência desalojou mais de 6.500 palestinos e provocou o deslocamento total ou parcial de 132 comunidades palestinas na Cisjordânia.

    O presidente de Israel , Isaac Herzog, condenou o ataque mais recente como "uma mancha moral" e disse que ele "deve ser enfrentado com todo o rigor da lei". Netanyahu afirmou que condenava "veementemente" a violência.

    No entanto, há muito tempo os colonos israelenses agem em um ambiente de impunidade quase total. Grupos de direitos humanos afirmam que as Forças de Defesa de Israel raramente os impedem de realizar ataques e que apenas uma parcela ínfima deles chega a ser condenada.

    Um estudo do grupo de direitos humanos Yesh Din constatou que, entre 2005 e 2024, 94% dos casos envolvendo crimes cometidos por israelenses contra palestinos na Cisjordânia foram arquivados sem apresentação de acusações.

    O governo de Netanyahu também impediu que as forças de segurança israelenses usassem táticas anteriormente empregadas para lidar com colonos violentos .

    Em 2024, o ministro da Defesa Israel Katz ordenou que as forças de segurança deixassem de usar a detenção administrativa —prática que permite manter pessoas presas sem julgamento— contra colonos.

    Este texto foi publicado originalmente em inglês no site do Financial Times.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/mais-de-cem-israelenses-promovem-onda-de-violencia-em-vila-palestina.shtml.

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    Forças de segurança israelenses patrulham a área em frente a uma casa que, segundo palestinos, foi atacada por colonos perto de Ramallah - Mohamad Torokman /Reuters · Mohamad Torokman /Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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