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    Maioria dos europeus vê União Europeia em perigo

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    Folha de S.Paulo
    10 de setembro de 2026 às 17:13
    Maioria dos europeus vê União Europeia em perigo
    Mulher de cabelos curtos e grisalhos veste blazer verde e blusa branca, fala em púlpito com microfone. Ao fundo, bandeira da União Europeia e logotipos da Comissão Europeia em parede azul. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, durante entrevista coletiva - Geert Vanden Wijngaert - 2.set.26/Reuters · Geert Vanden Wijngaert - 2.set.26/Reuters
    Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, durante entrevista coletiva - Geert Vanden Wijngaert - 2.set.26/Reuters · Geert Vanden Wijngaert - 2.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Uma newsletter sobre geopolítica e economia global, editada pelo jornalista João Caminoto, de Paris

    Mais da metade dos europeus, 56%, acha que o futuro da União Europeia está "em perigo". Outros 68% descrevem uma "deterioração geral" do bloco. Os números são de uma pesquisa abrangente, "Future Nostalgia: Europe's Unfinished Song" (algo como "Nostalgia do futuro: a canção inacabada da Europa"), publicada nesta quarta-feira (9) pelo Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR) em parceria com a Fundação Cultural Europeia (FCE). Dificilmente Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, poderia receber um retrato menos favorável às vésperas do seu discurso anual sobre o Estado da União, que faz em Estrasburgo na próxima quarta (16).

    Os autores dividiram os entrevistados em quatro grupos. Só 19% se declaram positivos em relação à União. Os negativos, sensíveis a discursos sobre o declínio europeu e mais atentos a temas como inflação, imigração e guerra, chegam a 39%, patamar próximo aos índices de intenção de voto em partidos de extrema direita como a Reunião Nacional francesa e a AfD ( Alternativa para a Alemanha ), que teve forte votação no pleito regional da Saxônia-Anhalt no último domingo (6). Há ainda 12% de desconectados e 31% de indecisos, que acreditam no projeto europeu, mas esperam provas de que ele funciona.

    O presidente da França, Emmanuel Macron fala ao lado do astronauta francês Thomas Pesquet, durante a Cúpula Espacial Internacional, no Grand Palais - Ludovic Marin/AFP · Ludovic Marin/AFP
    O presidente da França, Emmanuel Macron fala ao lado do astronauta francês Thomas Pesquet, durante a Cúpula Espacial Internacional, no Grand Palais - Ludovic Marin/AFP · Ludovic Marin/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O apego à União, paradoxalmente, segue alto: 74% em média, segundo o Eurobarômetro, a pesquisa de opinião que a própria União Europeia realiza periodicamente. O problema, resume o pesquisador sênior do ECFR, Pawel Zerka, autor do estudo, é um "déficit de imaginação" sobre como sair da estagnação atual.

    Não faltam sintomas para alimentar esse pessimismo. Alguns exemplos dos últimos dias:

    Espaço - França e Alemanha, anfitriãs da Cúpula Espacial Internacional em Paris nesta quarta e quinta (9 e 10), estão divididas por rivalidades industriais, enquanto o continente segue atrás da SpaceX, de Elon Musk.

    Pessoas seguram bandeiras sérvias e retratos de Ratko Mladic durante uma procissão até o cemitério nesta segunda (7) - Oliver Bunic/AFP · Oliver Bunic/AFP
    Pessoas seguram bandeiras sérvias e retratos de Ratko Mladic durante uma procissão até o cemitério nesta segunda (7) - Oliver Bunic/AFP · Oliver Bunic/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Inteligência artificial - a francesa Mistral levantou o maior aporte já registrado por uma startup de IA na Europa, €3 bilhões liderados pela sul-coreana Samsung, mas isso não calou as críticas de que a empresa teria abandonado a corrida pelos modelos mais avançados.

    Educação — o Pisa registrou queda histórica no desempenho de estudantes franceses e alemães. Pior desempenho básico significa menor produtividade e renda ao longo da vida: o instituto alemão ifo estima perda de 3% a 4% na renda de longo prazo na Alemanha, porque trabalhadores com habilidades mais fracas tendem a ocupar postos de menor valor agregado.

    Islândia — um referendo rejeitou, por 52,8% dos votos, a retomada das negociações de adesão ao bloco.

    A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, chega a evento do partido Irmãos da Itália (Fratelli d’Italia) - Alberto Pizzoli/AFP · Alberto Pizzoli/AFP
    A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, chega a evento do partido Irmãos da Itália (Fratelli d’Italia) - Alberto Pizzoli/AFP · Alberto Pizzoli/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Sérvia - país candidato à União, teve ministros do governo do presidente Aleksandar Vucic no funeral do general sérvio-bósnio Ratko Mladic , condenado por genocídio. Bruxelas classificou o gesto como incompatível com seus valores.

    Mais de quatro anos de guerra depois, a Europa segue sem conseguir se firmar como interlocutora direta numa eventual negociação com o presidente russo, Vladimir Putin. E paga o preço da dependência energética que tenta reduzir: o cronograma legal de abandono do gás russo, em vigor desde janeiro, mantém os custos de energia elevados no continente.

    Títulos públicos - os rendimentos da dívida soberana de França e Alemanha subiram nas últimas semanas: o OAT francês de dez anos bateu, no início de setembro, o maior nível desde a crise financeira de 2008, e o spread sobre os Bunds alemães chegou a cerca de 85 pontos-base. A pressão soma inflação em alta na zona do euro, expectativa de novas altas de juros do BCE e, no caso francês, a incerteza em torno do Orçamento de 2027.

    Magdalena Andersson, dos Social-Democratas da Suécia, em fórum em Barcelona - Óscar del Pozo - 18.abr.26/AFP · Óscar del Pozo - 18.abr.26/AFP
    Magdalena Andersson, dos Social-Democratas da Suécia, em fórum em Barcelona - Óscar del Pozo - 18.abr.26/AFP · Óscar del Pozo - 18.abr.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Bruxelas tenta reagir. Institutos como o think tank belga EPIC (European Policy Innovation Council) acompanham, mês a mês, a implementação das 383 recomendações do relatório de Mario Draghi, ex-primeiro-ministro italiano, sobre competitividade, apresentado em 9 de setembro de 2024 — data que, por coincidência, completa exatamente dois anos nesta quarta. Cada instituto usa sua própria metodologia, o que explica a variação dos números: o EPIC calcula 15,7% de implementação plena; o Institut Montaigne, com sede em Paris, chega a cerca de 30%. Foi nesse esforço de acelerar a curva que a Comissão Europeia apresentou, ainda nesta quarta, dois novos textos: o Public Procurement Act e o European Innovation Act, que tentam simplificar as compras públicas e destravar financiamento para startups inovadoras.

    "A boa notícia é que a maioria dos europeus ainda acredita na ideia de uma Europa unida. A má notícia é que duvidam de sua capacidade de cumprir o que promete", resumiu André Wilkens, diretor da FCE, ao Le Figaro. É como se a maioria dos europeus ainda soubesse qual música quer ouvir, só não conseguisse imaginar como a banda vai chegar até lá.

    A pergunta, a essa altura, não é se a Europa sabe diagnosticar seus próprios problemas. Ela sabe, e documenta isso com precisão quase clínica. É se ainda tem tempo, e vontade política, para agir antes que a plateia vá embora.

    Divulgação · Divulgação
    Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O governo mais estável não é necessariamente o mais competente —o governo mais estável é simplesmente aquele que teve mais tempo para ser julgado. E esse julgamento são vocês, com essa presença e esse entusiasmo.

    em discurso na festa do Fratelli d'Italia, no porto de Bari, ao celebrar em 4 de setembro os 1.413 dias de seu governo, o mais longevo da história da República Italiana, superando o recorde do segundo governo de Silvio Berlusconi.

    Os suecos vão às urnas neste domingo (13) para eleger os 349 membros do Riksdag, o parlamento nacional. Os Social-Democratas de Magdalena Andersson chegam favoritos, com cerca de 28% das intenções de voto —herdeiros de uma tradição quase centenária: o partido foi o mais votado em toda eleição sueca desde 1914, e governou o país continuamente entre 1936 e 1976, e por quase todo o período entre 1982 e 2006. Mas essa hegemonia histórica não garante nada hoje: uma pesquisa do instituto Indikator para a Rádio Sueca mostrou a vantagem da oposição de centro-esquerda encolhendo de 8,9 pontos percentuais em junho para 4,7 pontos no fim de agosto.

    Dois homens estão em frente a um modelo branco de foguete exposto no Grand Palais, Paris. Um deles veste uniforme azul com emblemas espaciais, o outro está de terno e fala ao microfone. Estrutura de vidro e ferro do teto é visível.
    Dois homens estão em frente a um modelo branco de foguete exposto no Grand Palais, Paris. Um deles veste uniforme azul com emblemas espaciais, o outro está de terno e fala ao microfone. Estrutura de vidro e ferro do teto é visível. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    É nesse aperto que entra a extrema direita. Os Democratas Suecos (SD, na sigla em sueco), partido com raízes no movimento neonazista dos anos 1980, são hoje a segunda força do país, com cerca de 19% das intenções de voto. Desde 2022, o SD dá sustentação parlamentar ao governo minoritário do premiê Ulf Kristersson , do Partido Moderado, sem ocupar nenhuma pasta. Em abril, porém, Kristersson anunciou que, se a coalizão de centro-direita vencer, formará um governo de quatro partidos com o SD dentro do gabinete —pela primeira vez com peso político relevante e pastas importantes, entre elas migração e integração.

    O que monitorar até a próxima quarta-feira (16)

    "The Least Dangerous Branch: The Supreme Court at the Bar of Politics" , de Alexander Bickel (Yale University Press, 1962) — o clássico que cunhou a expressão "dificuldade contramajoritária" para descrever a tensão entre uma corte não eleita e a democracia. Bickel, professor de Direito Constitucional em Yale e ex-assessor de um dos juízes da Suprema Corte americana, parte da decisão que, no início do século 19, deu à Justiça americana o poder de anular leis aprovadas pelo Congresso, para perguntar até onde um tribunal vitalício pode ir sem corroer a própria ideia de autogoverno —pergunta que atravessa o Atlântico sem esforço. Sem edição em português até o momento.

    Multidão densa ocupa rua em manifestação durante o dia, com bandeiras coloridas e cartazes visíveis. Sinal de trânsito verde e árvores ao fundo indicam ambiente urbano.
    Multidão densa ocupa rua em manifestação durante o dia, com bandeiras coloridas e cartazes visíveis. Sinal de trânsito verde e árvores ao fundo indicam ambiente urbano. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Semanalmente, os principais fatos do globo, explicados de forma leve e interessante

    Mulher loira de camisa azul fala em púlpito vermelho com microfone, com grande tela atrás exibindo sua imagem ampliada. Público desfocado ao fundo.
    Mulher loira de camisa azul fala em púlpito vermelho com microfone, com grande tela atrás exibindo sua imagem ampliada. Público desfocado ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo
    Capa do livro The Least Dangerous Branch, com o subtítulo The Supreme Court at the Bar of Politics, autor Alexander M. Bickel. Fundo azul com imagem desfocada da fachada de um edifício clássico com colunas.
    Capa do livro The Least Dangerous Branch, com o subtítulo The Supreme Court at the Bar of Politics, autor Alexander M. Bickel. Fundo azul com imagem desfocada da fachada de um edifício clássico com colunas. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo
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    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/maioria-dos-europeus-ve-uniao-europeia-em-perigo.shtml.

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    Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, durante entrevista coletiva - Geert Vanden Wijngaert - 2.set.26/Reuters · Geert Vanden Wijngaert - 2.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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