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    Magalu salta 61% e lidera Ibovespa em setembro: por que disparou e o que vem agora?

    Tela de celular com Magazine Luiza " data-image-caption=" (Shutterstock) " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2019/10/shutterstock_1526766692-1.png?fit=1280%2C853&quality=70&strip=all" />Parceria com Mercado Livre, queda dos juros e menor concorrência impulsionaram MGLU3, mas analistas ainda veem riscos para a continuidade do rali The post Magalu salta 61% e lidera Ibovespa em setembro: por que disparou e o que vem agora? appeared first on InfoMoney .

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    1 de outubro de 2026 às 08:00
    Magalu salta 61% e lidera Ibovespa em setembro: por que disparou e o que vem agora?
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    O Magazine Luiza ( MGLU3 ) encerrou setembro como a ação de melhor desempenho do Ibovespa, coroando uma virada expressiva de humor dos investidores em relação à varejista. Os papéis dispararam 61,47% no mês, para R$ 7,46, em um período em que o próprio índice avançou 5,03%.

    O rali teve uma combinação de fatores. O Magalu se beneficiou do chamado “trade de juros”, favorecido pela redução da Selic e pelas expectativas em torno do cenário eleitoral e fiscal. De outro, uma sequência de notícias corporativas trouxe argumentos adicionais para a recuperação, com destaque para a parceria com o Mercado Livre (BDR: MELI34 ) e até para a perspectiva de menor concorrência após os problemas enfrentados pela Casas Bahia ( BHIA3 ).

    Mas a pergunta que fica para outubro é: depois de uma valorização superior a 60% em apenas um mês, ainda existe combustível para a ação subir?

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    Analistas pregam cautela, uma vez que há expectativas de melhora operacional para os próximos meses e um eventual ciclo mais forte de queda dos juros seria particularmente benéfico para a empresa, enquanto o JPMorgan avalia que parte importante desse cenário já foi incorporada às cotações e continua com recomendação underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda), chamando a atenção especialmente para a qualidade dos lucros da varejista.

    O impulso mais evidente veio do acordo anunciado no início de setembro com o Mercado Livre. A parceria permite ampliar a distribuição dos produtos do Magalu dentro da plataforma e foi recebida positivamente porque cria uma alternativa para recuperar tração no comércio eletrônico sem exigir o mesmo nível de investimento na aquisição de clientes pelos canais próprios.

    O acordo atacou justamente uma das principais fragilidades recentes da companhia. No segundo trimestre, as vendas online haviam caído cerca de 12%, enquanto as lojas físicas cresceram 10,3%. A possibilidade de usar a audiência do Mercado Livre para recuperar alcance e vendas digitais, portanto, trouxe uma nova perspectiva para a operação.

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    A S&P também incorporou esse fator às suas projeções. Ao reafirmar a nota de crédito do Magalu em “brAA-“, a agência afirmou esperar recuperação gradual das vendas nos próximos meses, sustentada pela parceria com o Mercado Livre e pela menor concorrência após o fechamento de lojas da Casas Bahia. A perspectiva estável contempla ainda melhora da geração de caixa e redução gradual da alavancagem a partir de 2027.

    Eleições do próximo domingo estão no radar do mercado

    A agência, contudo, revisou para baixo as projeções para 2026 e passou a estimar dívida líquida/Ebitda perto de 4 vezes no fim deste ano, ante 3,6 vezes anteriormente. Para 2027, espera redução para algo entre 3 e 3,5 vezes.

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    Ainda neste tema, o JPMorgan elevou suas estimativas para o Magalu ao incorporar tanto a parceria com o Mercado Livre quanto potenciais ganhos de participação associados à recuperação judicial da concorrente. O banco aumentou em 6% sua projeção de receita líquida para 2027 e em 24% a estimativa de lucro.

    Houve ainda uma possível avenida de crescimento no radar. A Anvisa revogou uma medida preventiva que proibia o Magazine Luiza de comercializar, distribuir e anunciar determinados medicamentos. Segundo a Ágora Investimentos, a retirada da restrição amplia as possibilidades estratégicas do ecossistema digital da companhia, embora o impacto econômico efetivo dependa da regulamentação sanitária e do modelo de operação que poderá ser adotado.

    Além dos catalisadores próprios da empresa, o cenário macroeconômico ajudou: com a Selic reduzida para 13,75% após cinco cortes consecutivos do Banco Central, investidores voltaram a procurar ações ligadas ao consumo e ao crédito.

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    Tela de celular com Magazine Luiza — Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    E poucas varejistas na Bolsa carregam tanta sensibilidade aos juros quanto o Magazine Luiza. Nas contas do JPMorgan, uma Selic 1 ponto percentual abaixo do cenário-base elevaria em aproximadamente 10% o lucro projetado do Magalu para 2028. No Assaí ( ASAI3 ), outro nome de alto beta, o impacto seria de cerca de 5%, enquanto nas demais varejistas analisadas ficaria em aproximadamente 2%. Além disso, a proibição das bets no Brasil pode adicionar um mercado significativo ao varejo e consumo, afetando as ações de Magalu.

    A expectativa em torno das eleições ainda ampliou esse movimento. O setor varejista chega à votação negociando com valuations deprimidos e pode ser reprecificado caso o resultado das urnas leve a uma redução da percepção de risco fiscal e dos juros. Nas contas do JPMorgan, as varejistas negociam em torno de 8 vezes o lucro projetado, contra uma mediana de aproximadamente 15 vezes nos últimos cinco anos.

    No caso do Magalu, porém, parte dessa aposta já aconteceu, avalia o JPMorgan. Embora reconheça que o Magalu está entre as ações que mais podem ganhar com uma queda adicional dos juros, o JPMorgan mantém recomendação underweight para MGLU3 . O banco destaca que quase todo o lucro da empresa, segundo seus cálculos, depende de incentivos tributários, levantando dúvidas sobre a qualidade dos resultados.

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    Magazine Luiza teve maior ganho do mês, enquanto Natura teve a maior queda

    Existe ainda uma nuance na própria tese de juros menores, uma vez que a queda das taxas reduz as despesas financeiras e pode estimular a demanda por bens duráveis, mas também pode diminuir os ganhos financeiros embutidos nas vendas, pressionando as margens brutas e limitando parte do impacto positivo sobre os lucros.

    Por isso, o banco enxerga atualmente relações de risco e retorno mais interessantes em outras varejistas. C&A ( CEAB3 ) e Riachuelo ( RIAA3 ) têm recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra), enquanto Lojas Renner ( LREN3 ) é neutra. Para o JPMorgan, essas empresas oferecem uma assimetria mais atraente diante dos diferentes resultados eleitorais do que simplesmente apostar nos papéis de maior beta, como MGLU3 .

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    O segundo trimestre ainda mostrou um quadro desafiador: o Magazine Luiza registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 50,4 milhões, queda de 2,6% da receita líquida e retração de 5,1% nas vendas totais. A margem Ebitda ajustada, por outro lado, permaneceu em torno de 8%.

    Os próximos resultados, portanto, terão que mostrar se os catalisadores que impulsionaram a ação em setembro estão de fato migrando para vendas, margens e geração de caixa.

    Entre os indicadores no radar estão a recuperação das vendas online, a trajetória das margens, a redução gradual do endividamento e o desempenho da Luizacred. A Black Friday e as vendas de fim de ano também serão testes relevantes para a operação.

    Há obstáculos macroeconômicos: o JPMorgan, por exemplo, espera fortes dificuldades para o consumo em 2027, diante de endividamento elevado das famílias, peso do serviço da dívida, inadimplência crescente e crédito ainda caro. O banco ressalta que uma eventual reação das ações após as eleições não deve ser confundida com uma recuperação imediata dos fundamentos das varejistas.

    Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/mercados/magalu-mglu3-salta-61-e-lidera-ibovespa-em-setembro-por-que-disparou-e-o-que-vem-agora/.

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