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    Mais de 30% das empreendedoras no Brasil estão na informalidade, diz estudo

    Pesquisa da Rede Mulher Empreendedora traz panorama atualizado sobre as características e desafios das mulheres que empreendem no Brasil

    CNN Brasil
    30 de agosto de 2026 às 11:50
    Mais de 30% das empreendedoras no Brasil estão na informalidade, diz estudo
    Foto: CNN Brasil

    O empreendedorismo feminino vem ganhando força no Brasil e já soma mais de 9 milhões de empresas ativas lideradas por mulheres.

    Por trás desse avanço, no entanto, ainda há uma característica que se perpetua: cerca de 32% das empreendedoras ainda estão na informalidade, o que as distancia de garantias financeiras, jurídicas e assistenciais.

    É o que revela o mais recente estudo do Instituto RME, da Rede Mulher Empreendedora.

    Para muitas brasileiras, abrir o próprio negócio não começa como uma escolha, mas como uma urgência, diz estudo • Desafios enfrentados pelas mulheres empresárias - Imagem: Pexels/Ono Kosuki · • Desafios enfrentados pelas mulheres empresária
    Para muitas brasileiras, abrir o próprio negócio não começa como uma escolha, mas como uma urgência, diz estudo • Desafios enfrentados pelas mulheres empresárias - Imagem: Pexels/Ono Kosuki · • Desafios enfrentados pelas mulheres empresária — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O estudo, que ouviu 1.176 empreendedoras de todas as regiões do país, também aponta para um cenário recorrente: para muitas brasileiras, abrir o próprio negócio não começa como uma escolha, mas como uma urgência.

    Atualmente, 54,7% das mulheres empreendem motivadas pela necessidade.

    A maternidade, por sua vez, é um dos principais estímulos para isso. Cerca de 78% das empreendedoras mães tiveram filhos antes da abertura de seus negócios, criados para atender à um desejo por independência e por equilibrar vida pessoal e profissional.

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    Meta é ter 50% de mulheres em altos cargos o mercado até 2030, diz Trajano — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Entre as principais dores desse grupo estão as atividades ligadas a ações de marketing e divulgação, revelando um cenário de desconhecimento de conceitos básicos para promoção de seus produtos e serviços.

    Na sequência, elas apontam para a gestão de custo, precificação e finanças.

    A chamada “economia do cuidado” também aparece como uma barreira estrutural para as líderes femininas.

    Fin4She Summit destaca liderança feminina como força estratégica
    Fin4She Summit destaca liderança feminina como força estratégica — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    De acordo com o estudo, mais de 80% das empreendedoras já precisaram interromper as atividades para se voltar ao cuidado, especialmente dos filhos, uma vez que a grande maioria — 3 em cada 4 empreendedoras — não contam com nenhuma rede de apoio pessoal.

    Segundo Ana Fontes, fundadora e presidente da Rede Mulher Empreendedora e do Instituto RME, evitar a sobrecarga no empreendedorismo feminino passa por estabelecer limites claros, especialmente na definição de horários fixos de trabalho.

    Além disso, é fundamental precificar serviços corretamente, profissionalizar a gestão e construir uma rede de apoio para a qual seja possível delegar tarefas operacionais e domésticas.

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    De acordo com o estudo, renda é um fator de vulnerabilidade para as empreendedoras brasileiras.

    Quase metade dos negócios autônomos chefiados por mulheres (46,6%) faturam em média até dois salários mínimos, em uma média de R$ 3.242 reais.

    O valor é considerado insuficiente para cobrir as despesas do negócio por 38% das empreendedoras, forçando-as a buscar alternativas para complemento de renda e inviabilizando a criação de poupanças, reservas de emergência e investimentos estratégicos para a expansão do negócio.

    Fin4She Summit destaca liderança feminina como força estratégica
    Fin4She Summit destaca liderança feminina como força estratégica — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Como solução ao problema, Ana Fontes propõe a separação das finanças pessoais das empresariais como passo fundamental para que a gestão financeira seja mais organizada e, por consequência, traga algum “respiro” às empreendedoras.

    “Vender mais antes de fazer essa divisão apenas aumenta o volume de dinheiro entrando e saindo sem controle, mascarando a verdadeira saúde financeira do negócio”, diz.

    O ponto de partida, defende, deve ser a criação de uma conta bancária exclusiva para a empresa e a definição de um pró-labore fixo, garantindo que as despesas pessoais não “drenem o caixa da operação”, alerta.

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    Microsoft: IA não é sobre tecnologia, mas sobre transformação dos humanos — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A pesquisa indica a informalidade como uma barreira que limita o acesso a crédito e a mecanismos de proteção.

    Como resultado, 31,9% das empreendedoras ainda não são formalizadas e, destas, 38,9% consideram o custo como principal motivo para não terem um CNPJ.

    O cenário também expõe um gargalo estrutural no acesso ao crédito e financiamento bancário . O desafio é considerado o principal entrave para o desenvolvimento dos pequenos negócios femininos, segundo 35,4% das respondentes.

    Meta é ter 50% de mulheres em altos cargos o mercado até 2030, diz Trajano
    Meta é ter 50% de mulheres em altos cargos o mercado até 2030, diz Trajano — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Segundo Ana Fontes, a transição de um empreendedorismo de necessidade para um modelo estratégico e sustentável a longo prazo exige, a princípio, uma mudança de postura das empreendedoras.

    O primeiro passo fundamental, segundo ela, é obter controle financeiro, separando a conta física da jurídica, conhecendo a margem de lucro real de cada produto ou serviço e prevendo o fluxo de caixa para interromper o ciclo de "apagar incêndios" diários, afirma.

    Quando o assunto é reduzir a informalidade, Ana defende um amplo letramento com foco na reeducação das empresárias e percepção clara dos benefícios que vão além da obrigação formal.

    “A linguagem técnica e burocrática precisa ser traduzida em benefícios práticos: emissão de notas, crédito produtivo com juros menores , grandes parcerias e proteção social, como o auxílio-maternidade”, exemplifica.

    “Quando a formalização é apresentada passo a passo e respeita o tempo de maturidade financeira do negócio, ela deixa de ser vista como uma cobrança estatal e passa a ser reconhecida como uma decisão estratégica para proteger a mulher e acelerar sua empresa”.

    Por fim, para transformar essa urgência para obtenção de renda e existência em prosperidade, é preciso atuar em três frentes principais, afirma a presidente do RME.

    São elas: implementar políticas públicas empresariais que tratem essas mulheres como agentes econômicas; fortalecer redes e modelos comunitários de apoio para combater o isolamento; e oferecer acesso estruturado a recursos, integrando crédito, capacitação e mercado para dar sustentabilidade ao negócio.

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/economia/seu-bolso/empreendedorismo-e-trabalho/mais-de-30-das-empreendedoras-no-brasil-estao-na-informalidade-diz-estudo/.

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    Para muitas brasileiras, abrir o próprio negócio não começa como uma escolha, mas como uma urgência, diz estudo • Desafios enfrentados pelas mulheres empresárias - Imagem: Pexels/Ono Kosuki · • Desafios enfrentados pelas mulheres empresária — Foto: CNN Brasil

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